Crítica – The Personal History of David Copperfield

The Personal History of David Copperfield não só é uma obra semi-biográfica bem divertida, como é, também, uma das surpresas mais agradáveis de 2020.

The Personal History of David Copperfield

Passado na década de 1840, o filme narra a vida do seu icónico protagonista (interpretado por Dev Patel), enquanto este se movimenta num mundo caótico, na tentativa de encontrar um lugar que parece escapar-lhe. Da sua infeliz infância à descoberta do seu dom como contador de histórias e escritor, o percurso de David Copperfield – ora hilariante, ora trágico – é sempre cheio de vida, cor e humanidade.

Baseado na obra-prima de Charles Dickens, The Personal History of David Copperfield é o primeiro filme que vejo de Armando Ianucci. Não possuía muito conhecimento sobre este filme, para além do seu elenco repleto de estrelas, e, confesso, não sou o maior fã de obras biográficas. Normalmente, acho-as muito restringidas às fórmulas do género e, se não sentir que a vida do protagonista é remotamente interessante, então todo o filme vem abaixo. Felizmente, não é o caso desta adaptação de Ianucci. É uma das surpresas mais agradáveis do ano.

A vida de David Copperfield é retratada de uma maneira tão cativante, divertida, genuína e sincera, mas sempre mantendo uma certa leveza. Existe sempre algo positivo que se pode retirar das piores situações. Na verdade, acredito que esta é a melhor mensagem que se transmite ao espetador: não importa o quão horrível a nossa vida possa ser num determinado momento, só vai melhorar se não desistirmos e se nos rodearmos de verdadeiros amigos e família. Durante todo o tempo de execução, David partilha a sua vida com diferentes famílias e amigos, trabalhando e vivendo nos lugares mais pobres e ricos.

O seu estilo de vida muda drasticamente após cada novo desenvolvimento significativo na sua caminhada para se tornar um escritor, pelo que é uma alegria vê-lo crescer. Desde trabalhar que nem um escravo numa fábrica e ser sem-abrigo até viver num “barco-casa” e, eventualmente, numa mansão como um verdadeiro cavalheiro, David passa por todos os obstáculos que a vida lhe atira, aprendendo com os mesmos para se tornar uma pessoa melhor.

Um pequeno toque fantástico são os nomes distintos que as pessoas lhe chamam ao longo da sua vida, dependendo de onde ele mora/trabalha e com quem está a falar: Davy, Doady, Daisy, Trotwood… Estas podem ser apenas alcunhas diferentes para David, mas significam muito mais. São pequenos, mas eficientes detalhes que distinguem os seus estilos de vida únicos.

The Personal History of David Copperfield

Ianucci e Simon Blackwell fazem um ótimo trabalho com o argumento, oferecendo a Dev Patel uma plataforma excecional para brilhar. Todo o elenco oferece prestações espetaculares que elevam o filme de uma maneira inestimável. Patel é um excelente protagonista e não quero tirar mérito à sua interpretação extraordinária, mas apenas é tão incrível quanto os seus colegas. Tilda Swinton (Betsey Trotwood) e Hugh Laurie (Mr Dick) formam um casal hilariante, muitíssimo importante para ajudar David a levantar-se da miséria em que vivia. Peter Capaldi retrata brilhantemente Mr Micawber, um homem de família com imensas dívidas, que ensina ao jovem David (impressionantemente representado por Jairaj Varsani) como Londres funciona, fugindo aos seus credores.

Darren Boyd e Gwendoline Christie usam os seus atributos físicos para interpretar os irmãos Murdstone, familiares malvados que empregam medidas extremas e violentas para educar David. Todos os envolvidos em dar vida à família Peggotty são tão essenciais quanto a importância da família para o protagonista. Benedict Wong (Mr Wickfield) mostra o seu lado engraçado mais uma vez, enquanto que Morfydd Clark é charmosa o suficiente como Dora Spenlow e Clara Copperfield. Aneurin Barnard (James Steerforth) torna-se o melhor amigo de David, mas, na minha opinião, o seu arco final não encaixa muito bem no filme, prolongando o mesmo por alguns minutos extras desnecessários.

Assim, como já devem ter reparado, todos os membros do elenco têm um papel vital a desempenhar. Todos são incrivelmente divertidos, fazendo este filme de duas horas fluir tremendamente bem. Tecnicamente, a produção artística, a cenografia e o guarda-roupa são dignos de prémios. As ruas, casas e roupas do século XIX são verdadeiramente imersivas, criando um ambiente realista, elevado ainda mais pela banda sonora subtil, mas poderosa (Christopher Willis). A edição perfeita (Mick Audsley, Peter Lambert) e a cinematografia impecável (Zac Nicholson) também ajudam no ritmo de The Personal History of David Copperfield, contribuindo para algumas piadas de transição.

Resumindo, The Personal History of David Copperfield é uma das obras semi-biográficas mais divertidas que alguma vez vi, assim como uma das surpresas mais agradáveis de 2020. É um daqueles filmes que nos deixa com um sorriso enorme, de orelha a orelha. Como espetador, assistir à viagem de David Copperfield para se tornar um escritor é tão cativante e divertido, não apenas devido ao argumento humorístico, mas principalmente porque é uma história incrivelmente honesta, emocional e genuína. Apenas alguns minutos dentro e já tinha uma vontade imensa que David tivesse sucesso na vida. A minha ligação emocional com o protagonista era tão forte que não consegui evitar que algumas lágrimas caíssem no final.

Não tenho palavras suficientes para descrever o quão maravilhoso cada membro do elenco é e o quão importante cada papel tem na vida de David. Dev Patel é um protagonista impressionante, mas a sua prestação é elevada pelo trabalho dos seus colegas. É tecnicamente impecável, mas a história e as suas personagens fazem deste filme uma experiência de felicidade pura.

The Personal History of David Copperfield é, sem quaisquer dúvidas, um dos melhores filmes do ano. Não se atrevam a perdê-lo! O filme fica disponível esta segunda-feira em blu-ray.

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