A Liga vai testar a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, começando com o Tondela–Nacional. Medida terá regras específicas e supervisão policial.
A venda de álcool nos estádios de futebol em Portugal vai avançar para uma fase de testes nas competições profissionais, numa mudança que poderá pôr fim a uma proibição com mais de quatro décadas. A medida, confirmada pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), será aplicada inicialmente em jogos-piloto, sob regras específicas e com acompanhamento das autoridades.
O primeiro encontro abrangido será o Tondela–Nacional, da 31.ª jornada, agendado para o último fim de semana de abril, embora o horário ainda não esteja definido. Neste jogo, será permitida a venda de bebidas com baixo teor alcoólico, até 6% de volume, num regime controlado e supervisionado pela Guarda Nacional Republicana (GNR), em articulação com a Liga.
De acordo com as condições estabelecidas, a comercialização será limitada a períodos específicos: até 10 minutos após o início de cada parte e durante o intervalo. Cada adepto poderá adquirir no máximo três bebidas, servidas obrigatoriamente em recipientes não contundentes, sendo que a venda ambulante não será permitida e o consumo ficará interdito após o final da partida. As zonas VIP autorizadas poderão beneficiar de exceções a estas regras.
A discussão sobre o regresso do álcool aos estádios tem vindo a intensificar-se desde 2025, ano em que o tema foi colocado em cima da mesa em sede de Liga e junto do Governo. A proibição em vigor remonta à década de 1980, mas tem sido alvo de revisão à luz de práticas internacionais, onde o consumo moderado de bebidas alcoólicas em eventos desportivos é comum.
Entre os argumentos apresentados, destaca-se a posição de clubes como o Vitória SC, que defendem a legalização regulada da venda de bebidas de baixo teor alcoólico nas bancadas. O clube minhoto sustentou que não existe uma relação direta comprovada entre esse consumo e episódios de violência, além de apontar para o impacto económico da proibição, que impede os clubes de gerar receitas adicionais em dias de jogo.
