Reportagem – Enóphilo Wine Fest no Hotel Marriott Lisboa

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Muitos e bons vinhos.

Dia 23 de abril foi sábado soalheiro, clima ideal para o regresso do Enóphilo Wine Fest a Lisboa, paragem numa tournée organizada pela Enóphilo (ex Wine Club Portugal) e que contará com paragens futuras em Braga no próximo dia 28 de maio, assim como em Coimbra no dia 25 de junho, num esforço de multiplicação de centralidades que saúda.

Para esta edição alfacinha, destaque desde logo pela estreia nestes eventos de uma prova centrada numa região vinícola fora de Portugal, no caso a região de Bierzo, na transição de Castela-Leão para a Galiza, e lar da célebre casta tinta Mencia. Prova orientada por César Márquez, um dos enólogos que está a redefinir uma região de vale rodeada por montanhas, onde se encontram plantados cerca de 2.700 hectares, alguns com 80 ou até 100 anos.

A prova foi composta por três brancos e três tintos, e não obstante a fama da Mencia, acabámos por aderir mais à branca Godello, desde logo pelo La Salvación 2020 (17,70€ + IVA), estagiado um ano sem battonage em barricas de Xerez e com uma produção bem limitada de 3.200 garrafas. Fresco, mineral, pedra molhada. O Mengoba la Tinaja 2018 (cerca de 30€ + IVA), também Godello mas com estágio em ânfora, apresenta a dimensão petrolada típica deste perfil, mas com equilíbrio e subtileza.

Nos tintos, tem-se vindo a apostar numa organização parecida com as grandes regiões francesas, em particular com a Borgonha, numa lógica de criação de vinhos de vinha, e contrariando o estilo mais associado aos anos 90, de vinhos muito concentrados e com muita madeira (à semelhança do que aconteceu em Portugal). Nessa lógica, e dos três vinhos que se provaram, refira-se o Valtuille Vino de Villa 2020 (também nos 30€ + IVA para o nosso mercado). De cepas centenárias, sem levedura nem controlos e com estágio em barricas com 4/5 anos, um tinto que vinho que tenta seguir a linha dos clássicos borgonheses.

Mas havia mais ali das provas no Enóphilo. Muito mais, a atestar pela colmeia de atividade nas salas com carpete bem alta do Marriott, com diversos produtores de norte a sul presentes como é de tradição. Desta vez, apostámos em dois produtores originários de pontos bem distintos.

Voltámos às mãos sábias de Constantino Ramos e do projeto Turra, em Celorico de Basto. Na versão PétNat, o Turra PetNat Azal 2020 (10€), apresenta um carácter directo, ancestral, para convívio entre amigos ou para refeição, até como limpa palato. O Turra PetNat Rabo de Anho Rosé 2020 (10€) é igualmente fresco, mas com um carácter primário mais intenso, com muita fruta silvestre. Boas opções num estilo que vai trilhando o seu caminho por cá. O já novo clássico Turra Vinhão 2019 (6€) é um grande representante daquilo que um vinhão pode ser, sem desmerecer as potencialidades do estilo clássico. Mais aberto, com mais morango (não morangueiro, esse clássico da zona), taninos fortes, mas tratados de forma delicada. É um grande negócio para locais e para quem queira desmistificar o preconceito.

Mais a sul, no Alentejo profunda, as XXVI Talhas, de Vila Alva, são uma forte representante da tradição do vinho de talha, com a curiosidade da prova ter sido dada com os brancos e tintos em alternância. O XXVI Mestre Daniel Branco 2019 (20€) apresenta a resina e pez clássico do estilo, seco mas equilibrado na acidez, num lote de Antão Vaz, Diagalves, Perrum, Roupeiro e Manteúdo. Já o XXVI Mestre Daniel Tinto 2019 (20€) acrescenta ao petrolado clássico bastante frescura de fruta. Trincadeira, Aragonez e Tinta Grossa.

Na gama de topo, o XXVI Mestre Daniel Talha X Branco 2019 (35€), composto por Antão Vaz, Diagalves, Perrum, Roupeiro e Manteúdo, é mais límpido do que seria talvez expectável, mas com a fruta madura típica, até conserva, mas muito delicado, fino. Por último, o XXVI Mestre Daniel Talha XV Tinto 2019 (35€), só de Tinta Grossa leva o rasgo mais longe, a trazer um vegetal inesperado às fruta madura e à resina do barro. De uma elegância na diferença que já é um marco neste estilo florescente.

Fotos de: Emanuel Canoilas

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