O novo Vivant em Almancil: música e sabores de exceção no Triângulo Dourado

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Sob nova gerência e “integrado” no grupo Fullest, o Vivant reabriu a 17 de julho em Almancil, unindo a alta gastronomia mediterrânica a um ambiente de clube vibrante. Com uma proposta assinada por Gonçalo Fernandes, Hugo Tabaco e Rui Campos Silva, o espaço propõe prolongar as noites de verão até às 04h, apostando num conceito adulto, seguro e de inegável requinte.

A brisa algarvia que serpenteia pelo Triângulo Dourado carrega este ano um perfume distinto de renovação, brio e alta gastronomia, corporizado na nova alma do Vivant, um espaço em Almancil que ressurgiu este verão sob uma batuta completamente reestruturada pela mão do grupo Fullest. Trata-se de um projeto que tem em mente acolher quem chega com uma aura que faz falta não apenas ao Algarve, mas ao panorama nacional de restauração e diversão noturna.

Sob a visão estratégica de Gonçalo Fernandes, Hugo Tabaco e Rui Campos Silva, o Vivant afirma-se como uma verdadeira casa de charme de verão em Almancil, onde cada detalhe é pensado como um convite para nos fazer regressar aonde o encanto paradisíaco e a qualidade mais se parecem com características naturais e evidentes.

Logo nos primeiros instantes, enquanto se decifram as opções na carta de bebidas que dão o mote para a noite, percebe-se que a criatividade impera, aliada ao bom gosto. O ritual pode começar com um copo de Vivan Flame, uma criação original da casa que reinventa de forma genial o clássico Aperol Spritz através de uma simbiose perfeita entre a doçura da Amarguinha, o amargor característico do Aperol e a efervescência de um espumante de eleição oriundo da Bairrada.

Há mais por descobrir nesta carta de bebidas vibrante. Pelo meio da conversa, entre partilhas sobre o histórico Rob Roy ou propostas lúdicas para quem prefere os mocktails como o Teddy Bear – uma verdadeira viagem nostálgica à infância que reproduz com precisão cirúrgica o sabor daquelas tradicionais gomas de morango e maçã da Haribo -, descobre-se que aqui cabe também o incontornável Moscow Mule, o refrescante Mojito ou uma interpretação irreverente da casa do clássico Negroni.

Já o couvert prepara o palato para uma refeição divinal, com uma manteiga de alho e ervas verdes onde desabrocham notas frescas de coentros, salsa e um toque discreto de tomilho, acompanhadas por um salpicão sevilhano de cortar a fio e um patê de marisco sedoso servido com pão ainda quentinho acabado de cozer.

Esta atenção meticulosa aos detalhes inicial é o reflexo direto de uma mudança profunda operada pela nova gerência do Vivant, que entregou a gestão integral da restauração a uma equipa veterana liderada por um chef alentejano e um subchef italiano, cuja visão conjunta resulta numa carta equilibrada entre tradição e criatividade. Na verdade, o projeto atual nasce de uma premissa profundamente humana: a de que o verdadeiro luxo reside na criação genuína de memórias e na forma como cada cliente e cada membro da equipa são tratados como se de família se tivessem.

É precisamente esse respeito inabalável pelo ofício que se transfere diretamente para a mesa, traduzindo-se numa carta inteiramente nova, repensada de raiz, que aposta em produtos de qualidade estritamente premium mas praticando preços justos e equilibrados, com um preço médio a rondar os 50 a 55€ por pessoa, combatendo a sensação de injustiça com que muitos clientes saem habitualmente de espaços gourmet ou similares na região.

A curadoria da ementa do Vivant foge aos formalismos excessivos e aos conceitos pretensiosos, apostando num twist português e mediterrânico profundamente elaborado e reconfortante. A proximidade à Ria Formosa revela-se em produtos que chegam diariamente à cozinha, como ostras frescas e pequenos polvos da ria, aos quais se juntam camarão-tigre, peixe fresco e carnes cuidadosamente selecionadas. As referências italianas surgem em propostas como a Focaccia artesanal com tomate e pesto, reforçando uma cozinha pensada para partilhar e celebrar os sabores do sul.

Sentar-se à mesa revela rapidamente o encanto desta partilha: nas entradas, experimentámos o Camarão Tigre – duas unidades belíssimas com um brilho e frescura intensíssimos, servido com pão torrado e molho de manteiga -, a dividir ainda com um Tártaro de Novilho super generoso, humedecido com tempero de casa, gema curada e tostas crocantes, e umas reconfortantes croquetas que abrem o apetite com distinção, as Crocantes de alheira com maionese fumada.

