A mais recente newsletter da Alinea Analytics compilou as estimativas de vendas dos principais remakes e remasters lançados desde novembro de 2020, com Resident Evil 4 a liderar a lista nostálgica.
De acordo com a Alinea Analytics, Resident Evil 4 é o remake mais popular da atual geração de consolas e videojogos, tendo somado mais de 16,8 milhões de cópias vendidas na PlayStation, XBOX e Steam. Os dados fazem parte da mais recente newsletter, que apresenta a lista dos remakes e remasters mais vendidos desde novembro de 2020, numa semana marcada pelo lançamento de Halo: Campaign Evolved, o remake do FPS influente em consolas nas últimas duas décadas e meia e um dos jogos mais importantes da história da XBOX.
Ainda sobre Resident Evil 4, de acordo com os dados partilhados, só durante este ano, o jogo da Capcom já terá vendido perto de quatro milhões de unidades adicionais, ultrapassando os 560 milhões de dólares em receitas brutas, revelando a força do IP e da nostalgia. Mas convém também recordar, que no início deste ano tivemos Resident Evil Requiem, uma nova entrada na série Resident Evil, novamente com Leon como protagonista, que pode ter influenciado a corrida ao jogo.
Mais detalhadamente, a Alinea Analytics estima que quase metade das vendas de Resident Evil 4 tenha sido registada na PlayStation, enquanto a Steam representa cerca de 43% das unidades comercializadas. Apesar de a receita média por cópia ser inferior na plataforma da Valve, devido aos descontos frequentes e ao peso de mercados como China, Brasil e Rússia, a participação da Steam nas receitas totais do jogo tem vindo a aumentar desde o lançamento.
Na segunda posição surge, surpreendentemente, Ark: Survival Ascended, com sete milhões de cópias vendidas. A Alinea Analytics refere que este remake de Ark: Survival, lançado em 2023, beneficiou da chegada aos catálogos do PlayStation Plus e do XBOX Game Pass menos de um ano depois do lançamento, permitindo ultrapassar os 13 milhões de jogadores entre as três plataformas. Ao todo, o jogo terá gerado perto de 230 milhões de dólares em receitas e continua a registar aproximadamente 1,4 milhões de utilizadores ativos por mês, maioritariamente na Steam.
O restante ranking é composto por The Last of Us Part I, com 6,3 milhões de cópias vendidas, The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered, com 4,5 milhões, Dead Space, com 4,3 milhões, Final Fantasy VII: Rebirth (segunda parte do projeto Remake de Final Fantasy VII), com 4,2 milhões, e Silent Hill 2, que conclui a tabela com 3,2 milhões de unidades vendidas. No caso de Oblivion Remastered, a consultora estima ainda que outros 4,1 milhões de jogadores tenham acedido ao jogo através do Game Pass, enquanto Dead Space registou uma maior adesão na Steam do que nas consolas.
A análise faz alguns comentários sobre alguns destes títulos, recordando, por exemplo, que Final Fantasy VII: Rebirth representou uma mudança na estratégia da Square Enix. Depois de um lançamento inicial enquanto exclusivo temporário na PlayStation 5, o jogo chegou posteriormente à Steam, à XBOX e Nintendo Switch 2, somando sucessivamente mais vendas e jogadores. Já o capítulo final da trilogia já será lançado em simultâneo em todas as plataformas logo no primeiro dia.
Outro título digno de comentário é Silent Hill 2, que teve um lançamento semelhante, enquanto exclusivo temporário de consola na PlayStation 5, com lançamento em simultâneo no PC e posteriormente na XBOX. A Alinea Analytics estima que o remake tenha gerado cerca de 170 milhões de dólares em receitas e considera que o seu desempenho comercial contribuiu para revitalizar a série da Konami, mas não parece ser sido o suficiente para alterar a sua estratégia, uma vez que Silent Hill: Townfall será novamente lançado apenas na PlayStation 5 e PC.
Na análise que acompanha estes dados, a Alinea Analytics defende que o crescimento dos remakes e remasters resulta do aumento dos custos de desenvolvimento, os ciclos de produção mais longos e a necessidade de reduzir riscos, levando as editoras a apostar cada vez mais em propriedades intelectuais já conhecidas pelos jogadores. Assim, ao reutilizar jogos com procura comprovada e uma base de fãs estabelecida, as empresas conseguem encurtar os tempos de produção e aumentar a previsibilidade das receitas.
A consultora considera ainda que esta estratégia não substitui o desenvolvimento de novas propriedades intelectuais, mas pode ajudar a financiá-las. De acordo com a Alinea Analytics, editoras como Capcom, PlayStation, Konami, Square Enix e XBOX têm recorrido cada vez mais aos remakes e remasters para manter as suas principais séries ativas para gerar receitas adicionais entre os grandes lançamentos. Prevê-se desta forma que esta tendência deverá continuar enquanto os custos de produção dos jogos AAA permanecerem elevados.
