Uncharted: Legacy of Thieves Collection – PC/Steam Deck

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Nathan Drake estreia-se no PC acompanhado de Chloe Frazer, com uma fantástica conversão de Uncharted: Legacy of Thieves Collection.

Se tivesse que descrever Uncharted: Legacy of Thieves Collection para PC, seria apenas com uma palavra: Perfeito.

A Naughty Dog teve, e vai continuar a ter, um ano cheio de trabalho. Começou 2022 com o relançamento de Uncharted 4: A Thief’s End e Lost Legacy num pacote remasterizado para a PlayStation 5, teve em mãos o remake de The Last Of Us e, agora, regressa às aventuras de Nathan Drake e de Chloe Frazer no PC, numa conversão a cargo da Iron Galaxy, que deixa antever o que nos espera quando The Last of Us Part I também chegar ao PC.

Vou-vos poupar tempo na explicação do que são Uncharted 4: A Thief’s End e The Lost Legacy, ou da minha muito positiva opinião sobre estas aventuras, passando ao que importa. Pois esta conversão é como uma extensão do que já falámos no início do ano aquando do lançamento de Uncharted: Legacy of Thieves Collection na PlayStation 5.

Mas, recapitulando, Uncharted: Legacy of Thieves Collection é um pacote com os dois jogos já enunciados, sem a componente multijogador dos originais, que prima pelo selo de remasterização, ou seja, adaptado a resoluções superiores até 4K e framerates até 120FPS na PlayStation 5, onde também encontramos novas opções de acessibilidade, áudio espacial e otimizações importantes como tempos de espera reduzidos ou funcionalidades extra via DualSense.

A versão PC, com lançamento da Epic Games Store e na Steam Store, é essencialmente o mesmo e um pouco mais. Levantado apenas as questões: O que podemos configurar? E como é jogar no PC? A resposta à primeira é bastante simples, até porque Uncharted: Legacy of Thieves Collection, em ambos os jogos, oferece poucas opções visuais que, na prática, são um escalar de detalhe, libertando-nos de nos preocupar muito a alterar manualmente cada uma das opções.

Com quatro presets – Low, Medium, High e Ultra -, Uncharted: Legacy of Thieves Collection permite a alteração de Texturas, Qualidade de Modelos, Filtros, Sombras, Reflexos e de Oclusão de Ambiente, opções que, quando alteradas isoladamente nos meus testes, não revelaram grandes diferenças visuais. Na verdade, mesmo entre os diferentes presets, sem comparação direta, as diferenças são muito menores do que estava à espera, com o preset de Low a revelar um jogo na mesma extremamente bonito e visualmente detalhado.

Não quer dizer não existam diferenças drásticas entre os diferentes modos. Lado a lado podemos verificar a evolução de preset para preset: os elementos à distância melhoram, as sombras e as texturas com maiores resoluções, ou os elementos geométricos mais detalhados. Tudo isto, claro, com sobrecarga a nível de VRAM (que nos é apresentada no menu) e a nível do uso do nosso GPU, que afetam o desempenho do jogo.

No meu caso, com recurso a uma NVIDIA GeForce RTX3080 Ti, verifiquei que Uncharted: Legacy of Thieves Collection é altamente intensivo no que toca a GPU, utilizando 99% das suas capacidades no preset Ultra e taxa de frames desbloqueada, mas diminuindo para os 60% em Low, com óbvios ganhos na taxa de frames. Isto tudo para dizer que Uncharted: Legacy of Thieves Collection, seja em que configuração for, vai apresentar-se com ótimo aspeto. Excelentes notícias para os jogadores com PCs mais modestos, com os requisitos mínimos e recomendados, que vão conseguir experienciar dois dos melhores Uncharted sem perder a essência da saga.

Outro aspeto impressionante desta conversão pode ser encontrado nas definições de ecrã, onde encontramos suporte para resoluções panorâmicas e opções de resolução dinâmica, que permitem melhorar o desempenho do jogo a troco da resolução e esforço do GPU, como o AMD FSR 2 para GPUs AMD e NVIDIA e o DLSS exclusivo para NVIDIA. Ambas as soluções são incríveis na prática, capazes de fazer uma excelente reconstrução de imagem, praticamente impercetível da resolução nativa. Mesmo com estas opções em Ultra Performance, que colocam a resolução nativa a 480p (na minha configuração), encontrei um jogo limpo, bonito e legível, sem os habituais artefactos suscetíveis da reconstrução, mesmo em cenas intensas e cheias de efeitos. Sim, nota-se que não é um resultado perfeito e, no caso do DLSS, até conseguimos ver aquele efeito aguarela em movimento, tão característico da interpolação de frames, mas não deixa de ser uma curiosa opção que, em alguns momentos, quase que duplica a taxa de frames.

Estes aspetos técnicos são ainda mais impressionantes quando colocamos Uncharted: Legacy of Thieves Collection a correr na Steam Deck, onde é 100% compatível – tornando Uncharted 4: A Thief’s End e The Lost Legacy, o segundo e o terceiro jogo da série, em formato portátil, isto se considerarmos Uncharted: Golden Abyss, da Bend Studio para a PlayStation Vita, como a estreia da série “on-the-go”.

Na pequena máquina da Valve senti necessidade de afinar o jogo à minha experiência e configurei o jogo da sequinte maneira: Resolução a 1280×720 (para manter o aspect ratio do jogo consistente); AMD FSR 2 em modo Quality e com 65 de Sharpness; V-Sync desligado e taxa de frames desbloqueadas. Já nos gráficos, o preset escolhido é o de Medium.

A magia do desempenho do jogo acontece graças às opções de desempenho do Steam OS, onde optei por trancar o jogo a 30FPS. Em conjunto com o V-Sync desligado, temos assim uma consistência maior no frame-pacing nos 33ms, o que na prática significa uma experiência consistente, até em cenários mais exigentes (como a icónica fuga do mercado de Madagáscar em Uncharted 4). Algo em que a opção de trancar o jogo a 30FPS não é tão eficaz.

Apesar de considerar esta uma conversão perfeita, praticamente pronta a jogar em qualquer máquina, conta com alguns inconvenientes de destaque. O primeiro é o tempo de carregamento de shaders, que afetam o desempenho do jogo na primeira vez que o jogamos e que pode demorar algum tempo. No meu PC cerca de 5 minutos, já na Steam Deck quase 30. Um processo que convém ser feito nos menus do jogo, deixando-o terminar lá, antes de arrancarmos para a aventura.

Os dois seguintes são apontamentos muito pessoais, que gostaria de ver melhorados no futuro. Um deles tem a ver com afinação da taxa de frames, onde o jogo apenas nos dá a hipótese de trancar a 30FPS ou simplesmente desbloquear, com o V-Sync a surgir como a única forma de trancar a taxa de frames à frequência do nosso monitor. O outro tem a ver com o suporte de resoluções panorâmicas, 21:9, 32:9, etc. A promessa de um jogo nestas proporções é cumprida durante quase todas as sequências de jogo, com alguns momentos interativos e todas as cinemáticas a regressarem aos 16:9 através de o encolher animado da imagem. Uma decisão um pouco desapontante para mim, utilizador de um monitor panorâmico, onde em vários momentos esse estica-encolhe se tornou distrativo. E digo desapontante porque este é o primeiro jogo de uma conversão da PlayStation a adotar esta opção de manter o jogo 16:9 nas suas cinemáticas. Entendo que possa ser uma decisão artística ou de autor, ao manter este aspeto, mas, para um jogo que prima tanto pela imersão cinemática, é desconcertante.

Ainda assim, estes são apontamentos menores para uma conversão fantástica, que já nos deixa em pulgas para a próxima entrada da Naughty Dog nos PCs, com The Last of Us Part I.

Uncharted: Legacy of Thieves Collection para PC fica disponível na Steam Store e na Epic Games Store.

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Cópia para análise cedida pela PlayStation Portugal.

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