LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight Review: Déjà vu

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LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight celebra décadas de história do herói da DC com um jogo que no papel parece ambicioso, mas cai nas armadilhas da simplicidade, repetição e pequenos excessos menos divertidos.

Neste meu hobby de pegar em novos lançamentos e de partilhar o que acho sobre eles, é muito comum eu abandonar experiências sem muito para dizer. Umas vezes, isso acontece porque infelizmente os jogos não são propriamente bons e não tenho interesse em destrui-los mais, outras vezes, porque não respondem aos meus gostos e não é saudável jogá-los contra vontade, e há ainda aqueles casos em que o aborrecimento e o desinteresse falam mais alto. E LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight esteve muito perto de entrar nesta última categoria.

É um desabafo inicial estranho, especialmente considerando que LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight até é um bom jogo, bem recebido pelos fãs deste cruzamento de mundos e pela crítica especializada. E dado que nos primeiros momentos desta aventura de Batman, até senti que fez um bom trabalho para me convencer que havia ali algo de especial. Contudo, quando mais jogava e outras prioridades se colocavam na luta pelo meu tempo, a vontade de revisitar esta Gotham em formato LEGO foi diminuindo ao ponto de até me esquecer dele, aproximando-se perigosamente da prateleira do backlog de jogos por finalizar.

À medida que ia jogando em sessões relativamente curtas questionava-me porquê. Porque é que um jogo que é efetivamente bom e que entrega tão bem a promessa da sua premissa – a revisitação do legado histórico de Batman ao longo de décadas de BDs, filmes, animações e jogos, traduzidas para a estética LEGO, com todos os elementos característicos da TT Games – não colou comigo. E eis que se fez luz quando percebi qual a fonte deste distanciamento: eu já joguei este jogo de alguma forma mais do que uma vez. Não se trata de um “já joguei isto” no sentido de parecer um remake ou um remaster, de parecer uma sequela espiritual ou um rip-off de algo. Trata-se sim de um sentimento de exaustão, de falta de novidade, ou de elementos interessantes que incentivem à exploração das várias dimensões do jogo. Um déjà vu de aborrecimento.

As comparações de LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight à aclamada saga Batman: Arkham da Rocksteady são tão justas como bem-vindas e acentuam até as características positivas desta experiência. É “Batman Arkham mas em LEGO“, mas essa mesma comparação revela o quão superficial o novo jogo é ao adaptar este sistema de combate, com mecânicas mais simplistas – o que faz sentido, dado o público a que se dirige. Não é o sistema de combate mais profundo, mas resulta e é transversal a todas as personagens jogáveis, com exceção das habilidades únicas. Só que rapidamente se torna repetitivo e quase automatizado, até com a sua árvore de habilidades bem atualizada.

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LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight (Warner Bros. Games)

Arkham parece ter encontrado um fim enquanto série, mas o seu eco que aqui permanece não parece correto e já me cheira a mofo. Para além do combate, outra qualidade dessa saga que aqui se mantém é a forma como LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight abraça o mundo aberto, em mais uma repetição do que vimos noutros jogos da DC com as representações de Gotham e Metropolis, em Gotham Knights e Suicide Squad: Kill the Justice League, respetivamente, dois títulos que num mundo ideal teriam beneficiado de uma estrutura mais linear e controlada, com menos excessos. De alguma forma, LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight volta a cometer o mesmo pecado.

A estrutura do jogo tenta distanciar-se um pouco das armadilhas do mundo aberto, mas com algum grau de insucesso. O caminho dourado de Batman é feito de forma relativamente linear e episódica, com cada porção dedicada a um dos inimigos clássicos do personagem, outras vezes a aliados, com inspirações diretas a algumas das histórias mais marcantes de Batman nos seus diferentes meios. Quando a história flui nestes momentos, LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight é bem divertido e até nostálgico, com a estrutura característica da TT Games, puzzles ambientais, atalhos e segredos escondidos pelos níveis que incentivam à sua revisitação. No entanto, se o jogo fosse só isso, seria relativamente pequeno e com pouco para oferecer. algo que se nota pela simplicidade com que as histórias são contadas ou pela presença dada a algumas personagens que, por vezes, parecem meros cameos para dizer “Olá!”.

Onde o jogo começa a revelar os seus artifícios é, lá está, na quantidade de desbloqueáveis cosméticos, no mundo aberto e nos pequenos excessos. O que é irónico considerando que esta é uma Gotham em miniatura, com um mapa relativamente pequeno, mas igualmente confuso e populado com pontos de interesse que perturbam a exploração. Vezes sem conta, a caminho de uma missão, era fácil perder-me nas ruas e encontrar becos sem saída, e outras vezes quando havia uma atividade ou ponto de interesse, deparava-me com a impossibilidade de interagir por falta de uma personagem ou de habilidades especificas. Estes momentos tornaram-se frequentemente frustrantes porque era como se o jogo me pedisse para não explorar e me dedicar à história principal, ao mesmo tempo que o desbloqueio de habilidades e de extras depende também da exploração. Um conflito constante, que abafava a vontade de começar mais uma sessão.

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LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight (Warner Bros. Games)

A apresentação de LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight é também excelente, mas igualmente inconsistente. O humor dos jogos LEGO é uma garantia, com incríveis recriações de cenas de filmes e das séries de animação, com twists criativos e referências deliciosas à cultura pop, até fora do universo Batman. Mas existe uma pequena dissonância na caracterização das personagens. Talvez o Batman do filme LEGO Batman tenha estabelecido um padrão e novas expectativas para estas versões da personagem, mas não estava preparado para o tom meio sério deste Batman e do restante elenco. A leveza e o humor acontecem em tudo o que rodeia os personagens, mas pouco no texto ou na entrega dos diálogos, que, tal como as histórias que adapta, são um pouco simples e recheados de catchphrases reconhecíveis.

Visualmente, o jogo é muito sólido e polido, mas a sensação de déjà vu persiste quando comparado ao que os jogos LEGO têm oferecido nos últimos anos. Continuamos a ter um misto de elementos com peças LEGO e outros mais realistas, com uma apresentação ainda muito próxima de uma série animada. Mas já existe, nesta geração, um excelente exemplo de um jogo LEGO que quebra essa barreira: LEGO Horizon Adventures, onde virtualmente tudo, incluindo efeitos visuais, é composto por peças LEGO, e as animações evocam o charme de produções stop-motion. Colocando ambos lado a lado, fica claro qual oferece uma direção visual mais arrojada, distinta, interessante e envolvente.

LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight é, honestamente, um bom jogo, excelente até, de alguma forma. Mas não é o jogo que esperava, nem o que os maiores fãs de Batman ou do colecionismo LEGO merecem. Entre mecânicas superficiais, uma campanha simplista, um mundo aberto excessivo e um tom inconsistente, a celebração de Batman acaba por ser uma festa bem menos divertida do que a sua história prometia.

Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela Warner Bros. Games.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
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