The Last of Us Part II – À conversa com Joana Ribeiro, a voz de Ellie

É um dos jogos mais cinematográficos que já vi.”

Joana Ribeiro - The Last of Us Part II

Sete anos depois, The Last of Us está de volta à PlayStation com uma ambiciosa e emocional sequela.

The Last of Us Part II dá continuidade ao celebre jogo da Naughty Dog, lançado originalmente para a PlayStation 3, e, como seria de esperar, há caras e vozes familiares de regresso, como é o caso de Joana Ribeiro, a atriz portuguesa que dá a voz àquela que já é um dos maiores ícones femininos da PlayStation, Ellie, que, neste episódio, tem pela frente uma jornada negra de vingança e com alguns horrores à mistura.

Para celebrar o lançamento do jogo para a PlayStation 4, a PlayStation Portugal deu-nos a oportunidade de falar um pouco com Joana Ribeiro sobre a sua ligação à personagem principal de The Last of Us Part II, sobre o trabalho de dobragem, sobre as fugas de informação do jogo e até da adaptação que a HBO vai produzir.

Joana Ribeiro em Linhas Tortas (2019)

A seguinte entrevista foi editada para facilitar a leitura.

Echo Boomer (David Fialho) – Fala-nos um pouco sobre a Ellie. Como é que foi voltar à personagem após tanto tempo?

Joana Ribeiro – Quando soube que ia haver um segundo jogo fiquei muito contente com a hipótese de voltar ao mundo da Ellie e de voltar a interpretá-la. E quando soube que realmente estavam a contar comigo para o fazer, fiquei bastante contente, até porque podia descobrir o que é que tinha acontecido durante estes sete anos – no nosso mundo, no mundo da Ellie passaram quatro.

EB – Já estavas à espera de uma sequela?

JR – Eu lembro-me que, quando terminei, já se ouviam uns zumzuns de que ia haver um segundo. Não era nada de definitivo, até porque, quando eu fiz a dobragem, não sabia que o jogo ia ter o sucesso que teve. Esperava que assim fosse, porque o jogo estava realmente muito bem feito, mas não havia certezas. Portanto, só depois do jogo sair, das críticas começarem a sair e do jogo se ter tornado um sucesso é que se começaram a ouvir os tais zumzuns de que ia haver um segundo jogo. Tal como o Uncharted, que teve sequelas. Portanto, eu já estava mais ou menos à espera que isso acontecesse, mas agora eu não fazia ideia se a Ellie ia ter um papel importante.

EB – Tinhas noção do quanto os fãs gostam da tua versão da Ellie?

JR – Eu não tinha ideia! Fiquei muito contente por saber. Aliás, acho que este é o trabalho que tem mais pessoas a falar comigo. Eu tenho imensa gente no Instagram a mandarem-me mensagens, a perguntarem-me se ia voltar a fazer de Ellie, a dizer que gostavam imenso de jogar o jogo em português, que achavam que os atores que faziam a dobragem em português eram incríveis, etc… Fico muito contente, porque trabalhámos tanto para isto e foi tão intenso. E há uma equipa por detrás deste trabalho que é incrível e há uma atenção ao pormenor muito grande. Por isso, receber essas mensagens e carinho pelos fãs do jogo foi espetacular. E eu gosto muito de receber mensagens sobre a Ellie porque eu adoro a Ellie, acho que é das personagens que mais gosto!

EB – Como é ouvir a tua voz numa personagem que não és tu? Consegues desligar-te dela?

JR – Sim eu acho que consigo, até porque a Ellie vive numa situação completamente diferente da minha, numa realidade diferente, logo isso ajuda-me bastante. Mas acho que é sempre um pouco estranho ouvir a nossa própria voz, até porque eu digo imensas asneiras (risos). Eu tinha dias em que ia dobrar o jogo e estava muito cansada e, de repente, chegava ao estúdio e estava uma hora a dizer asneiras e era espetacular. Por vezes até tinha que as repetir 20 vezes seguidas. É libertador.

EB – Qual é a tua versão favorita da Ellie?

JR – Vou-te confessar que, quando estava a fazer a dobragem de The Last of Us Part II, as cenas de flashbacks eram do tipo: “Ah! A Ellie nova, outra vez!” Porque era mais leve. Mas ao mesmo tempo escolho a Ellie mais velha, porque tem também momentos da Ellie mais nova e é isso que eu gosto neste novo. Além de vermos que ela está mais dura, mais velha, mais fria, continua uma menina e há momentos em que isso vem ao de cima e é tão bonito de se ver.

