Rock in Rio Lisboa 2018 | Katy Perry – Um mundo popsicle no parque da Bela Vista

Ainda que o slogan do Rock in Rio Lisboa seja “A cidade do rock”, a edição de 2018 claramente ficou marcada pelo Pop. Foi um dos géneros predominantes do cartaz principal e, depois de Demi Lovato, Bruno Mars, Haille Steinfield e Jessie J, o último dia do festival termina em grande com a atuação de Katy Perry.

- Publicidade -

Com um total de 23 músicas e nada menos do que seis mudanças de roupa (cada outfit mais extravagante que o outro), a artista mostrou que, para a sua primeira vez na versão portuguesa deste festival, dedicou-se à preparação do show e não se mostrou nada menos do que exuberante. Uma autêntica pop star.

O concerto abre com um snippet de um tema do novo álbum, Witness, em que Katy surge por detrás de uma nuvem de fumo branco. Desafiando o público desde um primeiro momento, com a pergunta “Will you be my witness tonight?”, segue para outro tema do novo álbum, “Roulette”, com uma outra provocação, “Will you roll the dice?”. E chovem, sobre o público, confettis com as formas dos naipes de um baralho de cartas.

Se começa o seu concerto com provocações, continua com uma vibe meio obscura, meio sensualizada, com o tema “Dark Horse” – mostrando aqui o lado badass de Katy (que, usualmente, tende a ser mais doce, e cotton-candy-like). De um modo geral, pode-se dizer que Katy é uma artista versátil, encarnando várias personagens, vários estilos tanto visuais como musicais, e isso foi transposto para este concerto. Temos como exemplos clássicos o teenage pop-rock, meio revoltado (com temas como “Part Of Me”) e a versão mais dance eletrónica e muito popsicle pop como “Chained to The Rythm”, “Last Friday Night” e “California Girls”. O concerto foi completo, e até teve direito a uma mascote (muito fofa!) em forma de tubarão durante a música “Teenage Dream”. E, claro, ao longo de toda a atuação, acompanham Katy performers de dança, com outfits extravagantes que tornaram o espectáculo visualmente mais rico.

O seu primeiro hit “I Kissed a Girl” surge exatamente a meio do concerto e é um momento de grande euforia, sobretudo porque neste tema a artista pousa sobre si uma bandeira arco-íris, símbolo da causa LGTB – passando uma mensagem importante e atual, de inclusão, tolerância e aceitação. Katy sabe que tem influência sobre as camadas mais jovens e utiliza a sua popularidade para promover princípios importantes. Foi uma atitude de louvar e aplaudir. Aliás, ainda que possa ser uma “moda”, a verdade é que muitos artistas hoje em dia utilizam a sua influência para defender mensagens importantes; Jessie J, que pisou o palco minutos antes de Katy, também havia passado ao longo do seu concerto algumas mensagens de auto-amor.

Outro momento de grande euforia foi o famoso “Hot n’ Cold”, no qual a artista surge vestida com um painel digital no peito que vai mostrando as palavras “Hot” e “Cold“. Aproveitando o facto de ter ascendência portuguesa (um dos seus tetravôs é dos Açores), cria um momento de interação brutal com o público, questionando como se dizem estas palavras em português; depois de, em uníssono, todos dizermos “quente” e “frio”, a cantora repete as palavras com um sotaque quase perfeito, tudo isto antes de começar a cantar.

O concerto contou, ainda, com bastantes temas do seu recente álbum – “Dejá Vu”, “Power”, “Into Me You See”, “Bon Appetit” (esta, com direito a uma pequena mescla com “What Have You Done For Me Lately” de Janet Jackson, em jeito de tributo) e ainda “Pendulum” como uma das músicas do Encore. Nota-se um crescimento, um amadurecimento evidente de Katy enquanto artista, neste seu último trabalho, em comparação com os anteriores. Se, antes, Katy era muito teenage-highschool-pop, neste último álbum a artista revela, aqui, um lado mais obscuro, e com uma certa influência futurística e tecnológica (talvez o tema também ele comercial “Swish Swish” seja o que mais destoa desta vibe geral do novo álbum, regressando às suas origens mais pop e catchy); ainda assim, continua na linha pop, sendo referenciado pela imprensa como Futurepop – uma junção de synthpop com influências de trance.

Porém, não foram as novas músicas que mais mexeram com o público, foi sim, com os êxitos mais antigos que o pessoal mais vibrou. “ET”, “Wide Awake” e “Roar” – cantada a plenos pulmões, pela Katy e por nós! – e “Fireworks” para o último encore, trouxeram nostalgia aos fãs que a seguem desde sempre.

E foi com “Fireworks” e, mesmo, com fogo-de-artifício, que terminou mais uma edição deste grande festival.

- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Sigam-nos

13,066FansCurti
4,064SeguidoresSeguir
789SeguidoresSeguir

Parceiros

Relacionados

Crítica – Spiral: From the Book of Saw

Spiral pode oferecer sangue, gore e armadilhas/homicídios brutais o suficiente para os fãs da franchise, mas no geral, não deixa de ser apenas mais uma versão preguiçosa e previsível da fórmula de SAW.

Crítica – Wrath of Man

Wrath of Man não é um filme único, fascinante ou mesmo inovador, mas não deixa de ser uma das maiores e melhores surpresas do ano.

Metz regressam a Portugal no próximo ano

O trio canadiano dará dois concertos: um no Porto e outro em Lisboa.

Crítica – The Mitchells vs. The Machines

The Mitchells vs. The Machines pode não ter o título mais catchy de sempre, mas é definitivamente um dos melhores filmes de animação dos últimos anos.
- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Recentes

Sim, os novos episódios de Dexter vão chegar à HBO Portugal

A nova série já começou a ser produzida, com uma data de estreia provisória no outono de 2021.

Crítica – Spiral: From the Book of Saw

Spiral pode oferecer sangue, gore e armadilhas/homicídios brutais o suficiente para os fãs da franchise, mas no geral, não deixa de ser apenas mais uma versão preguiçosa e previsível da fórmula de SAW.