X-Wife no Estúdio Timeout: À descoberta do novo e o rematar do saudosismo

O dia cinzento e marcado pela chuva matinal deu lugar a uma noite onde nos reencontrámos com os X-Wife num Estúdio Timeout algo composto, mas sem estar a abarrotar, em que a pronúncia do Norte era regularmente ouvida entre algumas das pessoas que foram testemunhar este regresso da banda composta por João Vieira, Rui Maia e Fernando Sousa.

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O mote foi o lançamento do novo álbum, homónimo, mas o sexto numa discografia iniciada já num longínquo 2003 (com o EP Rockin’ Rio) é que não foi descurada, antes pelo contrário. Numa apresentação despretenciosa, mas muito bem disposta, a banda veio relembrar-nos e reafirmar que, apesar da pausa prolongada – entre Infectious Affectional (álbum anterior) e este distam sete anos -, os X-Wife continuam a ser donos e senhores de melodias viciantes que acabam por nos conquistar o ouvido muito facilmente.

Abrindo as hostes com “Lights Out” e “Sweet Paranoia”, a mensagem não podia ser mais clara: sim, a assinatura dos X-Wife neste álbum mudou um pouco, mas a génese continua a mesma. As melodias tornaram-se mais imediatas e, nestas novas composições, é possível notar influência dos projetos paralelos que os membros dos X-Wife integraram entretanto (White Haus e Mirror People, por exemplo). De notar que este novo X-Wife marca uma sonoridade mais diversificada, onde temos a presença do saxofone, por exemplo.

Na apresentação ao vivo, o coletivo não desiludiu e veio acompanhado de uma secção de sopros (trompete e saxofone), vozes secundárias e, na bateria, Gil Costa – que já acompanhou João Vieira no último álbum dos White Haus. A escolha pareceu-nos acertada; as prestações foram muito bem conseguidas e a instrumentação extra nos temas novos acabou por pôr muita gente a dançar.

À terceira canção da noite, os X-Wife voltaram a pisar território antigo, até porque, mais do que uma apresentação de um novo álbum, há todo um historial, que, após uma pausa prolongada, merece ser relembrado. “Keep on Dancing”arrebitou um público curioso pelo novo álbum, mas muito saudosista dos êxitos mais antigos. Não obstante, pela reacção ao single “This Game” e “Boom Shaka Boom” (já com alguma rotação nas rádios), é fácil de perceber que facilmente conquistaram quem lá estava para vê-los, fosse fãs recentes ou mais antigos.

Fácil de perceber foi também o prazer que João Vieira e companhia dedicavam a cada prestação. O baterista Gil Costa esteve bastante bem, tendo tido um ou outro momento de protagonismo, como em “Coconuts”. O regresso era também motivo de festejo e foi dessa forma que os X-Wife nos foram levando ao longo da noite. À medida que iam apresentando o novo álbum, eram intercaladas canções das obras anteriores, para delícia de quem já os acompanha há mais tempo. Temas como “Ping Pong”, do 2º álbum Side Effects, ou “Fireworks”, do 3º álbum Are You Ready For The Blackout?, foram efusivamente recebidos e colmataram a saudade de ver os X-Wife ao vivo novamente.

Para o final ficou guardado um trio de energia: o single “ Movin’ Up” – lançamento singular do grupo em 2015 que faz parte da banda sonora do jogo FIFA 16 – e, já no encore, “Action Plan”, do álbum de estreia Feeding the Machine, e um clássico para muita gente da plateia, finalizando com “That’s Right” numa versão bastante pujante. And that’s right… os X-Wife voltaram. E recomendam-se.


 

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