É difícil acreditar que a Devolver Digital decidiu investir num projeto tão mediano, previsível e vazio como Serious Sam: Shatterverse, que força uma série clássica a ser o que não é: um roguelike cooperativo com uma progressão lenta, dificuldade desequilibrada e uma jogabilidade sem imaginação que nos dá poucos motivos para regressarmos a este multiverso da tanga.
O que fazer com IP antigos? Criar uma nova sequela? Apostar num remake ou até numa coletânea com os melhores êxitos num só pacote? A moda atual parece ser outra e não basta revitalizar uma série através de remasterizações ou sequelas, sejam elas oficiais ou espirituais, mas criar um autêntico makeover estético e mecânico. Se Painkiller popularizou-se através do seu leque invulgar de armas e de uma aposta em arenas de combate, já o seu reboot adotou o formato de um jogo cooperativo, focado em missões rápidas e objetivos distintos que se repetem entre níveis quase idênticos. A mesma transformação parece estar destinada a Turok, agora em modo de Origins, que se prepara para abandonar a sua campanha linear e abraçar também uma experiência mais cooperativa e online que segue tendências em vez de ambicionar capturar a essência da série.
E Serious Sam? Não vale a pena destoar, então a série da Croteam decidiu fazer um desvio absolutamente inovador e inesperado no panorama atual da indústria dos videojogos e decidiu reinventar-se como jogo de ação cooperativo. Mas qual é o seu fator diferenciador? Ao contrário de Painkiller, Serious Sam: Shatterverse é um roguelike. Este é o seu trunfo. Com um elenco composto por variantes de Serious Sam, cada um com as suas habilidades passivas e ataques especiais, a campanha de Shatterverse leva-nos numa viagem aborrecida pelo universo da série enquanto revisitamos zonas populares e eliminamos as criaturas que atormentam Sam há 25 anos. Com seis níveis e três bosses, a campanha de Shatterverse não encontra o seu ritmo e torna-se progressivamente mais aborrecida ao dar poucos motivos para os jogadores regressarem. Os níveis são aborrecidos, as missões e objetivos resumem-se quase sempre à eliminação de um número específicos de inimigos ou à descoberta de um interruptor, e os buffs e debuffs pouco ou nada oferecem em termos de builds para os jogadores. É a versão mais básica e desinteressante do que é um roguelike. Então fica a pergunta: para quem é Serious Sam: Shatterverse? Temo que a resposta seja “para ninguém”.
Cópia para análise (versão PlayStation 5) cedida pela Cosmocover.
