Super Bock em Stock, Dia 2 – O Ontem, Hoje e Amanhã dos Porridge Radio, a Mudança de Céu e a Festa do Sol dos Miami Horror

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Vemo-nos em 2023!

Segundo dia sem chuva no, talvez, único festival de música que, em Lisboa, costuma levantar esta dúvida de forma credível. E foi de forma suave e fácil que se chegou ao Capitólio para ver Papillon, nome de MC de Rui Pereira, e um dos valores fortes da nova voga do hip hop português. Jony Driver é o prato do dia e Papillon serve-o de forma alegre – logotipo de nome artistico impecável e a puxar pelo público bem disposto a recebê-lo, embora “Impasse, de produção Slow J no disco Deepak Looper, continue a ser a assinatura do chefe. Opção certa pela combinação baterista e guitarrista, este último com grande estilo visual em cima do palco, a fazer lembrar por vezes o mito Marco Duarte, compagnon de route essencial de David Bruno (outra das figuras desta edição do Super Bock em Stock (SBES). A aposta desta configuração do Capitólio em Bloco Moche parece ter ganho tracção, e já seria estranho pensá-lo de outra forma.

Os Porridge Radio, por sua vez, seriam porventura o nome maior do cartaz de 2022 do SBES, e foi algo surpreendente o horário de abertura – 20h45 -, com casa composta mas modesta, a fazer lembrar outras apresentações recentes no Coliseu dos Recreios que fazem suspirar por melhor. Mas não foi isso que fez vacilar os de Brighton após a estreia nacional em Paredes de Coura, liderados por Dana Margolin em bela forma (mais uma opção t-shirt branca/calças subidas a fazer lembrar os The Murder Capital naquele querido mês de agosto, via inspiração no ideólogo do indie inescapável Steven Patrick Morrissey até lá longe a James Dean).

O alinhamento é já tremendamente forte, a fazer pensar em coletivos com mais dois ou três discos no cinto, pelo menos. “U Can Be Happy If U Want To”, por exemplo, é hipnose forte a trazer os mais tímidos para uma frente comum sindical nas primeiras filas. Já Sam Yardley (bateria com os dizeres “World class music” para todos verem) dá piruetas nas baquetas como se a MTV ainda fosse a ameaça primordial às estrelas do rádio em “Back to the Radio” (tão natural que parece que sempre fez parte da banda sonora das nossas vidas) e Maddie Ryall garante que não falta a dose certa do baixo, ingrediente secreto mas que toda a gente reconhece nestes hinos confessionais de hoje que parece que recebemos de herança, mas neste noite é Geordie Stott (teclas) que esmaga em termos de carisma puro. Cabelo ruivo, uniforme colegial, lata da marca de cervejas que patrocina o evento e um ar frio, mas a passar a sensação de quem está a perceber o impacto no palco do conjunto e estar a gostar de estar do outro lado. Candida Doyle dos Pulp ficaria feliz. “The Rip” é a condensação deste quarteto tão clássico, mas tão fresco ao mesmo tempo, dando espaço para todos brilharem. Se não encherem nas Portas de Santo Antão daqui a uns anos, então algo está muito errado.

Entretanto, Irma dava concerto na amiga Casa do Alentejo onde deixa passar o seu carácter atrevido, que se atreve a cantar “La Bohéme”. Multi-talentosa (canta, dança e atua), “Filha da Tuga” é o bilhete da identidade do passado angolano e futuro lisboeta (um dos grandes padrões do SBES deste ano), numa atuação que mexeu e fez mexer.

No São Jorge, a brasileira Céu dá um concerto um pouco diferente das expectativas de quem vem formatado do já com meia dúzia de anos Tropix (2016). Da simplicidade bela de “Perfume Invisivel”, passámos para  “Bim Bom” de Um Gosto de Sol (2021) e, de flor branca gigante ao peito e botas da mesma cor, dá uma atuação mais cheia em termos de instrumentistas em palco. O cume desta lógica é “Deixa Acontecer”, na gravação em colaboração com Emicida. Foi festa e foi vendaval de entra e sai de público. O interesse maior pela obra inicial mantém-se, mas o talento é inegável.

Por último, os Miami Horror deram uma proposta bem diferente no Coliseu do que Ela Minus na noite anterior. A luz substituiu as sombras no final da noite e foi uma atuação com o calor australiano que a eletrónica dançante de Benjamin Plant e Daniel Whitechurch brindou o público, com vocalistas múltiplos e festas como “Sometimes” e 2Look to You”. Quem andou a planear o calendário planeou os fechos bem.

Foi uma edição bonita. Até 2023!

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