Nova plataforma Radar Cultural pretende facilitar o acesso a financiamento nacional e internacional para o setor cultural e criativo dos Açores.
O setor cultural e criativo dos Açores passa a contar com uma nova ferramenta orientada para o acesso a financiamento externo. A plataforma Radar Cultural, criada pela gestora cultural Daniela Silveira, foi desenvolvida com o objetivo de responder a uma limitação estrutural identificada no arquipélago: menos de 1% das entidades culturais consegue atualmente aceder a apoios e financiamentos fora do contexto regional.
A criação do Radar Cultural surge num cenário em que o setor cultural açoriano nunca dispôs de um serviço estruturado de apoio ao financiamento nacional e internacional. Apesar de sucessivas reivindicações por parte de profissionais e organizações culturais, e da existência de entidades com potencial para assumir esse papel, essa resposta não se materializou até agora. A nova plataforma apresenta-se, assim, como uma iniciativa privada que procura colmatar essa lacuna, há muito reconhecida no território.
A proposta passa por centralizar, organizar e divulgar informação sobre oportunidades de financiamento para a cultura, incluindo concursos, programas de apoio e linhas de financiamento disponíveis em Portugal e no estrangeiro. Ao tornar esta informação mais acessível e sistematizada, o Radar Cultural pretende facilitar o trabalho de artistas, associações e estruturas culturais que procuram financiamento para desenvolver projetos nos Açores.
A atuação da plataforma assenta em três áreas complementares. A primeira centra-se na disseminação de informação, através de uma newsletter mensal e da presença em redes sociais como Instagram e LinkedIn, onde são partilhadas oportunidades relevantes para o setor cultural e criativo. A segunda área é dedicada à formação, com sessões regulares, presenciais e online, orientadas para capacitar agentes culturais na preparação de candidaturas a financiamento. Este modelo procura ultrapassar as limitações geográficas do arquipélago, garantindo acesso a participantes em diferentes ilhas. A terceira vertente corresponde ao acompanhamento técnico, através de serviços de consultoria e apoio direto a projetos em fase de candidatura a financiamentos.
Segundo Daniela Silveira, a principal dificuldade do setor não está na ausência de projetos ou de talento, mas sim no acesso à informação e às ferramentas necessárias para concorrer a financiamento externo. A criação do Radar Cultural resulta dessa constatação e da tentativa de estruturar uma resposta prática para um problema identificado há vários anos.
O lançamento da plataforma dá continuidade a um trabalho iniciado em outubro de 2025, quando Daniela Silveira começou a dinamizar ações de formação dirigidas ao setor cultural e criativo dos Açores. Esse percurso teve início com um ciclo de três sessões focadas no financiamento europeu, realizadas antes da abertura do programa Europa Criativa, o principal programa da União Europeia de apoio às indústrias culturais e criativas. A realização dessas sessões nesse período procurou antecipar o calendário de candidaturas, permitindo preparar potenciais interessados antes da abertura das oportunidades de financiamento.
