Reportagem: Paixão Pelo Vinho Awards Wine Party (I/II) – Piso de Cima

No passado dia 2 de março, o restaurante Beatus, curiosamente situado já na freguesia de Marvila, recebeu mais uma edição dos prémios da revista Paixão pelo Vinho. Este evento, para além da entrega de prémios para aqueles que foram, e foram 56, os melhores para os redatores da publicação durante o ano de 2018 – nas categorias Prestígio, Excelência e Escolha – foi também uma oportunidade para poder provar vários dos vinhos premiados, para além diversas novidades do produtores que ali marcaram lugar. Tudo isto num ambiente de festa, DJ incluído.

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Adicionalmente, aconteceu também um conjunto de “Conversas com Enólogos”, com cerca de 20 minutos de duração cada, e que ocorreram a bordo do típico autocarro londrino que se encontra permanentemente estacionado no interior do Beatus.

Tendo tido a oportunidade de provar várias opções de grande interesse, demasiadas para caber num artigo só, vamos seguir o enquadramento dos diversos expositores que se encontravam distribuídos pelos dois pisos do restaurante e, inspirados por um popular anúncio a detergentes de há alguns anos atrás, separar os vinhos por Villa Riba e Villa Bajo.

Maçanita Irmãos & Enólogos / Azores Wine Company: António Maçanita mostrou-se em campo com duas ofertas distintas, apresentando o seu Arinto dos Açores, de travo bem característico desta região ainda muito por descobrir a nível vinícola, mas foi o Maçanitas Branco – um Vinhas Velhas do Douro – a brilhar, com um nariz rico e um travo decidamente mais floral.

Espaço para uma nota que ajuda a explicar parte das diferenças de perfil entre vinhos brancos. A fermentação no vinho apresenta dois tipos, a alcoólica e a malolática. Este segundo processo é imprescindível nos tintos mas não nos brancos, e consiste na passagem do ácido málico, mais ácido para o ácido láctico, de carácter mais suave. Desta forma, um branco sem maloláctica é mais fresco, razão pela qual a maioria acaba por ser produzida desta forma. No entanto, com maloláctica, torna-se um vinho com tendência a ser mais complexo e com mais corpo. É, pois, um equilíbrio em que importa acertar.

Anselmo Mendes: Um dos porta-estandartes da região dos vinhos verdes, embora com outros projetos interessantes também, Anselmo Mendes trouxe muitas prendas para a festa dos prémios da Paixão pelo Vinho. Assim, a prova começou pelo Muros Antigos Loureiro, estagiado em pequenas cubas de inox, o que garante frescura e intensidade de sabores para este clássico de óptima RQP (relação qualidade/preço). De seguida, os Alvarinhos. De Monção, o Contacto. Também com estágio em cubas de inox, com o floral e fruta fresca a destacar-se. Refira-se que recentemente, começou a ser explorada neste emblemático concelho a Quinta da Torre, de 50 hectares, invulgares para a zona. Com sete tipos diferentes de solo e muita vinha nova a ser plantada, daqui a cinco ou seis anos esperam-se resultados entusiasmantes.

Expressões de Melgaço vem a seguir, um Alvarinho mais mineral, de maior nervo, a sinalizar estes vinhos como claramente de terroir. Estágio em carvalho francês de 300/400 litros. O Curtimenta, Alvarinho Monção/Melgaço, apresenta já estágio de um ano em barrica sobre as borras totais, com fermentação em pele. Perfil cítrico forte e complexidade elevada, um branco de guarda. Os verdes brancos terminam com o Parcela Única, Alvarinho de Melgaço, um vinho especial. Estágio em barricas de 400/500 litros. Tradicionais notas minerais no início, mas depois muitas outras notas, citrino, frescura, corpo, um final muito prolongado. Uma estrela, que só ganha em ser guardado mais três ou quatro anos.

Para acabar, uma transição com o Blanc de Noirs 2018, Alvarelhão, casta antiga e injustamente esquecida. Um vinho branco de uvas tintas, ácido mas de boa finura, e o Pardusco Private 2018, blend de Vinhão, Alvarelhão, Cainho e Pedral, com 15% Alvarinho. Mais de um ano em barricas usadas, com mais lastro, embora não deixando de ser leve. Um verde tinto o final da tarde. A provar que o Alvarelhão de Monção pode ser a resposta aos Pinot Noirs da Borgonha, como afirma o mestre.

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