Projeto pretende aliviar pressão rodoviária e alinhar preços com o passe Navegante.
A Câmara Municipal de Setúbal está a preparar um projeto de transporte marítimo para as praias da Arrábida, com arranque previsto em 2027, como alternativa aos fortes constrangimentos rodoviários que marcam a época balnear deste ano. A vice‑presidente Maria do Carmo Tiago explicou que já decorrem contactos com operadores privados disponíveis para assegurar o serviço, cujo objetivo é reduzir a pressão automóvel nos acessos e oferecer uma solução sustentável aos banhistas. A autarquia pretende ainda que as tarifas sejam equivalentes às dos transportes abrangidos pelo passe Navegante, embora essa possibilidade dependa de articulação com entidades como a Transportes Metropolitanos de Lisboa.
A proposta surge num contexto marcado pelos danos provocados pelas tempestades do início do ano, que agravaram a instabilidade das arribas e obrigaram ao condicionamento da circulação em vários troços da estrada da Arrábida. A implementação do transporte marítimo exige a construção de infraestruturas de apoio à atracação e desembarque junto às praias, o que impede a entrada em funcionamento já nesta época balnear. Entre as intervenções mais urgentes está a reparação do talude abatido junto aos acessos da Praia de Albarquel, obra estimada em 6,9 milhões de euros, bem como a estabilização de um maciço rochoso de cerca de duas mil toneladas entre a Figueirinha e Galapos.
A Câmara apresentou ao Governo e à CCDR LVT uma estimativa global de 50 milhões de euros para a recuperação dos estragos causados pelas intempéries em todo o concelho, incluindo intervenções na Arrábida e em freguesias de Azeitão. O município espera recorrer às linhas de apoio criadas para fenómenos meteorológicos extremos, procurando garantir financiamento para obras de estabilização e requalificação.
Até ao final da época balnear, mantêm‑se as restrições de circulação para viaturas particulares nos acessos às praias de Albarquel e Figueirinha, bem como a interdição da Rua Círio da Arrábida entre o túnel da Figueirinha e Galapos, em vigor desde fevereiro de 2023 devido ao risco de derrocada. Estas limitações reforçam a necessidade de alternativas de transporte, como o futuro serviço marítimo, que poderá redefinir a forma como se acede às praias da Arrábida e contribuir para uma gestão mais equilibrada do território, alinhada com a visão de mobilidade sustentável.
