Um ano depois da estreia no PC e consolas Xbox, o jogo de ação e aventura da Compulsion Games chega à PlayStation 5 à procura de um novo público, mas o problema mantém-se e a linearidade, aliada a um sistema de combate pouco impressionante, prejudicam aquela que deveria ser uma experiência visual e narrativa muito mais marcante do que é.
Com a receção pouco calorosa de We Happy Few, a Compulsion Games parece ter encontrado uma bifurcação no seu caminho. Mesmo com a aquisição da Xbox e os recursos (quase) garantidos que nascem dessa parceria, a produtora canadiana podia ter seguido o caminho mais fácil e iterar sobre a fórmula que popularizou We Happy Few. Um novo jogo de sobrevivência, novamente assente numa forte vertente narrativa e com foco numa sub-cultura para criar um espelho sempre perenemente à nossa realidade em colapso. Por outro lado, a Compulsion Games podia fazer o oposto, o caminho inesperado, onde abandonaria a jogabilidade emergente por uma experiência mais segura, linear e cinematográfica. Para surpresa de todos, South of Midnight é a luz ao fundo do túnel no segundo caminho (podem ler a análise original a South of Midnight para a Xbox Series X|S e PC, aqui).
Ainda que não tenha sido fã de South of Midnight e da história de Hazel, eu respeito o que a Compulsion Games procurou fazer com o seu jogo de ação e aventura. O sistema de combate é repetitivo, a movimentação oferece poucas opções de ação e existem momentos onde a linearidade é prejudicial ao mundo que criou, mas é possível ver onde reside o coração da Compulsion Games e o que começa a definir a sua linguagem criativa, onde narrativa é sempre um foco com um forte retrato sobre sub-culturas através de um olhar mais fantasioso, mas igualmente fiel a histórias pessoais de luta e resistência. No caso de South of Midnight, temos a magia do sul e da comunidade afro-americana, o “deep south” e todas as suas histórias de combate à escravatura e a sua proximidade espiritual à magia. Entre criaturas enormes, combates pouco marcantes, mecânicas que necessitavam de maior polimento e uma protagonista que não consegue ficar em silêncio, South of Midnight destaca-se pela animação, direção de arte e este respeito por uma cultura que continua a ser (infelizmente) tão invulgar no mundos dos videojogos.
Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela Xbox Portugal.
