Godspeed You! Black Emperor: Quando nos perdemos num império intenso e sereno

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No sábado passado, o Lisboa ao Vivo teve uma enchente de pessoas para assistir a um dos concertos que o aclamado coletivo anarquista canadiano, os Godspeed You! Black Emperor, deu no nosso país em modo de celebração do 13º aniversário da Amplificasom.

A última vez que a banda esteve em Portugal foi há cinco anos, para atuar no Primavera Sound, mas a atuar num palco só para eles foi há 16 anos, aquando da promoção do álbum Yanqui U.X.O (2002), atuando no Teatro Sá da Bandeira no Porto e no Teatro Municipal São Luís em Lisboa e, passando mais tarde, pelo Amplifest em 2012. 

As honras de abertura estiveram a cabo dos Light Conductor, projeto formado por Jace Lazek dos Besnard Lakes e Stephen Ramsay dos Young Galaxy, que nos vieram apresentar com o seu álbum de estreia Sequence One, disco que os afastam do reino indie dos outros projetos e os fazem entrar no espaço experimental do drone, atravessado por meio de síntese modular. O concerto desenrolou-se inicialmente em torno de sintetizadores antigos que foram recuperados pelos músicos, que, fazendo-se acompanhar por um terceiro elemento, Olga Goreas, criaram uma atmosfera minimalista, ambient, quase a aproximar-se dum chill out.

Juntos, os três músicos fizeram com que o público participasse numa jornada imersiva de fusão de sons que se foi transformando num intenso drone de guitarras distorcidas. Os cerca de 45 minutos da peça inteira com muito improviso à mistura levaram a uma inevitável e digna ovação do público.

Créditos: Carlos Mendes

Publicado por Echo Boomer em Terça-feira, 12 de novembro de 2019

Entre o concerto dos Light Conductor e o compasso de espera pelo início do concerto dos Godspeed You! Black Emperor, continuavam a chegar pessoas à sala e, aquando da entrada em palco da banda cabeça de cartaz, o público estava deveras compacto.

Os GY!BE iniciaram o concerto com a entrada aos poucos dos membros do grupo, começando a ouvir-se as palmas do público com os primeiros acordes tocados por Sophie Trudeau no violino e por Thierry Armarno no violoncelo, edificando o primeiro tema da noite “Hope Drone”, que apareceu de várias formas ao longo dos anos, indo desta vez além de uma peça de drone em favor de uma experiência de grupo que nos conduz numa viagem com uma paisagem intangível e abrindo caminho para a “Bosses Hang” do álbum mais recente da banda, Luciferian Towers. A química intuitiva dos GY!BE leva a banda a dar corpo à composição com floreados impressionistas, apesar de ainda travar um ritmo constante.

Formados num quase semicírculo para melhor ver e responder ao outro, os oito membros da banda fizeram a transição perfeita de uma paisagem sonora impenetrável para a seguinte, por entre músicas como “Glacier”, “Anthem for No State”, “Cliff” ou “Moya”. A banda deixa bem claro porque é que mantém dois cineastas a fazer parte da equipa.

Criadas exclusivamente para cada espetáculo, as projeções analógicas usadas ao longo do set demonstraram ser extremamente importantes para o impacto causado por cada música, como no tema de fecho,“BFF3”, que se tornou ainda mais poderoso devido às imagens de notícias de protestos e violência política.

Em suma, assistir a um concerto dos Godspeed You! Black Emperor é uma experiência etérea, ruidosa e avassaladora, mas nada agressiva ou conflituosa; é uma emoção que nos agarra sem nos chocar, que nos conforta ao invés de perturbar a nossa paz interior.

Texto de: Joana Teixeira; Fotos de: Carlos Mendes

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