Crítica – Star Wars: The Mandalorian (1ª temporada)

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Após as histórias de Jango e Boba Fett, outro guerreiro emerge no universo Star Wars. The Mandalorian decorre após a queda do Empire e antes do aparecimento da First Order. Seguimos as aventuras de um pistoleiro solitário nos confins da galáxia, longe da autoridade da New Republic.

(Esta crítica baseia-se em todos os episódios da primeira temporada, estando livre de spoilers)

Star Wars é uma saga muito especial para milhões de pessoas pelo mundo fora, incluindo eu próprio. Lembro-me de quando The Force Awakens foi anunciado e todos ficaram entusiasmados e prontíssimos para viver este universo fantástico novamente. No entanto, com as redes sociais a terem um impacto tremendo, a fanbase enorme transformou-se em algo tão desrespeitoso e cheio de ódio que já não considero divertido falar sobre a saga com outros aficionados… exceto quando se trata de The Mandalorian.

Se tivesse de apostar que Jon Favreau iria criar uma série de Star Wars tão espetacular que toda a fanbase a adoraria de forma quase unânime, teria perdido muito dinheiro, pois teria apostado contra. É impossível negar que a recente trilogia cinemática é uma das mais divisivas da história do cinema. Mas também não se pode negar que The Mandalorian pertence ao grupo de peças universalmente amadas da saga.

Esta série é uma representação quase perfeita de como o universo se encontra pós-Empire. Uns procuram restos da guerra para fazer algum dinheiro, outros tentam caçar criminosos para ganhar recompensas, como The Mandalorian ou Mando (vou usar o último para me referir à personagem). Ao seguir a personagem principal interpretada por Pedro Pascal, uma que não tem nome ou rosto ao longo da temporada, pode ser uma tarefa complicada, pois é difícil existir uma conexão emocional com alguém que não reconheceríamos nas ruas. Mas existe.

O desempenho facial de Pascal pode ser impossível de avaliar, mas os seus movimentos corporais e atitude são tão únicos que Mando é facilmente distinguido dos restantes membros do seu Guild. Obviamente, a sua roupa também ajuda a diferenciá-lo de outros Mandalorians. No entanto, é a escrita rica e inteligente que me surpreende. Depois de alguns episódios, sinto que conheço Mando, mesmo que ele não fale muito. Entendo os seus princípios de vida, em quem ele confia, em quem não… Sim, existem várias aventuras secretas do passado que lhe moldaram a personalidade e que não conhecemos (já lá vou).

Apesar disso, uma ação simples como não vender algo, não matar alguém ou simplesmente virar o capacete um pouco mais rápido/lento tem grande impacto e mostra ao público quem é a personagem pela qual é suposto apoiarmos.

Cada episódio está repleto de entretenimento. Há sempre alguma ação e sempre algo de novo. Pode ser um truque inovador, um local diferente ou novas personagens como Baby Yoda que, sem dúvida, se torna a estrela da série e vou parar por aqui. Não vou desenvolver ou spoilar o que todos são ou fazem, mas tenho que mencionar Gina Carano (Cara) e Carl Weathers (Greef Karga). Ambos são importantes para o enredo e os atores oferecem prestações excelentes. Se Gina dá tudo de si durante as sequências de ação, Carl aplica o seu discurso eloquente para fornecer a exposição necessária.

Se havia uma ligeira dúvida sobre o compromisso da Disney com esta série, a produção megalómana responde a qualquer pergunta sobre esse assunto. Esta série não se assemelha simplesmente a Star Wars, ela é Star Wars. Toda a temporada tem um ar absolutamente deslumbrante! Cinematografia belíssima, cenografia fantástica e até mesmo o “guarda-roupa” de cada espécie são maravilhosos. Tecnicamente, é uma das melhores séries de TV da década e cada realizador faz um trabalho tremendo.

Um outro aspeto que adoro é como cada episódio tem uma sensação diferente. Cada realizador traz o seu talento pessoal, fazendo com que cada capítulo seja algo novo constantemente. Dave Filoni, que os fãs reconhecem das séries de animação da saga, faz um bom trabalho com o episódio piloto. Deborah Chow, que é a única realizadora da série de Obi-Wan, oferece ação espetacular e um ritmo rápido. Rick Famuyiwa coloca uma sensação de horror nas suas sequências. E Taika Waititi (que é também a voz de um droide chamado IG-11) termina a temporada com um final estrondoso.

No entanto, é devido ao argumento de Jon Favreau que tudo funciona em conjunto na perfeição. Escrita impecável, especialmente no que diz respeito ao protagonista.

Tenho apenas um problema com a temporada de estreia, que é o enredo principal. Por muito tempo, não se sente que este existe. Parece entretenimento por entretenimento, apenas com personagens emocionalmente convincentes. Seguir Mando de planeta em planeta, de missão em missão, pode ser extremamente divertido, mas se isto é tudo o que a temporada tem para dar, então essa diversão pode rapidamente transformar-se em monotonia (o quinto episódio é definitivamente o favorito a pior episódio da temporada). Várias perguntas sobre o passado de Mando continuam a chegar e, apesar de entender que a série precisa de ter algo para uma segunda temporada, sinto que algumas respostas poderiam ter ajudado a história.

Se há algo que The Mandalorian prova é que a Disney tem capacidades mais do que suficientes para produzir uma grande peça de cinema/televisão de Star Wars… desde que tenham alguém a supervisionar com um plano claro e uma estrutura, algo que não aconteceu com a trilogia mais recente. Não é uma coincidência que os dois episódios sem o envolvimento de Favreau na escrita são os piores (ou menos bons) da temporada. A aparente falta de um enredo central pode ser prejudicial, mas não o suficiente para roubar a coroa de “melhor série de televisão de Star Wars”.

Com um elenco excecional e realizadores talentosos, Jon Favreau oferece ao mundo a oportunidade de viver no universo de Star Wars, seguindo a personagem de Pedro Pascal em algumas das aventuras mais entretidas que a saga já testemunhou. Tecnicamente soberba, com cinematografia impressionante, edição excelente, uma banda sonora viciante (pode parecer estranha ao início, mas acabei por me deixar encantar) e realização incrível por parte de todos os envolvidos.

No entanto, é a escrita de Favreau e a estrutura bem planeada da temporada que fazem desta estreia de The Mandalorian um sucesso gigantesco. Sem dúvida, uma das melhores séries do ano.

Nota:

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