O Xiaomi 17T Pro é um smartphone que aposta no equilíbrio, com desempenho de elite, excelente autonomia e fotografias com assinatura Leica de ultima geração.
Lançado com 4 meses de antecipação, se tivermos em consideração o lançamento do Xiaomi 15T no ano passado, a fabricante chinesa traz-nos agora os equipamentos da série Xiaomi 17T. Trata-se da sua nova série de smartphones topos de gama acessíveis, que tal como aconteceu no passado, é composta por dois equipamentos com especial destaque para o Xiaomi 17T Pro.
O ano passado já tinha deixado largos elogios ao Xiaomi 15T Pro e este ano a fabricante conseguiu dar mais um passo em frente com o Xiaomi 17T Pro, que chega com melhorias em todas as áreas, em especial nos sensores fotográficos, que utiliza exatamente mesma tecnologia que é utilizada no melhor smartphone lançado pela marca até ao momento, o Xiaomi 17 Ultra.
Ainda assim, o Xiaomi 17T Pro segue a mesma linha do seu antecessor em termos de design, sem nada de muito revolucionário, apenas melhorias onde realmente fazem diferença. A marca manteve a identidade visual do modelo anterior, mas deu‑lhe um toque mais cuidado. A estrutura continua em liga de alumínio, a traseira em fibra de vidro com acabamento acetinado que mantém aquele ar sofisticado sem exageros, e o tom preto acrescenta elegância sem cair no chamativo. O módulo de câmaras também ganhou uma apresentação mais limpa e pessoalmente considero que este design torna o conjunto mais harmonioso. A espessura foi ligeiramente reduzida e o telemóvel parece mais compacto e coerente no geral. As laterais também foram melhoradas e agora contam com perfis mais suaves, e continuam a transmitir firmeza ao segurar o aparelho. Essa combinação melhora a aderência e dá ao dispositivo uma linguagem visual mais moderna. A proteção do ecrã fica a cargo do Gorilla Glass 7i, que, de acordo com a marca, oferece maior resistência a riscos. Ao pegar no 17T Pro, sente‑se imediatamente a solidez estrutural, o efeito de peça única criado pelo alumínio e pelo vidro fosco dá‑lhe uma sensação premium, e o acabamento fosco na traseira reduz reflexos e impressões digitais, algo que valorizo bastante.
Ainda assim estamos perante um equipamento com dimensões generosas, como seria de esperar para um smartphone com ecrã de 6,83 polegadas. Essa dimensão nota‑se logo ao tentar alcançar o canto oposto com o polegar. O seu peso faz‑se sentir, mas está bem distribuído. É o resultado natural de uma construção robusta, de uma bateria maior, do carregamento sem fios e da certificação IP68, esta última sendo uma vantagem real na utilização diária, e não apenas um número na ficha técnica. O suporte para cartões também é flexível, já que temos espaço para dois NanoSIM, mas o eSIM está disponível e substitui um dos cartões físicos quando ativado. Para quem alterna entre operadores ou viaja com frequência, esta versatilidade é muito útil.
Na parte frontal, o sensor de impressões digitais está posicionado na zona inferior do ecrã. Apesar de ser ótico, desbloqueia o telemóvel com rapidez e precisão, exatamente o que se espera nesta categoria. Nas laterais encontram‑se os botões de energia e volume, o altifalante principal (com áudio estéreo via auricular), os microfones, a bandeja do SIM e a porta USB‑C 2.0. Não é a porta mais rápida para transferências por cabo, mas, sinceramente, já não me lembro da última vez que precisei de mover ficheiros dessa forma.

A Xiaomi sempre tratou o ecrã como uma das joias da série T, e no Xiaomi 17T Pro isso volta a ficar evidente. A qualidade do painel dá um salto claro face ao que costuma ser padrão no segmento. Estamos perante um painel LTPO AMOLED de 6,83 polegadas, com resolução de 2772 x 1280 pixeis e uma taxa de atualização que pode chegar aos 144 Hz. Na prática, o sistema tende a estabilizar nos 120 Hz, que acabam por ser o ponto ideal entre fluidez e consumo energético. A forma como o telemóvel alterna entre diferentes frequências é particularmente suave, baixa para 30 Hz no modo always‑on e dispara para o máximo ao deslizar páginas ou jogar, tudo de forma natural. A profundidade de cor de 12 bits e o PWM Dimming a 3840 Hz colocam este painel num patamar muito confortável para os olhos. Aqueles que são sensíveis à cintilação típica de alguns OLED mais económicos, aqui não vão sentir aquele cansaço visual que aparece após longas sessões no escuro. As cores são ricas, os pretos são profundos e a gama de cores aproxima‑se muito daquela que se encontra nos principais modelos topo de gama. O brilho é talvez o ponto que mais impressiona. A Xiaomi anuncia 3.500 nits de pico em HDR, algo que só aparece em cenários muito específicos, mas no uso real ronda os 1.800 nits, mais do que suficientes para manter a visibilidade perfeita sob sol direto. As margens finas e simétricas reforçam a sensação de imersão, com filmes, jogos e redes sociais que ocupam praticamente toda a frente do dispositivo, dando‑lhe um aspeto verdadeiramente moderno e digno de um equipamento topo de gama.
Para terminar, este ecrã é o primeiro do mercado e contar com 4 certificações da TÜV Rheinland, a certificação Low Blue Light, a certificação Flicker Free, a Circadian Friendly e a Intelligent Eye Care. Nenhum outro smartphone do mercado conta com ecrã com estas 4 certificações.
Em termos de desempenho, o Xiaomi 17T Pro mantém a mesma sensação de velocidade absoluta que já tinha marcado o modelo anterior, mas desta vez com ainda mais maturidade. No centro de tudo está o MediaTek Dimensity 9500, acompanhado por 12 GB de RAM LPDDR5X e armazenamento UFS 4.1 que pode chegar a 1 TB. Em uso real, este conjunto comporta‑se exatamente como um topo de gama, com o sistema a reagir instantaneamente a qualquer gesto, e aquele micro‑lag ocasional que ainda se via em gerações passadas simplesmente desapareceu. Mesmo em tarefas pesadas, como edição de vídeo, multitarefa agressiva ou alternância constante entre aplicações, o desempenho mantém‑se impecável. No dia a dia, a fluidez é total e redes sociais, navegação e aplicações mais pesadas abrem e fecham sem esforço. A diferença torna‑se ainda mais evidente em cenários exigentes, como editar vídeos no CapCut, onde a exportação é rápida e não há aquele arrastar típico de smartphones menos potentes. Mas é nos jogos que o Dimensity 9500 realmente brilha. Em títulos pesados como Genshin Impact, com tudo no máximo, a taxa de frames mantém‑se estável mesmo após longas sessões, sem quebras ou throttling visível.
O controlo térmico é outro ponto onde o Xiaomi 17T Pro se destaca, onde marca voltou a apostar numa combinação de estrutura metálica e câmara de vapor interna, e o resultado é um aquecimento distribuído de forma uniforme. Não há zonas que fiquem desconfortavelmente quentes, e sente‑se apenas um ligeiro aquecimento geral, sobretudo perto do módulo de câmaras, mas sempre dentro de limites aceitáveis.
A conectividade acompanha o resto do pacote, com o chip proprietário a gerir a parte de rádio com transições de célula muito estáveis e uma receção sólida, mesmo em zonas mais complicadas. Utilizei o telemóvel sempre com eSIM, e a ligação manteve‑se firme em todas as situações. Há ainda Wi‑Fi 7, Bluetooth 6.0 e NFC, cobrindo tudo o que se espera de um topo de gama moderno. O Astral Communication, uma tecnologia proprietária que funciona como uma espécie de “walkie‑talkie” e que estreou na série Xiaomi 15T, continua presente. Isso significa que mesmo sem rede móvel, é possível comunicar com outros dispositivos compatíveis num raio de 1,9 km. É uma funcionalidade ainda muito pouco explorada, mas que pode fazer diferença em emergências ou em zonas completamente sem sinal.

O módulo fotográfico do Xiaomi 17T Pro é mesmo um dos aspetos mais interessantes deste modelo, e a Xiaomi continua a usar a série T como laboratório para tecnologias que normalmente só aparecem nos seus topos de gama. Aqui, a marca trouxe muito do que desenvolveu para o Xiaomi 17 e 17 Ultra, mas adaptado a um preço mais acessível, mantendo uma filosofia de equilíbrio entre versatilidade e qualidade. A câmara principal de 50MP, equipada com o sensor Light Fusion 950 com lentes Leica Summilux e estabilização ótica, eleva a boa base do ano passado, mas com óticas melhoradas. Na prática, isso traduz‑se em fotografias muito consistentes. Durante o dia, as cores são naturais, o HDR trabalha de forma eficaz sem exageros e o foco é rápido e preciso. A profundidade de campo natural permite retratos com um bokeh suave e convincente.
A ultra‑angular de 12 MP continua a ser o elo mais fraco do conjunto. Em boa luz, cumpre o essencial, mantendo cores coerentes com a câmara principal e que oferece um campo de visão amplo, útil para paisagens e viagens. Mas quando a luz baixa, a diferença torna‑se evidente: algum ruído, perda de detalhe e definição reduzida nas extremidades. Não surpreende, é uma lente de apoio e deve ser utilizada com alguma cautela. A grande novidade é a lente telefoto periscópica de 50 MP com zoom ótico nativo de 5x, que acaba por ser o verdadeiro destaque do sistema, já que permite fotografia telemacro. Para além de se poder fotografar em macro em até 30cm do objeto, as imagens têm excelente nível de detalhe e aproximam‑se do desempenho do Xiaomi 17 Ultra, mesmo com hardware ligeiramente inferior. Em retratos, isola o sujeito com naturalidade e oferece aquela compressão de perspetiva típica das teleobjetivas, que dá profundidade às fotos. Para fotografia de rua, tornou‑se rapidamente a lente mais agradável de utilizar, permitindo captar cenas à distância sem perder qualidade. Já à noite, mantém um bom desempenho graças ao modo noturno, embora exija mão firme ou um cenário estático, já que o movimento é mais difícil de controlar.
Outra das novidades da série Xiaomi 17T é o Leica Live Moment, uma funcionalidade que pega na estética Leica tradicional e transforma cada fotografia estática numa sequência viva, cheia de expressão e emoção. Assente na ideia de que as pessoas são o centro da fotografia, a funcionalidade foi desenvolvida especificamente para captar histórias humanas. Todo o processamento da câmara é otimizado para realçar detalhes do rosto ao longo do fluxo de captura e inclui ainda compatibilidade com o modo Retrato, permitindo criar Live Portraits com aspeto genuíno.
No vídeo, a evolução face ao 15T Pro é clara. As três câmaras agora permitem gravação em 4K a 60 FPS com HDR10+ e em modo Stage até 4K 60 FPS, garantindo consistência independentemente da lente usada. A estabilização, ótica e digital, funciona de forma conjunta e eficaz, resultando em vídeos suaves mesmo em movimento. As cores mantêm‑se naturais e o áudio captado pelos três microfones é limpo e fiel. Existe ainda gravação em 8K, mas apenas na câmara principal, e para a maioria dos utilizadores os melhores resultados continuam a surgir em 4K.

A autonomia é outro ponto em que o Xiaomi 17T Pro mostra claramente a evolução face ao modelo anterior. A marca aumentou a capacidade da bateria para 7000 mAh, um acréscimo de 1500 mAh que, combinado com a eficiência do Dimensity 9500 e com a gestão inteligente da taxa de atualização do painel LTPO, resulta numa melhoria real e facilmente percetível no uso diário. Não é apenas um número maior na ficha técnica, isso realmente sente‑se na prática, pois é uma bateria de silício‑carbono de alta densidade. Mesmo em dias exigentes, com fotografia, navegação constante, redes sociais, chamadas e ainda Android Auto Wireless, o Xiaomi 17T Pro chega ao fim do dia com folga, muitas vezes acima dos 50%. Isto coloca‑o entre os melhores topos de gama em autonomia, especialmente quando comparado com modelos que, com o mesmo tipo de utilização, já começam a pedir carregador ao final da tarde. Em dias mais leves, aquilo a que costumo chamar utilização de fim de semana, é perfeitamente possível ter dois dias de autonomia sem qualquer ansiedade.
Claro que tarefas mais exigentes, como jogos prolongados ou gravação de vídeo em 4K HDR, consomem mais energia, mas continuam dentro do esperado para um equipamento de topo, e nada que comprometa a experiência. E se a bateria tem ganhos, o carregamento também mantém um bom equilíbrio. Com fio chega aos 100W e sem fios aos 50W. Na prática, isto traduz‑se em cerca de 60 minutos para ir de 0 a 100%. Não é tão rápido como os 120W de outros modelos da Xiaomi, mas acaba por ser uma escolha sensata, com velocidade suficiente sem sacrificar a saúde da bateria. E mesmo uma carga rápida de 15 minutos já devolve energia para muitas horas de utilização, o que é sempre útil no dia a dia. No entanto, o carregador compatível não é fornecido pela marca.

