Vinhos em Cena (23 e 24 de março)

por Bruno Rocha Ferreira

O Teatro Tivoli foi pelo terceiro ano consecutivo invadido por vinhos de várias regiões de Portugal, e também do estrangeiro, em mais uma edição do Vinhos em Cena.

Este certame procura aliar o tradicional festival de vinhos a uma dimensão artística e/ou cultural, tendo este ano convidado figuras como Rui Veloso, António Zambujo e César Mourão para falar da sua relação com o vinho, assim como o artista plástico albanês Saimir Strati, conhecido também pela utilização de cortiça nas suas obras. Anteriormente, como demos nota no artigo anterior, ocorreu uma interessante conversa com Charles Spence, professor de Psicologia Experimental na Universidade de Oxford.

Os diversos expositores estiveram distribuídos pelo foyer de acesso à sala principal, sótão, e igualmente no próprio palco do Tivoli, dando um cenário distinto ao usual neste tipo de iniciativas.

Quanto aos vinhos disponíveis para prova, destaque entre os vinhos provados no foyer para os da Quinta de Arcossó (Trás-os-Montes), onde foi possível provar um interessante branco, de castas Arinto, Códega do Larinho e Alvarinho, e da Quinta da Fata (Dão), um deles composto por Encruzado, o outro por Avesso e Arinto. Vinhos com perfis distintos, com o Encruzado, uma das castas bandeira do Dão, e responsável por vinhos várias vezes comparados no estrangeiro aos Borgonhas brancos, em particular destaque.

Subindo ao sótão, ali à direita junto às simpáticas bancadas onde se serviam ostras e presunto, estava a Quinta da Boa Esperança (Tejo), excelente representante da zona Oeste, com vasta oferta, tanto em brancos como em tintos.

Nos brancos, estavam disponíveis as safras de 2017 de Fernão Pires, com seis meses de estágio em madeira, bem frutado mas com notas secas e de alguma pólvora; Arinto, mais floral e com gordura; Reserva com Arinto e Fernão Pires, equilibrado e com final prolongado mas mantendo muita manteiga; e por último o Sauvignon Blanc, com boa acidez e leveza.

Nos tintos, Touriga Nacional 2016, com fruta madura embora com espaço para evolução, e Syrah 2018, jovem mas bem característico da presença desta casta na região – Fruta, boa acidez e um toque de maresia; Colheita Tinto 2015 de Syrah, Castelão e Aragonez, com nariz forte, mas a manter ainda muita frescura. Intenso, a pedir ligação com comida.

Tempo ainda para participar numa das provas comentadas de Mário Louro, enólogo reputado. Neste caso, procurava-se a ligação entre Bolhas e Caviar Made in Italy. Ou seja, entre espumante e caviar criado nos lagos límpidos e frios ao redor de Milão, que nas últimas décadas tem-se provado excelentes para a criação do esturjão e das suas tão apreciadas ovas.

No início, um Verdicchio que ligou bem, provando ser uma boa relação com a sua acidez e bolha grossa. De seguida um rosé e um classic da Vie Bulla, mais doces e com retro-gosto forte. No final, outra ótima ligação, com um Rocca dei Forti cuvée de bolha fina.

Tempo ainda para uma passagem pelo palco principal do Tivoli, onde se apresentava a Quinta do Paço de Teixeiró (Verdes). Um Avesso, elegante e fino, com algum gosto medicinal na boca aliado à acidez, um vinho complexo; e um blend de Avesso e Loureiro, mais fácil e mineral, muito fresca.

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