Já havia momentos desses no primeiro jogo, no meio de guerras, lutas e mortes e, de repente, tens o momento das girafas, que é lindo. Dá-nos uma oportunidade de respirar e admirar o mundo, antes de voltarmos à luta para matar infetados. Neste jogo também acontece, também vemos a Ellie mais nova e até podemos tocar guitarra com ela, o que é maravilhoso.

EB – É muito difícil fazer a dobragem da Ellie?

JR – Houve cenas emocionalmente muito difíceis. E até mesmo tecnicamente porque tinham muitas respirações. Isso foi difícil e levou muito tempo, mas, depois de ver o resultado final, foi muito fixe poder ver tudo. Houve algumas cenas em específico que eu pedi no fim do tempo de dobragem para ver como tinha ficado, de modo a ver se tudo batia certo. Muitas vezes é difícil fazer um ficheiro inteiro seguido, temos que parar, ouvir outra vez, voltar. Connosco tivemos o mesmo técnico de som que fez o primeiro The Last of Us comigo, que é o André, e ele fez um trabalho espetacular. Eu não fazia ideia do trabalho que está por detrás de fazer dobragens. É mesmo um trabalho super difícil. E depois, lá está, quando vemos um trabalho bem feito, é muito gratificante poder fazer parte disto.

The Last of Us Part II
The Last of Us Part II – PlayStation 4

EB – Infelizmente The Last of Us Part II sofreu graves fugas de informação com cenas partilhadas intencionalmente na Internet. Qual é a tua opinião sobre isso?

JR – Acho que é uma pena as pessoas saberem o que vai acontecer. É tão especial assistir. A mim, os spoilers não me afetam, até me dão uma vontade maior de ver e de ler como é que aquilo acontece. Mas acho que é uma enorme falta de respeito para com as pessoas que não gostam disso e eu deparei-me com isso até na página do Instagram da PlayStation, porque as pessoas iam lá comentar o que acontecia no jogo só por maldade, só para estragar o jogo. Acho isso tão mesquinho. Se vocês querem saber o que acontece, ok, é uma escolha vossa. Agora não têm que obrigar as outras pessoas a saber se elas não querem saber. Acho que tem que haver um bocado de noção. Mas, na minha opinião, o que saiu não estraga, de todo, o jogo. O jogo tem tanta coisa a acontecer e é tão surpreendente que, mesmo quando pensam que sabem o que vai acontecer, consegue surpreender-nos.

EB – Tiveste oportunidade de conhecer alguém da produção original?

JR – Não… Foi tudo feito à distância. Mas eu adorava! Gostava mesmo de conhecer a Ashley Johnson (Ellie) e o Neil Druckmann (diretor do jogo), acho que ele é um génio. O meu irmão sabe a história toda. Ele é fã do jogo e da Naughty Dog e no outro dia estava a dizer-me: “Ele é um génio, ele começou como estagiário e foi subindo e fez o The Last of Us, que é espetacular.” E também me contou que este segundo The Last of Us foi escrito pela co-autora da série Westworld (Halley Gross).

Na verdade, este jogo é uma obra cinematográfica. Acho que é um dos jogos mais cinematográficos que já vi. E há uma razão pela qual vai ser adaptado a série, pela HBO, que vai fazer uma série baseada em The Last of Us.

EB – Vou partir do princípio que aceitarias fazer parte dessa série, por isso pergunto: Qual é o teu elenco de sonho para esse projeto?

JR – Amava. Aliás, estou muito triste por ser “velha” demais para ser a Ellie, mas adorava, acho que é uma personagem espetacular. Por acaso estava a falar com uma amiga minha, atriz, que é a Alba Batista, ela fez uma série para a Netflix, Warrior Nun, que vai estrear agora, e acho que ela dava uma ótima Ellie. Porque ela é mais nova que eu e parece mais nova. Acho que ela tem o perfil certo para fazer de Ellie, até porque inicialmente dizia-se que a Ellie era muito parecida com a Ellen Page e eu acho a Alba parecida com ela quando era mais nova.

Adorava que fosse uma atriz portuguesa a fazer a série. Vai ter o realizador do Chernobyl, vai ser uma megaprodução, vai ser espetacular. Portanto, o meu elenco de sonho tinha que ter a Alba Batista para fazer de Ellie e depois, para Joel, eu ia mais para um Viggo Mortensen. Eu gostava de ver um ator diferente, mas o Viggo foi assim o primeiro que eu pensei. É o único que consigo imaginar sem ser os outros que as pessoas já sugeriram.

EB – Para terminar, achas que conseguias sobreviver ao apocalipse zombie?

JR – Claro que sim.

EB – Por quantos dias?

JR – Era a última sobrevivente. Matava-os a todos. Aprendi com a Ellie (risos).

The Last of Us Part II já está disponível na PlayStation 4.

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