Análise – Strikers Edge – Uma lufada de ar fresco made in Portugal

por David Fialho

Não é todos os dias que chega até nós um videojogo nacional. Muitos menos à PlayStation 4. Esse panorama começa agora a mudar com Strikers Edge, a mais recente novidade portuguesa na consola da Sony e no PC.

Da produtora Fun Punch Games, Strikers Edge é um jogo independente que se tornou no jogo que é hoje, em parte graças aos Prémios PlayStation, onde venceu a primeira edição, e claro, da vontade e dedicação da pequena equipa, que começou a trabalhar neste jogo quase por desporto.

Strikers Edge apresenta um conceito de jogo muito interessante, especialmente nas suas mecânicas e maneiras de jogar. É uma espécie de jogo-do-mata medieval, num formato que, tanto em grandes produções como em jogos mais independentes, não se vê muito. Quando o comecei a jogar, senti que estava perante um tipo de jogo inovador, perguntando até a um amigo se conhecia algo assim, ao que me respondeu de imediato que “se há não me estou a lembrar”.

As comparações podem ser feitas a muitos jogos de tiros ou de ténis (com especial atenção ao clássico dos clássicos, Pong), mas a verdade é que o modo como se apresenta, e se joga, é uma lufada de ar fresco.

Pode ser jogado em batalhas 1VS1 nos diferentes modos ou 2VS2 nos modos multi-jogador, colocando-nos em campos de batalha divididos a meio, em que o objetivo é disparar contra o adversário enquanto nos desviamos também dos seus projéteis.

Para controlar a personagem usamos o analógico esquerdo, para apontar o direito, e, depois, a combinação de gatilhos para disparar, desviar e bloquear. Na teoria é muito simples. Já na prática a coisa complica.

Strikers Edge não é um jogo tão fácil como parece. Requer treino, concentração e motivação. À semelhança do que encontramos em muitos jogos de luta, cada encontro é dividido em duas rondas, com a diferença que não temos um contador de tempo para criar a sensação de urgência. Aqui, a contagem decrescente é feita com os olhos postos no nosso contador de vida que diminui com cada hit que pode ser fatal.

A tensão das batalhas é incrível, muito graças ao balanço das personagens (que apesar de apresentarem diferentes tipos de projéteis e poderes especiais, controlam-se de forma muito semelhante) e aos momentos cinemáticos que a Fun Punch introduziu em momentos chave.

Um desvio, um block ou a estocada final são apresentados em câmara-lenta onde podemos ter uma ideia do quão perfeita foi o timing de uma jogada, ou o quão perto o projétil passou de nós ou do adversário.

O ritmo das partidas também é bastante acelerado, ou pelo menos é isso que se pretende. O que encontrámos, porém, é um jogo que requer destreza pontaria e calma.

Os controlos simples pecam um pouco pela sensação de peso e arrasto no movimento das personagens e também pela dificuldade de coordenação no uso dos dois analógicos para apontar. Talvez tenha sido uma decisão ponderada no desenvolvimento de Strikers Edge, mas, para jogadores iniciantes, pode ser complicado encontrar essa coordenação, e o tempo entre cada disparo também não ajuda. Algo que também seria interessante encontrar seria a opção de trocar controlos, sem recorrer aos modos de acessibilidade da PS4.

A curva de aprendizagem encontra um novo obstáculo quando mudamos de lado do campo nos modos multijogador. Depois de várias batalhas num lado, trocar para o lado oposto pode ser atrofiante, mas nada que o treino e a técnica não nos prepare.

É fácil perceber que Strikers Edge foi criado para um jogo multi-jogador, sendo que é composto por três modos. O On-line e o Multi-jogador Local, que permitem encontros 1VS1 ou 2VS2, e um modo de campanha para jogar contra o CPU, onde temos uma pequena narrativa para cada uma das oito personagens.

Para além de um breve tutorial, que deve ser jogado com atenção, é nesta campanha que podemos treinar e conhecer os diferentes heróis. A longevidade da história de cada personagem é curta, mas o suficiente para fazermos uma maior rotatividade entre elas.

Aqui também temos três níveis de dificuldade, onde se requer mesmo muita mestria, e que pode ser um local para treinar antes de ir para o online.

Já no modo online vamos poder jogar contra amigos ou desconhecidos e, havendo uma população ativa, é bastante fácil de encontrar malta para confrontar. Ainda assim, encontrei alguns problemas que me desmotivaram, desde jogadores que simplesmente paravam de jogar e não reagiam, a muitas desistências após perderem a primeira ronda.

É nos modos de jogo com amigos, tanto no online como no local, que existe um grande potencial para Strikers Edge. Tem as características perfeitas para ser um jogo competitivo de sofá. É divertido e frustrante quanto basta, porque, por vezes, não são as capacidades do jogador que estão em cima da mesa, mas sim a estratégia e o timing que utiliza.

Por fim temos os visuais e o áudio que são reminiscentes dos jogos de 16-bit, o movimento conhecido como Pixel Art. Apesar de o jogo existir na PlayStation 4 e no PC, é interessante pensar que, desde o modo como se joga, ao seu aspeto, poderia ser um jogo capaz de existir em consolas bastante antigas. Sem dúvida alguma, um título bem old-school com elementos perfeitos para o efeito que se pretende.

Strikers Edge é bastante divertido e competente, mas deixa a sensação que podia ser ainda mais, especialmente em conteúdos (que virão, esperemos nós), na exploração de poderes das personagens e de pequenos ajustes com o feedback de um público maior.

Ainda assim, Strikers Edge é, para nós (jogadores portugueses) e para a equipa, um pequeno triunfo, não só por ter conseguido chegar ao final do seu desenvolvimento com um resultado ótimo, mas porque pode alcançar, potencialmente, milhões de jogadores.

Strikers Edge já está disponível para a PlayStation 4 e PC (Steam).

O jogo foi cedido para análise pela PlayStation Portugal.

 


 

Deixar uma resposta

Também pode interessar

O Echo Boomer utiliza cookies para dar a melhor experiência possível aos nossos leitores. Aceitar Ler mais

%d bloggers like this: