Crítica – The Way Back

Quando ainda andava na escola, Jack Cunningham (Ben Affleck) tinha tudo a seu favor. Um fenómeno do basquetebol, conseguia um bilhete para a faculdade ou até mesmo para o circuito profissional, mas, em vez disso, escolheu sair do jogo, perdendo o seu futuro. Os dias de glória de Jack já lá vão… mas, afinal, não foram esquecidos.

Anos mais tarde, recebe a oportunidade de retomar a sua vida quando é convidado a treinar a equipa de basquetebol da sua escola antiga. Jack aceita relutantemente, surpreendendo-se a si próprio mais do que aos outros e, à medida que os miúdos começam a unir-se como uma equipa e a vencer, pode ter aqui a sua última oportunidade de redenção.

Não sou o fã “número um” de dramas desportivos inspiradores, mas também nunca desgostei de nenhum ao certo. Todos seguem aquela fórmula narrativa que toda a gente reconhece, mas têm sempre sucesso. O protagonista é um ser humano miserável devido a um passado trágico. Tem uma nova chance de triunfar na vida, geralmente uma situação de underdog (alguém em quem ninguém acredita ser capaz de alcançar o que quer seja, nem a pessoa em si) e, eventualmente, supera qualquer desafio que aparece, incluindo derrotar os seus vícios se tiver algum. Todos vivem “felizes para sempre” e o espetador sai do cinema com um sorriso na cara, simplesmente porque nos faz sentir bem.

É incrivelmente fácil torcer por um underdog que tenta prevalecer e alcançar algo em que nunca acreditou. Em The Way Back, a sua equipa de basquetebol é horrível, mas Jack ensina-os não só a jogar melhor, mas a serem uma melhor equipa. A partir daí, é tal e qual como a sinopse: uma vitória aqui e ali coloca tudo e todos no caminho certo, acabando por ser muito divertido ver os miúdos “crescerem” em todas as áreas da vida. E enquanto desportista, são vários os pequenos detalhes que me ajudam a desfrutar ainda mais deste tipo de filmes.

No entanto, é uma variação simples da mesma história cliché e previsível… até certo ponto. Existe um desenvolvimento genuinamente surpreendente. Não sei se foi devido às minhas “defesas estarem em baixo” ou se Gavin O’Connor e Brad Ingelsby realmente fizeram um ótimo trabalho em escondê-lo até ao momento certo, mas definitivamente funcionou.

A falta de desenvolvimento das personagens secundárias é, provavelmente, o meu maior problema com The Way Back, tirando o argumento formulaico. Ainda existe um miúdo que tem uma determinada história, mas nunca recebe a consideração merecida. É um filme muito centrado no protagonista, algo que não tem nada de errado, especialmente quando Ben Affleck entrega uma das melhores prestações da sua carreira. Deixei-o para último, pois acredito que todo o filme tem sucesso devido ao seu papel impressionantemente cativante.

Muitas pessoas têm vindo a comentar como a própria vida de Affleck e as suas lutas passadas contra o vício do álcool fazem disto uma interpretação pessoal no sentido em que Affleck está apenas a auto-retratar-se. Alguns até rebaixaram a sua performance, referindo que “é mais fácil representarmo-nos do que uma personagem fictícia”, algo que não poderia discordar mais. É uma tarefa árdua interpretar uma versão da nossa personalidade, ainda mais uma parte tão sombria e triste. Não é apenas um enorme desafio para atores, mas também um teste pessoal aterrorizante.

Divago. Honestamente, não me podia importar menos com a vida pessoal de Affleck, ou com qualquer outra. Deviam parar de tentar trazer temas externos para críticas. Afinal, é um dos primeiros princípios que se aprendem enquanto críticos de cinema (que infelizmente se esqueceram com o tempo). Não sei se a sua experiência com o vício ajudou na sua prestação ou não, mas Affleck mostra-se incrivelmente comprometido com o seu papel. Eleva a sua personagem e carrega o filme inteiro aos seus ombros. Interpretação brilhante, emocional e muito realista de alguém que lida com depressão, frustração, raiva e um problema alcoólico.

Resumindo, The Way Back é um drama desportivo inspiracional que segue os estereótipos do género e o argumento formulaico, mas não deixa de ter muito sucesso na sua execução. As personagens secundárias recebem pouco ou nenhum desenvolvimento, mas não existe nada de errado com uma história centrada apenas no seu protagonista… desde que o ator principal entregue uma prestação excecional. E isso é algo que Ben Affleck faz de uma maneira emocionalmente poderosa, oferecendo um retrato genuíno de alguém com um passado trágico e muitos problemas pessoais.

Acredito que é uma das melhores performances da sua carreira. Jack pode seguir todas as linhas narrativas do género, mas Ben Affleck é razão suficiente para uma olhadela neste The Way Back de Gavin O’Connor.

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