TDT: O fosso tecnológico que nos separa de Espanha

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Em Espanha há dezenas de canais gratuitos em alta definição e 4K. Já Portugal mantém a TDT presa ao passado e com uma qualidade de imagem ultrapassada.

Bastam escassos quilómetros de fronteira para que a experiência de ligar uma televisão se transforme por completo. Se em Espanha, depois de uma reorganização recente, uma simples antena exterior já capta mais de 25 canais nacionais gratuitos, para além das dezenas de estações regionais emitidas obrigatoriamente em alta definição e com testes avançados em ultra alta definição, do lado português a realidade é desoladora. O telespetador em Portugal que dependa exclusivamente da Televisão Digital Terrestre (TDT) tem à sua disposição apenas sete canais e continua condenado a ver televisão com uma resolução standard rústica, manifestamente inadequada para os ecrãs modernos.

Este abismo ibérico acentuou-se nos últimos anos devido a opções tecnológicas opostas. O governo espanhol forçou a transição digital para a alta definição total e abriu as portas à norma de última geração que viabiliza o 4K gratuito. Em contrapartida, a televisão portuguesa permaneceu estagnada na mesma tecnologia de há 15 anos. Ligar a televisão pública ou as estações privadas através da rede terrestre em Portugal significa esticar uma imagem com grão e compressão digital excessiva, sem que exista qualquer horizonte visível para uma modernização séria do sinal aberto.

O atraso estrutural de Portugal reflete escolhas de mercado e políticas públicas que negligenciaram o serviço universal. Com uma das maiores taxas de penetração de pacotes pagos de fibra e cabo da Europa, o país habituou-se a ver a televisão de qualidade como um luxo pelo qual se tem de pagar uma mensalidade. Como a rede gratuita ficou confinada a um único operador de distribuição e as estações privadas resistiram aos custos de emissão em alta resolução, a TDT portuguesa foi reduzida a um formato quase residual, utilizado por uma franja minoritária da população.

A TDT nasceu na Europa com o propósito democrático de garantir a todos os cidadãos o acesso gratuito à informação e ao entretenimento com os melhores padrões disponíveis. Ao deixar a sua rede pública e privada congelada no tempo, Portugal tem falhado (e muito) na proteção deste direito. O espetador que não queira ou não possa pagar uma fatura mensal de telecomunicações é tecnologicamente empurrado para a exclusão, assistindo a uma televisão que teima em não sair do século passado enquanto o vizinho do lado já desenha o futuro do audiovisual.

Joel Pinto
Joel Pinto
Joel Pinto é profissional de TI há mais de 25 anos, amante de tecnologia e grande fã de entretenimento. Tem como hobbie os desportos ao ar livre e tem na sua família a maior paixão.
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