Reportagem: Paixão Pelo Vinho Awards Wine Party (II/II) – Piso de Baixo e Conversas com Enólogos

Descemos então, mas continuamos mais um pouco pelo Norte.

Desta vez com Márcio Lopes: Este jovem enólogo e produtos apresenta-se com o seu Pequenos Rebentos, em versão Alvarinho e Loureiro. O primeiro ainda com apenas três semanas de garrafa, ainda instável, mas a prometer evolução interessante para gerar maior cumprimento de boca, e o segundo já com mais volume e elegância. Muito fino de boca. O Pequenos Rebentos apresenta-se ainda em modalidade Vinhas Velhas. Estágio em barrica velha, com recurso a battonage. Frescura sem deixar de ter acidez e final persistente.

Em seguida passamos para o Douro, com o rótulo Permitido. Também aqui temos escolha, com o Rabigato, feito em altitude de 650/700 metros no Douro Superior, a mostrar mineralidade mas também fruta, com muito equilíbrio, a puxar para o seco e a pedir harmonização com comida. Já o Viosinho apresenta mais pólvora, sem deixar de ser floral.

Paulo Ramos – Quinta de Paços (Barcelos) / Casa do Capitão-Mor (Monção): Mais um produtor de referência, mas desta vez um que faz questão em dizer que não é enólogo (“Não podemos só ficar na mão dos enólogos…”, atira em modo de provocação, lembrando que, quando se lembrou de juntar Alvarinho e Loureiro, muitos o chamaram de louco). Ao nível da prova, destaca-se o Casa de Paços, blend de Loureiro e Arinto, estagiado em cubas de inox, agradável e pronto a beber. No entanto, o Alvarinho da Casa do Capitão-Mor sai vencedor, cremoso e com longo final, com perfil cítrico e acidez equilibrado. Um belo vinho.

Tempo para subir ao double-decker bus e apanhar algumas conversas com enólogos. A começar, António Ventura, uma referência de décadas, que vem falar da sua experiência com vinhos de talha, nomeadamente na Sovibor, em Borba. Tintos de perfil mais suave do que o típico, uma tendência em crescimento e que promete ganhar cada vez mais presença.

De seguida falou Osvaldo Amado, enólogo conhecido pelo seu trabalho com espumantes mas com vasto trabalho em quase todos as regiões de Portugal, e que aqui falou da sua ligação profissional à Adega de Cantanhede. De destaque um tinto 2014, engarrafado em 2017 e com muita madeira.

Um evento com muita qualidade e potencial apresentado e que recompensou os apaixonados pelo vinho.

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