O Sueste volta a surgir no palco da gastronomia do sul do país como um convite para desconectar, celebrar a vida com bons sabores e passar tempo de qualidade com os olhos postos no horizonte tranquilo.
De acordo com a alma marítima da região e numa das mais autênticas e pitorescas vilas piscatórias do Algarve, o icónico restaurante Sueste, situado num antigo armazém de sal, renasceu à beira do cais de Ferragudo com uma carta renovada por novas propostas, entre elas, uma rica panóplia de mariscos frescos e um programa de entretenimento que prometem animar os finais de tarde deste verão.
Fomos experimentar as grandes novidades do espaço e descobrimos, antes de mais, um santuário de descontração e lazer, numa envolvência natural idílica, com uma esplanada voltada para a foz do rio Arade, lugar arrebatador onde o tempo parece abrandar entre pratos de marisco excecionais e vinhos locais. É, por si só, um prelúdio perfeito.
Uma vez entrados na vila de Ferragudo, começamos a sentir aquilo que a autêntica hospitalidade algarvia tem para oferecer. À chegada ao Sueste, fomos calorosamente recebidos por Filipa Marques, cuja egrégia hospitalidade e orgulho em partilhar a essência do espaço ditaram o tom acolhedor de toda a experiência.
Filipa guiou-nos nesta experiência em que, sob a alçada dos mesmos mentores que impulsionaram a conceituada Adega Arvad, o Sueste reabriu com uma filosofia renovada.

Para começar, introduziu-se um horário alargado, diário, das 12h às 22h e uma carta onde o mar dita as regras com redobrado orgulho. De facto, na esplanada à beira-rio, salta-nos à vista a decoração contemporânea que, sem perder o profundo vínculo à cultura piscatória local, confere um ambiente sofisticado e acolhedor aos 78 lugares interiores do restaurante e 20 de esplanada-, exibindo ainda uma versatilidade com capacidade para acolher grandes eventos e preparar especialidades emblemáticas como a paelha para grupos que superam as 50 pessoas.
Para iniciar este banquete gastronómico num almoço de sábado que pedia frescura, fomos brindados com alguns dos pitéus que mais atraem os clientes. Experimentámos duas entradas regionais irrepreensíveis: as tenras Lulinhas à Algarvia, repletas de sabor tradicional, e o cremoso Xerém de Berbigão, um clássico intemporal, muitíssimo apreciado, que nos transporta de imediato para as memórias mais genuínas da costa sul. Estavam deliciosas, estas entradas, embora a carta também pisque o olho à tradição com outras propostas, como a imperdível Sopa de Tomate com ovo escalfado.
A segunda camada de deleite chegou com os pratos principais, revelados em toda a sua sumptuosa apresentação. O primeiro destaque foi o Esparguete com Marisco, um prato generoso onde a massa perfeitamente al dente surge envolta num molho rico e apurado, repleto de amêijoas, mexilhões e camarões, finalizado com um toque fresco de coentros e tomates-cereja que saltam à vista.
Ao lado, numa exibição de luxo, brilharam os Carabineiros Grelhados. Trata-se de uma das grandes especialidades da nova carta, pensada idealmente para duas pessoas: aberto ao meio e grelhado com mestria, este marisco de carne doce e sumarenta foi servido com uma salada colorida de rúcula e tomate-cereja, acompanhado por gomos de limão para a acidez perfeita e uma taça de manteiga derretida.
O acompanhamento de aromático e aveludado Arroz de limão (servido numa original taça em forma de peixe), cuja acidez equilibra na perfeição a riqueza e a doçura do marisco fresco, torna os sumarentos e generosos Carabineiros ainda mais poderosos e suculentos. É, sem dúvida, um must para os apreciadores de marisco fresco.
Para quem procura outras opções na mesa, a ementa desdobra-se em alternativas igualmente tentadoras, desde os clássicos obrigatórios, como a rica Cataplana de Peixe e Marisco, e o peixe fresco na brasa grelhado na hora, como manda a tradição. Há, também, novidades absolutas, onde se incluem o Arroz de Lingueirão, o Camarão Tigre, também servido com arroz de limão, ou uma seleção enriquecida de marisco fresco, onde brilham a Santola e a Sapateira.
A acompanhar a nossa refeição soberba, a renovada garrafeira da casa, onde se destacam os vinhos algarvios Arvad e Uca Violinista, fez as honras com uma proposta que celebra as castas autóctones da região: a emblemática Negra Mole. É um vinho de casta tinta muito claro, translúcido e aberto de cor (estilo “palhete” ou clairet), que parece visualmente um rosé carregado. É um tinto incrivelmente leve, frutado, que harmoniza divinamente com os sabores marítimos servidos à mesa.
Para fechar com chave de ouro, a sobremesa foi preparada à mesa, num ritual sensorial intitulado Chama do Sueste: uma surpreendente e performática combinação onde um shot de medronho e outro de laranja são vertidos sobre uma sumarenta fatia feita de figo, sendo tudo flambeado à nossa frente antes de ser degustado. E provámos ainda uma outra: o Misto Algarvio, com figo e alfarroba. Tudo servido com bola de gelado de baunilha.
Mas o Sueste não se esgota na mesa de almoço. O novo conceito aposta fortemente no entretenimento e na celebração do tempo de qualidade. Foi a pensar nisso que se operou uma renovação e dinamização deste espaço e de todo o projeto, que passam por um programa de entretenimento e imersão no habitat local.
O Sueste integra agora, assim, na sua programação semanal as Sunset Parties com DJ, transmissões de jogos e tardes com saxofone ao vivo.
É aí que brilha o menu Fora de Horas, para quem prefere petiscar sem as restrições dos horários tradicionais, com opções entre os 12€ e os 25€, onde figuram iguarias como o Camarão salteado com arroz, as Amêijoas à Bulhão Pato com cesto de pão ou um reconfortante Preguinho no pão com batata frita, ideais para saborear à beira-rio com uma imperial bem fresca ou um copo de vinho UCA Violinista, enquanto o sol se esconde no horizonte de Ferragudo.
Em suma, o Sueste reitera o seu estatuto de paragem obrigatória, surgindo não apenas como um ponto de restauração de excelência, mas como um convite irrecusável para desconectar, celebrar a vida com bons sabores e passar tempo de qualidade com os olhos postos no horizonte tranquilo. Não vemos a hora de lá voltar!
