The Defenders, Os Defensores, é como preferires. Se esperavas ansiosamente pelo regresso dos teus heróis preferidos da Marvel na Netflix, podemos adiantar que não vais ficar desiludido. Tens é de ter alguma paciência até que a série ganhe mais interesse.

O Echo Boomer teve acesso aos primeiros quatro episódios da série que vai estrear a 18 de agosto na Netflix e pode desde já garantir que a reunião entre os quatro protagonistas Daredevil (Charlie Cox), Jessica Jones (Krysten Ritter), Luke Cage (Mike Colter) e Iron Fist (Finn Jones), cada um com a sua profundidade emocional, não é forçada nem meramente simplista. Esse colmatar de personalidades não acontece facilmente e apenas ocorre devido a uma ameaça maior que paira sobre Nova Iorque. É interessante perceber como é que personagens tão complexas, mas tão diferentes entre si, funcionam no mesmo espaço.

No fundo, The Defenders acaba por ser uma espécie de Best Of da Marvel na Netflix, mas com a particularidade de enfrentarem um novo inimigo. São uns Avengers de rua, vá.

No início do texto falámos em paciência. Pois. O principal problema destes primeiros quatro episódios disponibilizados pela empresa de streaming acaba por ser o ritmo lento e algo enfadonho com que a ação se desenrola. Mas dá para perceber. É lógico que todo este desenvolvimento moroso da narrativa culmine nos quatro heróis ao mesmo tempo no ecrã. É importante referir que estes personagens preferem trabalhar por si só, acabando por ser um desafio perceber como concordam trabalhar em conjunto, ao invés de seguirem o seu próprio caminho.

Atenção: se queres ver os The Defenders, mas não viste todas as séries anteriores, então esquece, não vale a pena pegares na série. Quer dizer, isso fica sempre ao teu critério, mas não vais entender uma série de pontos fulcrais e não vais perceber algumas químicas entre personagens. Aliás, a própria história começa logo após o final de Iron Fist. Portanto, segue o nosso conselho e faz binge watch daquela série que te falta.

Quanto à história em si, curiosamente acabam por ser personagens secundárias como Claire Temple (Rosario Dawson), Foggy Nelson (Elden Henson), Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss) e Colleen Wing (Jessica Henwick), entre outras, que originam os maiores pontos de interesse nestes primeiros quatro episódios. Se te recordares, representaram papéis de extrema importância no desenrolar das tramas das séries dedicadas aos quatro heróis. No entanto, as suas aparições são bastante limitadas nesta série dedicada aos protagonistas.

Como já vimos em outras séries e filmes do género, existem sempre alguns clichés nas histórias de super-heróis, principalmente quando acabam de se conhecer. Em The Defenders isso também acontece, mas, curiosamente, a Marvel resolveu juntá-los dois a dois, antes de os colocar aos quatro ao mesmo tempo no local da ação. Este choque de temperamentos acaba por não surpreender. Mas é um pensamento que rapidamente desaparece ao percebermos que ainda temos mais quatro episódios para entendermos como todos eles trabalham como um só. E aqui temos duas hipóteses: ou tornam-se “amigos” e trabalham em equipa, ou viram-se uns contra os outros, deixando prevalecer, cada um, o seu caráter.

Em termos de performance, os atores estão iguais a si próprios. Todos com um bom desempenho, mas, ainda assim, achamos que Danny Rand aka Iron Fist (que se vê envolvido na trama graças à sua empresa) não está ao nível dos seus colegas. Para isto contribuiu, em muito, a série Iron Fist, bastante criticada pela crítica especializada.

E mais do que vê-los em diálogos, é curioso entender como nos vemos a torcer pela nossa personagem favorita nas lutas, de forma mais ou menos desajeitada. Sim, os nossos heróis vão “brincar” aos socos e pontapés uns com os outros, antes de, efetivamente, lutarem contra o mal. Por exemplo, poderás imaginar quem sai vitorioso numa luta entre a Jessica Jones e o Daredevil.

E quanto à vilã? Bem, Sigourney Weaver está excelente como Alexandra. É como se tivesse sido talhada desde o início para fazer este papel de má da fita. É dado algum destaque à personagem nestes quatro episódios, sendo possível perceber algum do seu historial. E é nela que as ações dos quatro protagonistas vão culminar, até porque ameaça aniquilar a bela cidade de Nova Iorque.

A Netflix percebeu que tinha de arranjar uma personagem mais temível que as de séries anteriores. E por temível, entenda-se que não precisa de ser alguém bem-dotado fisicamente, basta ser alguém implacável psicologicamente falando. Alexandra é essa personagem. Posso acrescentar que um dos pontos de interesse para continuar a ver esta série está precisamente no facto de querer descobrir se a personagem continuará a ter relevo na segunda metade da temporada.

O quarto episódio episódio termina num momento da história em que tudo fica em aberto para os nossos heróis. Como é que Alexandra terá influência no resto da série? E as personagens secundárias, qual o papel delas?

Conclusão, vale a pena ver The Defenders, apesar do seu arranque lento e moroso. Porquê? Ao final do quarto episódio, deu-me a sensação que vem daí toda uma série nova. E isso deixou-me muito empolgado.

 

The Defenders estreia na Netflix no próximo dia 18 de agosto.

 

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