Plataforma Data+ centraliza histórico do vinho do Alentejo desde 1989

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Nova ferramenta Data+ reúne mais de cinco milhões de dados e reforça o controlo e a rastreabilidade da fileira vitivinícola do Alentejo.

A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) apresentou a plataforma Data+, um sistema de informação destinado ao controlo e à rastreabilidade da fileira vitivinícola da região. A ferramenta agrega mais de cinco milhões de registos e permite acompanhar diferentes dimensões da atividade, incluindo dados por sub-região, castas, mercados de exportação e evolução produtiva ao longo de mais de 15 anos. A base histórica utilizada integra informação acumulada desde 1989, o que, segundo a entidade, constitui um caso singular no contexto nacional.

De acordo com a CVRA, a plataforma foi concebida para reforçar os mecanismos de monitorização da produção e melhorar a capacidade de análise sobre o comportamento dos mercados. A atualização regular dos dados deverá também apoiar decisões de gestão por parte dos produtores e restantes agentes do setor, através de indicadores mais detalhados e consistentes sobre a atividade vitivinícola no Alentejo.

A apresentação do Data+ foi acompanhada pela divulgação de um estudo de impacto socioeconómico realizado pela Nova SBE, que concluiu que os vinhos do Alentejo geram mais de 1,45 mil milhões de euros para a economia portuguesa. Desse total, cerca de 673 milhões de euros correspondem a contributo direto para o Produto Interno Bruto. O estudo aponta ainda para uma receita fiscal de aproximadamente 95 milhões de euros, resultante sobretudo de IVA e IRS associados à atividade, bem como para a sustentação de mais de 21.000 postos de trabalho diretos. No mesmo âmbito, são estimadas remunerações globais na ordem dos 269 milhões de euros.

Os dados apresentados evidenciam também o peso da região no setor vitivinícola nacional. O Alentejo representa cerca de 16,4% da produção total de vinho em Portugal, 16,8% da produção de vinhos com Denominação de Origem Protegida (DOP) e aproximadamente 19% da produção de vinhos com Indicação Geográfica Protegida (IGP).

Estas iniciativas inserem-se no Plano Estratégico dos Vinhos do Alentejo para o período 2026-2031, documento que estabelece as principais linhas de atuação para a região até ao final da década. O plano define como objetivo central o aumento do valor económico gerado pela fileira, procurando simultaneamente reforçar o posicionamento do Alentejo no contexto internacional.

A estratégia assenta em seis áreas de intervenção: controlo e fiscalização, mercados e promoção, enoturismo, sustentabilidade, viticultura e enologia, e investigação e desenvolvimento. No plano quantitativo, está prevista uma expansão de 41,1% no volume global de negócios do setor até 2030, o que corresponde a um acréscimo estimado de 158,9 milhões de euros. Este crescimento deverá resultar, segundo o documento, de uma combinação entre valorização do produto, aumento da presença em mercados externos, desenvolvimento do enoturismo e continuidade de práticas associadas à sustentabilidade.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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