The Sleepers não é uma série para quem quer dormir

The Sleepers é uma série onde tudo acontece como é suposto acontecer. Ou seja, é realmente o que promete ser – um thriller de espionagem. Contudo, e porque há sempre um “contudo” ou um “porém”, quando as coisas acontecem como devem acontecer existe pouco espaço para a originalidade.

Por um lado, a série faz da trama a personagem principal e isso faz sentido dado o género em que The Sleepers se insere. Todavia, sou daquelas que prefere perguntar-se sobre as motivações particulares das personagens, e não sobre as motivações intrincadas de núcleos de personagens. E isso é algo que acaba por acontecer nesta série. Um grupo de personagens alinha-se segundo uma motivação comum que, embora possa ser justificada de forma individual, acaba sempre por faltar personalidade e identidade ao fim partilhado. Todavia, tal não é necessariamente um problema. Como disse anteriormente, é apenas uma preferência pessoal, e decerto que há gente que não dá particular relevância a este aspeto.

No entanto, se tivessem realçado a componente ideológica das motivações individuais, mesmo que o fim fosse comum, o problema que identifico deixaria de o ser. Afinal, uma ideologia, ainda que partilhada, é uma coisa extremamente íntima que tem o potencial de definir a forma como cada um escolhe viver.

Ainda assim, vale a pena ressalvar que a história sabe construir-se de forma rítmica e lógica, tendo sempre por detrás um ambiente de sofisticação e classe. Acho que este último pormenor é aquele que evidencia a essência europeia da série. Geralmente, os americanos têm a tendência para optarem pelo “cool” e pelo “show off”, enquanto nesta produção checa valorizam-se mais as nuances e a eloquência dos pequenos significados. As falas não são escritas para vangloriar as personagens, mas sim para fazer mover a história.

Por outro lado, convém dizer que, embora as personagens sejam meios para um fim, isto é, servem mais a história do que a história as serve a elas, elas também têm momentos no palco principal. Porém, ficam sempre aquém da profundidade que podiam ter, mas isso, muito provavelmente, deve-se à prioridade que os eventos (e as ações) têm sobre as personagens.

Revendo o que acabei de escrever, apercebo-me da ambiguidade da minha opinião: acabei de contra-argumentar um argumento anterior. Mas a verdade é que a série tem essa ambivalência. Primeiro, opta pelo desenvolvimento da história na sua globalidade, depois deixa uma das personagens exibir a sua singularidade e, logo a seguir, ofusca-a em nome da trama.

Por conseguinte, se escolherem ver a série, aconselho-vos a vê-la num dia em que querem ter alguma estimulação cerebral. Ainda que The Sleepers não seja complicada de compreender, exige atenção. Muitas cenas são uma pista para a cena seguinte ou uma resposta a uma cena anterior. Se vierem cansados do trabalho e com vontade de vegetar à frente do computador, esta série não é a escolha certa.

O contexto é um elemento-chave no regozijo de qualquer atividade e admito que este facto possa ter tido algum impacto na minha análise. Por isso não cometam o mesmo erro que eu.

The Sleepers já está disponível na HBO Portugal.

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