Tribalistas – 15 anos depois, é como se nunca tivessem parado de criar música

Admitidamente impreparados, foi 15 anos depois do lançamento do seu primeiro álbum que a banda de música pop brasileira, Tribalistas, se apresentou pela primeira vez ao vivo em Portugal. Impreparados, pelo menos assim o admitem em várias entrevistas, os três artistas que compõem este trio, confessando que o primeiro álbum surgiu de forma totalmente espontânea e que, sem qualquer expetativa, vendeu qualquer coisa como cinco milhões de discos. Fazer música sempre foi algo espontâneo, não planeado, e fruto de uma paixão partilhada pelos três.

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Corria o ano de 2003 quando o single “Velha Infância” chegou e veio para ficar, apaixonando corações do público português – para nunca mais ser esquecido. Este é, no entanto, apenas uma das 56 músicas que Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes compuseram, sempre – e isso é notório – com grande genuinidade, paixão e amizade que os une há 25 anos e que vai bem para além da música. Em 2017, o trio já havia voltado a apresentar novo trabalho, com o lançamento de novo álbum, homónimo ao primeiro: simplesmente, Tribalistas.

Embora a sonoridade seja consistente entre os dois álbuns – apesar do tempo que entre eles dista – é de destacar a natureza mais sociopolítica dos temas abordados no álbum mais recente, em contraste com uma mensagem mais positiva que caracteriza o primeiro, diferença esta que resulta das diferentes realidades que o país atravessava na altura e atravessa agora.

Ainda assim, é com essa tal naturalidade que a banda aborda temas sérios de forma leve. É fluidez o adjetivo que melhor caracteriza as melodias das suas canções, num mix perfeito entre música popular brasileira, bossa nova, pop e samba. Foi com entusiasmo que o concerto abriu com os temas “Tribalismo” e “Carnavália”, ambos do primeiro álbum, numa explosão de energia e boa disposição, tão natural dos nossos irmãos brasileiros! “Agora é a nossa vez de colonizar vocês”, bem avisou Arnaldo Antunes logo após a terceira atuação, “Um Só” (esta, já do seu trabalho mais recente, de 2017). E colonizaram… Com espírito de festa!

E é com muita, muita graciosidade que chega suavemente em temas como “Anjo da Guarda”, “Um a Um” e “Água também é Mar” (admitido, ao vivo, por Marisa, que este é um dos temas mais “pré-históricos” composto pelo trio ainda antes de surgir o primeiro álbum), numa sonoridade tão reconfortante que podiam perfeitamente ser canções de embalar.

Entre os temas mais atuais, são de destacar “Fora da Memória”, “Diáspora”, “Ânima” e “Aliança” – valendo a pena destacar que é completamente heartwarming e uma delícia para os nossos ouvidos o equilíbrio perfeito e harmonioso entre a voz dos três artistas: a voz suave, como uma brisa do mar, de Marisa Monte; o timbre profundo, como um baixo humano, de Arnaldo Antunes; o tom amadeirado e quente da voz de Carlinhos Brown. Os três, numa harmonia perfeita, numa só voz.

Num concerto já, por esta altura, completamente impregnado de nostalgia, e para ajudar ainda mais, segue-se o tema “Velha Infância” – sim, aquele, que ficou eternizado como das baladas mais bonitas da década de 2000. Não tiremos mérito algum, porém, aos igualmente encantadores e românticos temas “É Você” e “Carnalismo”. Com estas três de rajada, quem ainda não chorava só podia ter uma pedra no lugar do coração.

Não foram descurados vários temas apenas de Marisa, nomeadamente a muitíssimo conhecida “Amor I Love You”, a poética “Vilarejo”, a pejada de tons western “Infinito Particular”, a característica samba “Universo ao meu Redor”, a romântica “Depois” e a doce “Até Parece / Não é Fácil”. Mais doce ainda é “Lá de longe”, que chega e passa sorrateira, contrastando com a crua “Trabalive”.

25 músicas e duas horas de concerto depois, havia ainda um hit em falta. O trio não podia desiludir, e não desiludiu. “Já Sei Namorar”, pois claro, estava (finalmente) ali para fazer todo o mundo cantar, dançar e abraçar muito! O “uh uh uh uh” característico ficou a ecoar por todo o pavilhão do Altice Arena… Até que tudo termina no clímax do encore, com a repetição dos temas “Velha Infância” e, tal como havia aberto o concerto, “Tribalismo”.

Preparados ou não, com mais ou menos tempo entre si, o que é certo é que, quando Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes e Marisa Monte se juntam para compor, a humanidade agradece.


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