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Análise – Return of the Obra Dinn

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Mais nem sempre é bom. Esta devia ser a filosofia de alguns dos maiores estúdios da indústria dos videojogos. A ideia de conseguirmos dar uma experiência completa e cativante sem necessitarmos de um leque de mecânicas complexas ou de um mapa extenso e repleto de conteúdos adicionais devia ser o objetivo de todos os produtores. Infelizmente, vivemos numa era onde o contrário acontece, onde o mais é sempre melhor e onde os jogadores se veem divididos entre jogos intermináveis e sem um cunho pessoal e artístico. E quando menos esperamos, surgem jogos como Return of the Obra Dinn para reequilibrar a indústria.

Criado por Lucas Pope (Papers, Please), Return of the Obra Dinn é um jogo de aventura e investigação que chega finalmente às consolas depois de uma estreia triunfal no PC.

Considerado por muitos críticos como um dos melhores títulos de 2018, não existem dúvidas de que se trata de um jogo especial, onde nada é deixado ao acaso. Munindo-se com uma premissa simples, mas igualmente misteriosa, o jogo deixa-nos a explorar o navio Obra Dinn após o seu desaparecimento misterioso. O nosso objetivo é apenas um: descobrir o que aconteceu aos seus 60 tripulantes.

Para tal, precisamos de reconstruir os locais do crime e definir as causas da morte de cada um dos tripulantes. Como um jogo de aventura, Return of the Obra Dinn relembra-nos os clássicos point and click, mas deixa a jogabilidade estática por uma maior liberdade de movimentos, assumindo uma perspetiva na primeira pessoa que amplifica a investigação e a atenção aos detalhes deste tipo de jogos. Para descobrir tudo, podemos explorar livremente o navio em busca de corpos ou de restos mortais para continuar a investigação.

O progresso é caraterizado pela localização dos tripulantes e pela investigação das causas que os levaram à morte. Com um relógio capaz de voltar atrás no tempo, a nossa personagem tem acesso aos últimos momentos de cada vítima, conseguindo verificar não só a forma como morreram, mas também quem foi o culpado e qual a arma do crime. Este é o objetivo do jogo, estes três elementos que parecem estar perdidos no tempo. Para finalizarmos a investigação, temos de descobrir o destino do navio, interligar as suas vítimas e determinar qual foi o motivo principal para o seu desaparecimento.

Return of the Obra Dinn é um dos jogos mais simples e diretos que joguei este ano, mas é também o mais complexo. Apesar da simplicidade das suas mecânicas, que se resumem à exploração na primeira pessoa e à utilização intuitiva do relógio – que nos transporta automaticamente para uma versão estática do passado –, o jogo esconde todo o seu ADN de quebra-cabeças na ligação entre personagens e na forma como vai apresentando os tripulantes e as causas da sua morte.

Muitas das vezes, o jogo apresenta-nos apenas a arma do crime ou o culpado, o que significa que nunca temos acesso a todas as informações de uma só vez. Para descobrirmos tudo, temos de triangular as informações, comparar rostos, verificar nomes e nacionalidades, entre outros, para chegarmos a uma conclusão.

Não estamos completamente despidos e dependentes da nossa intuição. Para além do relógio, temos acesso a um livro de registos que vamos atualizando à medida que avançamos na investigação. É nesse livro, de fácil acesso ao longo da campanha, que temos todas as informações que necessitamos para resolver os vários mistérios. Desde nomes até às nacionalidades e retratos, temos acesso constante a dicas visuais que nos permitem determinar a identidade da tripulação. Com a ajuda do relógio e do livro de registos, temos tudo o que é preciso para chegar ao fim do mistério.

Esta aposta em mecânicas simples e intuitivas dão força ao tom e ambiente do jogo, que é complementado pelo estilo visual clássico. Com vários tipos de cores e formatos, que podem ser acedidos através do menu, Obra Dinn parece ser um jogo de aventura dos anos 80, apresentando cores berrantes e um design nostálgico que é baseado em linhas pretas sobre fundos monocromáticos. E mesmo envolto nesta simplicidade, este é um dos jogos mais complexos, desafiantes e viciantes que joguei este ano.

Obra Dinn não é um jogo fácil. Apesar de concentrar as suas mecânicas em dois elementos de fácil utilização, a campanha não é tão intuitiva como poderão pensar. É preciso pensar e raciocinar sobre os acontecimentos, analisar cada cena do crime e comparar as informações que descobrimos com os dados já disponíveis no livro.

Para tal, temos de explorar e estarmos atentos não só às personagens, mas também aos cenários. Como descobrir se aquela pessoa é ou não o capitão? Se calhar é impossível definir isso à primeira e precisamos de continuar à procura até encontrarmos uma personagem que mencione o nome do capitão. Com esse nome, basta confirmar se corresponde ao nome da personagem anterior.

E mesmo depois desta pesquisa, o jogo nunca nos dá uma resposta concreta até encontrarmos três soluções distintas. Só ai saberemos se estamos certos ou errados – o que cria uma sensação constante de dúvida nos jogadores.

Return of the Obra Dinn é uma excelente aventura gráfica e um jogo de puzzles tremendo, especialmente para quem não gosta de quebra-cabeças. O seu foco na investigação e na reconstrução de cenas do crime é delicioso, e senti-me sempre impelido em descobrir a próxima vítima e em perceber o que lhe aconteceu. Com um estilo visual de destaque e uma campanha desafiante, este é um jogo que não devem perder.

Return of the Obra Dinn

Plataforma: PC, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch
Este jogo (versão Xbox One) foi cedido para análise por Lucas Pope.

Return of the Obra Dinn é um excelente jogo de aventuras e puzzles que chega às consolas numa versão imaculada e perfeita para todos os fãs do género.

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