A Sony terá alegadamente introduzido um novo sistema DRM nas consolas PlayStation que obriga os jogadores a ligarem-se online a cada 30 dias para validar licenças de jogos digitais.
A atualização 13.20 da PlayStation 5, lançada recentemente pela Sony, terá trazido consigo um mecanismo de gestão de direitos digitais (DRM) que aplica uma verificação de licença com validade de 30 dias a todos os jogos digitais adquiridos a partir de meados de abril de 2026, afetando tanto jogos para a PlayStation 4 como a PlayStation 5. Este mecanismo foi inicialmente detetado pelo canal de YouTube Modded Warfare e posteriormente confirmado pelo streamer de Twitch e modder Lance McDonald, que testaram o comportamento de vários títulos comprados após essa data.
De acordo com o observado, qualquer jogo digital adquirido a partir desse período (ou de agora) passa a ter um contador de 30 dias associado à sua licença. Quando esse prazo expira sem que o jogador ligue a consola à Internet, a consola bloqueia o acesso ao jogo até que seja estabelecida uma ligação para renovar a licença e reiniciar a contagem. Ao contrário do que chegou a circular nas redes sociais nos últimos dias, a expiração do contador não implica a perda permanente do acesso ao conteúdo, tratando-se apenas de um infeliz e desnecessário bloqueio temporário que se resolve com uma ligação online.
O contador é visível na PlayStation 4, onde os jogadores podem consultar a secção de informações de um jogo adquirido e ver os campos de Data de Início do Período de Validade, Data de Fim do Período de Validade e Tempo Restante. Já na PlayStation 5, o mesmo temporizador existe, mas não é apresentado ao jogador, sendo que a notificação surge apenas quando o prazo expira e o jogador tenta aceder ao jogo. Ao que tudo indica nenhum jogo adquirido antes de meados de abril de 2026 apresenta este comportamento, e apenas os títulos comprados a partir dessa data parecem estar sujeitos ao novo sistema de verificação, ainda que a Sony não tenha confirmado estes detalhes de forma oficial.
Face a esta nova estratégia de controlo de licenças digitais, a preocupação mais imediata recai sobre os jogadores com acesso intermitente à Internet, que habitualmente utilizam as consolas em modo offline, ou utilizadores sujeitos aos danos de infraestruturas provocadas por guerras e catástrofes naturais, como a que aconteceu em Portugal recentemente, que deixou o centro do país “offline”, com muitas regiões ainda sem acesso a luz e comunicações. Já as implicações a longo prazo levantam, contudo, outras questões profundas. Caso este sistema de verificação se torne o padrão e a Sony venha a desativar os servidores da PlayStation 4 e da PlayStation 5 no futuro, quaisquer jogos digitais adquiridos a partir de meados de abril de 2026 deixaria de poder ser executados quando a bateria CMOS da consola (a chamada “pilha”) se esgotasse, tornando impossível qualquer validação de licença.
Este cenário recorda uma polémica que surgiu em 2021 em torno do chamado “CBOMB” na PlayStation 4, em que uma bateria CMOS descarregada impedia os jogadores de aceder aos seus títulos. A Sony lançou uma atualização de firmware em setembro desse ano que resolveu o problema, garantindo que os jogos continuavam acessíveis mesmo sem a bateria funcional.
