Depois da Electronic Arts, Silver Lake e Arábia Saudita querem agora comprar a Unity

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Os investidores que adquiriram a Electronic Arts estão interessados numa nova aquisição de 25 mil milhões de dólares, desta vez da empresa responsável por um dos motores de jogo mais utilizados na indústria.

A Silver Lake e o Public Investment Fund (PIF), o fundo soberano da Arábia Saudita, estão em conversações para adquirir a Unity, responsável por um dos motores de jogo mais utilizados no desenvolvimento de videojogos. De acordo com a Reuters, os investidores abordaram a Unity nas últimas semanas, tendo discutido uma avaliação de aproximadamente 25 mil milhões de dólares.

As negociações ainda estão numa fase preliminar, sem qualquer acordo confirmado. Mas a Unity já estará a trabalhar com um banco de investimento para avaliar as suas opções, enquanto a Silver Lake parte de uma posição privilegiada, uma vez que detém aproximadamente 8% da empresa, depois de ter investido até 400 milhões de dólares em 2017. Para além disso, Egon Durban, um dos principais responsáveis da Silver Lake, também integra o conselho de administração da Unity.

E se estes nomes são familiares, há uma boa razão para isso. A Silver Lake e o PIF fazem parte do mesmo consórcio que adquiriu a Electronic Arts por cerca de 55 mil milhões de dólares, juntamente com a Affinity Partners, uma sociedade de investimento fundada por Jared Kushner, genro de Donald Trump. O negócio ficou concluído em agosto de 2026, retirando a Electronic Arts da bolsa e colocando uma das maiores editoras de videojogos do mundo nas mãos destes investidores.

O historial recente destes investidores não inspira confiança.

É difícil olhar para esta nova possibilidade com algum entusiasmo, especialmente depois do que aconteceu com a Electronic Arts. Pouco mais de dois meses depois da conclusão da aquisição, a editora anunciou o encerramento da BioWare e o cancelamento do próximo Mass Effect, colocando um ponto final na história de um dos estúdios mais importantes da indústria e deixando aproximadamente 400 trabalhadores sem emprego, 50 dos quais parte do estúdio canadiano.

E embora não existam provas de que a Silver Lake ou o PIF tenham ordenado diretamente o encerramento do estúdio, é impossível ignorar o contexto cultural e financeiro destas decisões. A aquisição deixou a Electronic Arts com aproximadamente 18 mil milhões de dólares de dívida, aumentando a pressão para reduzir custos e concentrar os investimentos em projetos com receitas mais previsíveis.

Foi precisamente essa uma das justificações apontadas numa recente reportagem de Jason Schreier, da Bloomberg, que revelou que a Electronic Arts terá preferido investir em Star Wars Battlefront III em detrimento de Mass Effect. Um jogo que estava em desenvolvimento há vários anos acabou por ser cancelado para dar prioridade a outro que, na altura, ainda nem sequer tinha entrado em produção.

É este o tipo de decisões que torna particularmente desagradável assistir a mais uma operação financeira desta dimensão, pois estamos a falar de investidores capazes de movimentar dezenas de milhares de milhões de dólares para adquirir empresas, mas cuja presença na Electronic Arts já ficou associada ao desaparecimento de um estúdio histórico, a centenas de despedimentos e ao cancelamento de um dos jogos mais aguardados pelos fãs de RPGs.

E o interesse pela Unity poderá representar algo ainda mais preocupante, porque desta vez não estamos a falar apenas de uma editora que desenvolve e publica os seus próprios jogos. A Unity fornece tecnologia e ferramentas utilizadas por milhares de estúdios independentes e grandes produtoras, permitindo desenvolver jogos para PC, consolas e dispositivos móveis. O seu motor também é utilizado fora dos videojogos, em áreas como o cinema, a arquitetura e a indústria automóvel.

Unity e dramas de mãos-dadas.

Uma eventual aquisição colocaria nas mãos destes investidores uma plataforma tecnológica da qual dependem inúmeros produtores que não fazem parte dos seus negócios. E isso levanta questões sobre o futuro das licenças, os custos de desenvolvimento e a independência comercial destas ferramentas, embora não exista qualquer indicação de que os potenciais compradores pretendam alterar as atuais condições de utilização.

A própria Unity já teve problemas nesta área, quando anunciou, em 2023, a polémica Runtime Fee, uma proposta que pretendia cobrar aos produtores uma taxa associada à utilização dos seus jogos, dependendo das receitas e instalações. A contestação foi tão grande que a Unity acabou por cancelar definitivamente a medida em setembro de 2024.

Entretanto, a Unity atravessa um período de crescimento financeiro. No terceiro trimestre de 2026, as receitas aumentaram 32%, para 622,1 milhões de dólares, tendo a empresa registado o seu primeiro trimestre lucrativo, de acordo com as normas contabilísticas GAAP, desde a entrada em bolsa em 2020. Parte destes resultados deve-se ao crescimento da sua plataforma publicitária Vector.

O interesse da Silver Lake e do PIF também não pode ser visto isoladamente dos restantes investimentos na indústria. O fundo saudita já controla a Savvy Games Group, proprietária da Scopely, responsável por Monopoly GO! e Pokémon GO!, e tem estudado a possibilidade de aproximar a Electronic Arts destes negócios.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
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