Há um novo menu no Tutto Passa, com propostas que destacam a cozinha italiana clássica e a qualidade dos ingredientes.
O restaurante italiano Tutto Passa, localizado junto ao Tejo, em Lisboa, apresentou uma nova carta centrada na tradição gastronómica de Itália, focando-se na qualidade da matéria-prima e no rigor técnico. O menu é assinado pelo chef Luiz Minuzzi, que introduz diferentes abordagens a pratos clássicos, distribuídos por categorias como pastas, pizzas, risottos e opções pensadas para partilha. E nós, claro, tivemos de regressar e provar as novidades.
Num ambiente marcado pela partilha, pela frescura e por uma forte ligação à tradição italiana, a refeição apresentada no Tutto Passa revelou uma cozinha pensada ao detalhe, com preparação diária e grande atenção à autenticidade dos produtos. O pão, a focaccia e os grissinis que acompanham o couvert – aqui chamado de coperto – são feitos na casa, sempre com base em massa-mãe, e isso define desde logo a filosofia do espaço: tudo procura saber a fresco, com consistência artesanal e um claro cuidado na execução. Também já na mesa estavam os Rotolini Diavola, que basicamente são rolinhos de massa de pizza preparados no momento com molho de tomate, mozzarella Fior Di Latte e Ventricina, e que vieram dar à mesa um registo mais intenso e ligeiramente picante, sem perder o equilíbrio do conjunto. Começar melhor? Era difícil.
Já com algum apetite, surgiu na mesa a Carne Cruda, isto é, tártaro de carne bovino picada e temperada com alcaparras, chalota e duas variações de mostarda – Dijon e à l’Ancienne -, complementada com pasta de trufa, gema de ovo e crostino. Aqui, a intenção é não sobrepor os temperos à carne, preservando o sabor natural e a qualidade da matéria-prima. As tostinhas que acompanham completam uma entrada que assenta na simplicidade bem executada, numa linha que privilegia o frescor e o respeito pelo ingrediente principal.
Desta parte do menu do Tutto Passa chamada Antipasti e Insalate (entradas e saladas), também devorámos a Burrata e Parma, no fundo uma burrata com tomate coração de boi, prosciutto di Parma com 16 meses de cura pesto e o imprescindivel pistachio, fruto seco tão em voga por estes dias, e a Fritura Mista, com os sempre bem-vindos peixinhos da horta, mas também com camarão e choco frito.
A refeição avançou depois para uma seleção de pratos que dialogam com uma ideia muito clara de verão e de mesa partilhada. A Milanesa Pomodoro, por exemplo, surge como empanado de alcatra finalizado com molho à pizzaiola, parmesão, orégãos, muçarela e crumble de pão para garantir textura. E sim, é daquelas propostas que devem mesmo pedir no Tutto Passa.
Já o Spaghetti Nero al Gamberi, descrito como um dos maiores sucessos da casa, destaca-se por não levar queijo, reforçando uma leitura mais leve e marítima, finalizada com broto de coentros. E sabem o Spaghetti alla Carbonara? É preparado sem natas, seguindo a abordagem clássica que utiliza guanciale, gema de ovo e pecorino romano para criar uma emulsão que envolve a massa.
Ainda nos pratos de massa, o Linguine trufado aposta num molho de parmesão reggiano, pasta de cogumelo e trufa negra, terminando com gema de ovo crua para ligar o conjunto no calor do prato.
Por sua vez, o Risotto del Mare junta lula, choco e camarão, puxado em bisque de camarão e vegetais, com um resultado mais cítrico e adequado a uma refeição de tempo quente. Ainda nesta seção, o Gnocchi alla Sorrentina segue uma linha mais confortável e doméstica, com molho de tomate feito na casa a partir de tomate pelado e tomate em caixa, finalizado com mozzarella, parmesão e manjericão. É um prato de perfil mais simples, mas precisamente por isso mais próximo da ideia de comida de conforto, daquela que remete para fins de dia tranquilos e refeições sem formalidades excessivas. Da nossa parte, foi dos melhores da refeição, daqueles que difíceis de partilhar com quem nos acompanhava à mesa…
Naturalmente, não podíamos passar sem uma pizza, como a Margherita Speciale, que acrescenta outra camada a essa proposta: leva uma conserva de tomate preparada na própria cozinha, com tomates salteados e fermentados durante três dias, e junta burrata para lhe dar cremosidade e leveza, reinterpretando um clássico sem descaracterizá-lo.
A experiência no Tutto Passa terminou nas sobremesas, também elas construídas para equilibrar tradição e acessibilidade. O Biscotto Affogato ganhou uma versão com Nutella, pensada para ser mais democrática e acolher também paladares mais jovens, com camadas de base de bolacha, creme de mascarpone, Nutella, gelado de baunilha e café. Já o Tiramisù segue a linha clássica, com biscoito savoiardi embebido em café, creme de mascarpone e cacau.
Também devorámos, e com gosto, os Cannoli, combinam pasta de pistácio, Nutella e mascarpone, enquanto a Panna Cotta se distinguiu pela calda de manjericão, frutos vermelhos e pistácio salgado, num fecho mais maduro e vegetal.
No conjunto, esta regresso ao Tutto Passa mostrou uma cozinha que não quer apenas alimentar: quer contar uma história de família, técnica, tradição e partilha, servida com rigor e com uma clara atenção ao detalhe em cada prato.
