Os Países Baixos são o primeiro país a autorizar a Condução Automatizada Total da Tesla, iniciando o processo de implementação europeia.
A Tesla anunciou esta sexta-feira, 10 de abril, que recebeu autorização regulamentar para lançar a Condução Automatizada Total (Supervisionada) nos Países Baixos. A aprovação marca a estreia da tecnologia FSD (Full Self-Driving) na Europa, tornando o país o primeiro do continente a permitir a sua utilização em veículos de clientes.
O Condução Automatizada Total (Supervisionada) não transforma o veículo num automóvel totalmente autónomo, mas introduz um nível avançado de assistência que permite ao carro realizar a maioria das tarefas de condução com supervisão humana constante. O condutor continua legalmente responsável pela condução, mas conta com apoio em ações complexas como navegar em zonas urbanas, atravessar cruzamentos, reconhecer sinalização e adaptar o trajeto ao trânsito em tempo real.
De acordo com a marca, a utilização da FSD (Supervisionada) reduz até sete vezes a probabilidade de colisão por quilómetro percorrido quando comparada com a condução manual. A Tesla estima que mais de 14 mil milhões de quilómetros já foram percorridos em todo o mundo com o sistema ativo, o que permite um aperfeiçoamento contínuo do desempenho do software.
O funcionamento da FSD (Supervisionada) assenta em redes neurais treinadas com dados anónimos recolhidos da frota global da Tesla. Essas redes analisam imagens captadas pelas câmaras do veículo e tomam decisões em tempo real, processando toda a informação diretamente no computador de bordo. Desta forma, a empresa evita o envio de dados pessoais para servidores externos, assegurando que o tratamento da informação acontece localmente.
A Tesla explica que o objetivo da FSD (Supervisionada) é permitir ao veículo comportar-se de forma semelhante a um condutor humano, com respostas fluidas e naturais. O sistema interpreta o ambiente rodoviário – das marcações de via aos peões e veículos em redor – e ajusta automaticamente parâmetros como aceleração, travagem e direção, gerando uma condução mais segura e previsível.
Antes da aprovação europeia, a empresa realizou testes internos intensivos, somando mais de 1,6 milhões de quilómetros percorridos com o sistema ativo. No final de 2025, a Tesla disponibilizou demonstrações públicas em países como Croácia, França, Alemanha, Finlândia, Itália, Espanha e os próprios Países Baixos, permitindo a mais de 13.000 pessoas experimentar a tecnologia em estradas reais.
O lançamento da Condução Automatizada Total (Supervisionada) nos Países Baixos vai decorrer gradualmente, com a ativação a ser feita por atualização de software nos veículos compatíveis. A Tesla indicou que continua a trabalhar para obter autorizações regulamentares adicionais que permitam disponibilizar a tecnologia noutros mercados da Europa.
Atualmente, todos os modelos da marca – Model S, Model 3, Model X e Model Y – incluem sistemas avançados de assistência à condução, podendo os clientes optar por pacotes complementares que ativam funções como a FSD (Supervisionada), conforme a legislação de cada país.
De facto, este é um nicho que vai começar a ser mais falado. Recorde-se que, esta semana, Zagreb, capital da Croácia, recebeu o primeiro serviço comercial de robotáxis na Europa graças a um projeto da Pony.ai em parceria com a Verne e a Uber.
Noutra nota, recordar que a Bolt anunciou no passado mês de março uma parceria estratégica com a NVIDIA para o desenvolvimento de veículos autónomos na Europa. Na verdade, a empresa mantém a calendarização para o arranque de projetos-piloto ainda durante o corrente ano, antecipando um crescimento gradual desta tecnologia num horizonte de três a cinco anos. Em Portugal, o Governo e o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) tem vindo a demonstrar abertura para criar um diploma legal específico que permita os testes, em total alinhamento com a intenção de Bruxelas de estabelecer as condições normativas adequadas para a condução autónoma na Europa.
