Super Bock em Stock 2019 (Dia 1) – A noite foi de Michael Kiwanuka

Aconteceu ontem a primeira noite do Super Bock em Stock 2019. Apesar de não termos notado muito alarido em relação ao cartaz deste ano, a Música no Coração indicava nas redes sociais que os bilhetes estavam perto de esgotar. Quereria isto dizer que o cartaz falava por sim, não sendo necessário grandes manobras de marketing?

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Bom, adiante. Lá foi o Echo Boomer em direção à Avenida da Liberdade. E desde já uma pequena ressalva: para quem vai de carro e estaciona em alguma das ruas paralelas, a existência de trotinetes na cidade permite descer toda a avenida em questão de minutos, poupando, assim, as nossas pernas e pés. E isto serve também para nos deslocarmos de sala em sala do Super Bock em Stock 2019, isto caso não consigam apanhar o Super Bock BUS ou um dos veículos Toyota da organização.

Já depois de termos levantado as credenciais no Coliseu (é lá que têm de trocar o vosso bilhete pela pulseira do festival), demos de caras com uma espécie de concerto gratuito dos MEUTE (eles que iam atuar na Sala Rádio SBSR) para quem andava ali nas imediações do Coliseu de Lisboa. Se, ali, havia uma enchente que parecia estar a adorar o espetáculo desta fanfarra, nem queiram imaginar como iria decorrer o concerto que aconteceria dali a um bom bocado.

Como já não fomos a tempo de Niki Moss, decidimos espreitar os portugueses Yagmar (You Actually Game Me A Ride), projeto que começou no Verão de 2014 quando Daniel Sallberg (Suécia) e Luís Fernandes (Portugal) decidiram montar estúdio numa casa abandonada. O cenário era desolador – no máximo dos máximos 70 pessoas -, mas os poucos que andavam pela Sala Rádio SBSR pareciam estar a gostar desta mistura entre indie rock, eletrónica e kuduro, uma sonoridade ótima para abanar o corpo.

Apesar de já mostrarem uma personalidade bastante vincada, a voz não nos convenceu, ou seja, provavelmente a banda ficaria a ganhar se fosse apenas um projeto instrumental.

Dos Yagmar passámos para o Coliseu, onde já atuava Ahmed Gallab, mais conhecido por Sinkane, naquele que era o primeiro concerto do festival na conhecida sala lisboeta. Mas infelizmente o horário não ajudou, tanto que este parecia um espetáculo-passatempo. Quer isto dizer que, apesar de estar com a mínima atenção, o público não parecia querer saber minimamente do que se estava a passar em palco, aproveitando para conversar ou combinar um ponto de encontro com amigos através do smartphone.

Mas Sinkane parecia alheio a isso, e este londrino de nascença que viveu durante anos no Sudão veio mostrar as malhas do mais recente disco Dépaysé, com temas cozinhados de uma junção entre o free jazz, afrobeat, shoegaze e até reggae. Naquela que foi a sua terceira visita a Portugal (atuou neste mesmo festival, em 2014, mas noutra sala), Sinkane ia debitando canções atrás de canções, com várias incursões por longos solos pelo meio, até chegar ao último tema do alinhamento, “U’Huh”, do disco Life & Livin’ It. O britânico-sudanês despedia-se, depois, dos seus “amigos” lisboetas, mas terá realmente feito algum nesta passagem pelo festival?

Já não faltava muito para a estrela da noite (Michael Kiwanuka), mas havia tempo para espreitar, ali ao lado, os MEUTE, de quem falámos há pouco. Não é propriamente fácil definir este projeto, mas pensem numa banda techno que mais se parece com uma banda filarmónica, como aquelas que alguns já viram ao visionar jogos de futebol americano.

O líder do grupo, o trompetista Thomas Burhorn, a comandar a sua tropa, teve, logo à partida no Super Bock em Stock 2019, o concerto ganho: primeiro, é sempre fácil o público relacionar-se com este tipo de bandas, ou não estivesse a Sala Rádio SBSR à pinha (era mesmo difícil circular); depois, porque agarraram em temas já sobejamente conhecidos, como “You & Me”, “Hey Hey” ou “REJ”, e deram a sua energética abordagem.

É difícil não se gostar destes MEUTE. Com apenas um álbum de estúdio na bagagem, Tumult, isto sem contarmos com o álbum ao vivo Live in Paris lançado este ano, estes alemães que fizeram novos arranjos para canções bem conhecidas da cena techno, house e deep house mostram que podem conquistar o mundo muito em breve.

De volta ao Coliseu, e com Kiwanuka em palco, percebeu-se que aquele era, claramente, o nome maior do Super Bock em Stock deste ano, ou não tivesse a sala completamente praticamente lotada. Vestido como um músico de rua que se ia apresentar num qualquer programa de caça talentos, o londrino veio mostrar que não é apenas conhecido pelo tema da série Big Little Lies, da HBO, embora esse feito lhe tenha dado a ganhar imensa popularidade.

Com um novo e homónimo álbum na bagagem, muito bem recebido pela crítica, onde se nota um artista mais vibrante e solto, Kiwanuka resolveu, porém, jogar pelo seguro, até porque apenas se ouviu “You Ain’t the Problem”, “Rolling” e “Hero” do novo disco. De resto, todo o alinhamento foi feito com base nos discos Love & Bate e Home Again.

O concerto começou com “One More Night” e, desde logo, percebeu-se que muita da gente que foi ao festival apenas tinha adquirido o passe para ver o londrino. Afinal, das poucas vezes que se dirigiu à mancha de público do Super Bock em Stock 2019, Kinawuka recebia respostas bem entusiasmadas.

Em palco, acompanhado por uma competente banda e duas jovens nos back vocals (vozeirões, atenção), o músico é daqueles que gosta de prolongar as canções nos concertos, com algumas doses de improvisação e jam sessions que, por vezes, estendem a duração dos temas em demasia. E talvez por isso muitos dos que se encontravam nos camarotes aproveitavam para por a conversa em dia ou verificar os números do Euromilhões. Algo que acaba por ser bem chato, principalmente para aquelas pessoas que querem estar mesmo com atenção ao que está a acontecer em palco.

Com uma voz impecável, tal e qual como se estivessemos a escutar o disco, Kinawuka não é um homem de muitas palavras, mas não deixou de admitir que se sentia feliz por regressar a Portugal. Fala muito, sim, através das suas músicas, enquanto vai variando por várias guitarras.

Há muita alma, muito soul na obra do londrino. Num concerto que, não parecendo, decorreu a bom ritmo, as músicas mais celebradas foram mesmo “Home Again”, “Cold Little Heart” e “Love & Hate”, já no fim, ainda que, com pena nossa, o som não estivesse nas melhores condições.

Terminado o concerto maior nesta primeira noite do Super Bock em Stock 2019, a debandada foi geral, e muitos seguiram viagem para o Teatro Tivoli BBVA para assistirem ao concerto de Jordan Mackampa, que já devia estar com a sala lotada, ou não estivesse uma enorme fila de gente cá fora.

Uma última nota para este Super Bock em Stock 2019, neste caso negativa, para Angélica Salvi, artista recomendada por The Legendary Tigerman para o festival. Não que a jovem tivesse feito algo de mal, longe disso, mas a sala escolhida, Garagem EPAL, para se ouvir uma harpista, não era, de todo, indicada. Afinal, ninguém merece ouvir a máquina registadora a funcionar…

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