O software é outro ponto onde o Xiaomi 17T Pro mostra claramente que a Xiaomi está a tentar virar a página. O aparelho chega com Android 16 acompanhado do HyperOS 3.0, e a diferença em relação à antiga MIUI sente‑se logo desde o primeiro arranque. A interface está mais leve, mais direta e com animações muito mais fluidas. Não é apenas uma mudança estética, já que se nota que houve trabalho profundo na forma como o sistema gere recursos, e isso traduz‑se numa experiência mais estável e organizada.
Ainda assim, não estamos perante uma interface totalmente nova. Há pequenos ecos da MIUI que continuam presentes. Durante a configuração inicial, por exemplo, é preciso estar atento às opções ativadas por defeito, especialmente às recomendações personalizadas, que convém desativar para evitar notificações desnecessárias. Também vale a pena remover algum bloatware que chega pré-instalado, como as aplicações do AliExpress, o Amazon, TikTok e mais meia dúzia delas. Para quem já conhece o ecossistema Xiaomi, isto é quase instintivo, mas para um novo utilizador pode passar despercebido. O lado positivo é que, comparando com o passado, os problemas de software tornaram‑se muito mais raros. Durante o tempo que tive o equipamento em utilização, não encontrei falhas graves, lentidões ou comportamentos estranhos. A interface ainda não atinge o nível, por exemplo do One UI ou do iOS, mas transmite uma solidez que, honestamente, não era comum num passado muito recente. Continuo a achar que a Xiaomi exagera no número de aplicações pré‑instaladas, mas tirando isso, o HyperOS 3.0 mostra‑se maduro e bem estruturado.
Algumas das novidades de software estão reservadas para o Hyper Island, já que ele agora conta com suporte para mais aplicações. O Google Maps, o Google Wallet, algumas aplicações de viagens e até o Gemini, já podem funcionar no Hyper Island.Outra novidade é que o Quick Share já tem suporte para funcionar com o AirDrop, e isso significa que pode partilhar documentos com qualquer iPhone sem problemas, já que ele receberá esses documentos no AirDrop.
Quanto à inteligência artificial, o que existe atualmente é funcional, mas nada revolucionário, mas as sugestões contextuais, ferramentas de texto, edição de fotos e reconhecimento de cenas. São funcionalidades úteis, mas não particularmente diferenciadores. Ainda assim, temos direito a tudo o que a Xiaomi tem no seu portefólio de IA, com uma integração cada vez mais profunda e interessante. Para além disso, tudo o que é Gemini está disponível.

Para terminar, a Xiaomi não mexeu muito na fórmula de preços, e sinceramente, não precisava. O Xiaomi 17T Pro chega ao mercado por 999,99€ para a versão com 12GB de RAM e 512GB de armazenamento interno, e 1099,99€ para a versão com 16GB de RAM e 1TB de armazenamento interno. Durante algum tempo, a Xiaomi vai também realizar um oferta de lançamento que reduz o preço do equipamento em 200€. Para um smartphone com este conjunto de características, é difícil não olhar para ele como uma verdadeira “melhor compra”. A estratégia da marca é transparente e passa por oferecer um equipamento topo de gama a um preço muito mais competitivo. E é precisamente aqui que o Xiaomi 17T Pro mostra a sua força. O design discreto mas sólido, os materiais de qualidade, a robustez estrutural, o ecrã AMOLED de excelente nível, o desempenho e a eficiência do Dimensity 9500, o conjunto de câmaras versátil e cada vez de mais alto nível e a bateria de 7000 mAh formam um pacote que raramente se encontra por 800€.
Não é o smartphone mais fino, nem o mais leve, nem o mais inovador do mercado. Mas é um daqueles equipamentos que cumprem exatamente o que prometem, que é entregar uma experiência de topo a um preço mais acessível, mantendo o espírito da série T intacto. No fim, o Xiaomi 17T Pro acaba por ser um daqueles modelos que se destacam não por um único elemento, mas pelo equilíbrio geral, e isso hoje em dia vale ouro. E, muito sinceramente, não sei como é que a marca vai conseguir vender o Xiaomi 17 depois do lançamento deste Xiaomi 17T Pro.

Este dispositivo foi cedido para análise pela Xiaomi.
