A chegada de Julie ao Pangea assinala o fim dos animais selvagens em circos portugueses e o início da atividade do novo santuário de elefantes.
A chegada de Julie ao Santuário de Elefantes Pangea, no Alentejo, assinala o fim da presença de animais selvagens em circos em Portugal e marca a abertura operacional daquele que é apresentado como o primeiro santuário europeu de grande escala dedicado a elefantes. A fêmea, que durante décadas integrou o circo Víctor Hugo Cardinali, torna-se a primeira residente deste espaço.
A transferência ocorreu no âmbito de um acordo voluntário entre o santuário e a estrutura circense, num processo que acompanha a implementação da legislação portuguesa que proíbe a utilização de animais selvagens em circos. A lei foi aprovada em 2018, tendo entrado plenamente em vigor em 2024. Apesar disso, a permanência de Julie no circo prolongou-se até existir uma solução considerada adequada para o seu acolhimento definitivo.
Julie terá chegado a Portugal ainda jovem, proveniente da África Austral, tendo sido integrada no circo Cardinali em 1988. Após mais de quatro décadas de atividade, foi retirada de cena no momento em que a proibição legal passou a aplicar-se na totalidade. No mesmo ano, morreu a última companheira que ainda partilhava o espaço com a elefanta, deixando-a isolada enquanto se procurava uma alternativa para o seu futuro.
Julie passará por um período de adaptação gradual ao novo ambiente, podendo explorar o território ao seu ritmo. Tendo em conta a idade e o histórico de vida, estão previstos cuidados específicos relacionados com mobilidade e outras condições associadas a elefantes idosos.
Está prevista a chegada de outros animais ao santuário. Entre eles encontra-se Kariba, uma elefanta africana com características semelhantes, atualmente alojada num jardim zoológico na Bélgica. Decorrem igualmente contactos com outras entidades que mantêm elefantes, com vista à eventual transferência de mais indivíduos que possam integrar o espaço em condições compatíveis.
O Santuário de Elefantes Pangea foi desenvolvido com o objetivo de acolher elefantes que deixaram de ter enquadramento em circos ou outras instituições. Situado numa reserva de 402 hectares na região do Alentejo, abrangendo os municípios de Vila Viçosa e Alandroal, o espaço foi concebido para proporcionar condições consideradas mais próximas do habitat natural, com maior liberdade de movimentos e possibilidade de interação social entre animais. A estrutura inclui acompanhamento especializado e condições adaptadas às necessidades físicas e comportamentais destes mamíferos.
A criação do Pangea tem também sido apresentada como um passo relevante no contexto europeu, onde várias entidades enfrentam limitações crescentes na manutenção de elefantes em cativeiro. A iniciativa surge, assim, como uma alternativa para o acolhimento destes animais, num momento de mudança nas práticas associadas ao seu uso em entretenimento.
Para já, o santuário não está aberto ao público. A opção visa garantir um período de estabilidade e adaptação para Julie e para futuros residentes.
Foto: Santuário de Elefantes Pangea/Wade Million