Na hora dos principais, seguimos em vários rumos: o mar marcou presença num Robalo irrepreensível, o Robalo Escalado servido com batata a murro e legumes salteados, enquanto na carne se provou o célebre Ossobuco com risotto alla milanese, cozinhado lentamente e com um risotto cremoso com muito queijo e travo a limão, como se quer. Veio também generoso e guloso Vivant Double Smash Burger, composto por duplo smash de novilho (de espessura reconfortante), mozzarella, aros de cebola, pickles de casa e batata frita, e ainda um Tornedó de Novilho, ótima carne selecionada que completou a harmonia da mesa, com puré cremoso, legumes salteados e molho madeira. Tudo uma delícia, servido por funcionários primorosos e super atentos.

Curiosamente, a única exceção à reformulação total da carta do Vivant foi precisamente o clássico Ossobuco, introduzido por insistência de uma equipa que acreditava na sua força e que hoje faz as delícias dos comensais mais gulosos.

A refeição culmina com sobremesas monumentais que encerram a noite com nota vinte, desde a cremosa e tostada interpretação do Cheesecake Basco com Maracujá até à intensa Mousse de Chocolate, sedosa, encimada por frutos vermelhos, sem esquecer o indescritível Pudim de Pão, uma receita com uma carga emocional profunda por ser a sobremesa que um dos responsáveis do Vivant comia na infância e que hoje assim se recupera ao ser confecionada diariamente para fazer sorrir quem se senta à mesa.

Como dizíamos, esta aposta em doses generosas e reconfortantes é o oposto do minimalismo escasso que muitas vezes desilude os visitantes em zonas turísticas de elite.

A inteligência do projeto estende-se também à gestão do espaço físico e à arquitetura do tempo, contando com uma engenharia acústica exemplar – incluindo tetos direcionados para o chão e proteções perimetrais – que isola o som na perfeição. Com cerca de 40 lugares sentados no interior e capacidade para 130 pessoas no exterior, o espaço do Vivant distribui-se por diferentes ambientes, assumindo o exterior particular protagonismo durante os dias quentes de verão.

No entanto, a gerência tomou a decisão estratégica e cirúrgica de gerir rigorosamente a lotação para evitar o caos de experiências passadas noutros espaços noturnos da moda, onde a ânsia desenfreada pela faturação e pela lotação máxima – colocando 400 pessoas em pé num espaço de 500 lugares – por vezes faz com que a fronteira entre o jantar e a pista de dança se dissolva de forma desastrosa. Aliás, muitas vezes a colocação de mesas de jantar misturadas com pistas de dança sobrelotadas torna a experiência de tal modo caótica que roça o desagradável, quebrando por completo o bem-estar de quem paga por um jantar refinado.

O resultado prático dessa antiga abordagem era uma quebra inaceitável na experiência do cliente, obrigando comensais a jantar placidamente às oito da noite enquanto, mesmo à sua frente, visitantes em euforia já celebravam a meia-noite. No Vivant, essa desarmonia é ativamente prevenida e combatida: o restaurante respira tranquilidade, com uma divisão inteligente do espaço que protege o conforto das famílias, casais e grupos de amigos que escolhem desfrutar de uma refeição relaxada num ambiente adulto e seguro, onde é possível encontrar finalmente um lugar à medida.

A dinâmica da noite desenrola-se, assim, num crescendo harmonioso. O Vivant serve os últimos pedidos por volta das 23h30, prolongando a experiência gastronómica até sensivelmente à 00h30. É nesse exato momento que se opera a metamorfose mágica do espaço: a equipa promove a transição total do ambiente para o conceito de clube noturno, servindo apenas as últimas sobremesas pendentes.

A partir da meia-noite e meia, o chip muda por completo; as luzes ajustam-se, o som ganha outra batida através de programação regular de DJs residentes, convidados e atuações ao vivo, transformando o espaço num destino onde o jantar evolui naturalmente para uma experiência de clube até às 04h. Esta fluidez evita o desconforto de ter clientes a tentar saborear um doce enquanto a pista ferve de energia ao lado, criando um ecossistema onde cada fase da noite tem o seu tempo e o seu devido valor (e sabor).

A aposta estratégica da casa tem-se refletido numa forte preferência por parte do público português e local, que rapidamente tem espalhado a palavra de boca em boca e através de ótimas avaliações em plataformas digitais, atraindo também os turistas mais exigentes que frequentam a Quinta do Lago e Vale do Lobo e que há muito procuravam um refúgio onde fossem conhecidos pelo nome e tratados com a cumplicidade de antigamente. As reservas chegam a somar mais de uma centena por noite, com os clientes nacionais e internacionais a adaptarem-se naturalmente aos ritmos tardios do sul, chegando progressivamente para desfrutar de longas conversas à mesa antes de cederem ao apelo da pista de dança.

O melhor de tudo? Contrariamente a anos anteriores, desta vez a aposta é para manter o Vivant aberto todo o ano, não sendo apenas um projeto sazonal.

Graça Pacheco
Graça Pacheco
Licenciada em literaturas clássicas e com um doutoramento em estudos literários, sou colaboradora e fã do Echo Boomer. Escrever, para mim, é um ofício desafiante mas também um hobby. Também adoro gastronomia, gosto de explorar novas tecnologias e sobretudo, adoro cinema e TV.
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