Primavera Sound – O que se fez em Barcelona e pode ecoar no Porto

por Bruno Rocha Ferreira

A inspiração é óbvia e a adaptação é manhosa – Maximus Decimus Meridius inspira as tropas antes da batalha com a frase “Brothers, what we do in life… echoes in eternity” na épica cena inicial de Gladiador, mas é com alguma liberdade que vamos olhar para os ecos da receção aos guerreiros musicais da semana passada no Parc del Fòrum, sede do irmão mais velho do NOS Primavera Sound, e antecipar um pouco o que será essa bela eternidade no mais verdinho Parque da Cidade. Os Campos Elísios são bem mais simpáticos naquele formato.

O que ver no primeiro dia do NOS Primavera Sound

Assim, e para quinta-feira, primeiro dia do NOS Primavera Sound, expetativas em alta obviamente para o grande Jarvis Cocker, além de poeta celebrado (quantos na mesma posição têm livros editados pela Faber & Faber?), um entertainer consumado e que vale bem a viagem, mesmo se o tempo não ajudar.

Antes, pelas 19h50, chega a reunião dos Built to Spill, cuja atuação em Barcelona teve reações variadas, com algumas a indicar um concerto algo em piloto automático. Oportunidade rara, porém.



Já o multi-facetado rapper do nativo de Detroit, Danny Brown, tem obtido vários encómios, com uma atuação considerada electrizante para este reinventor do género.

O regresso dos Stereolab é naturalmente um dos pratos fortes do Primavera de 2019, esperando-se um espetáculo musicalmente impecável.

Temos ainda Solange, com opiniões algo divergentes. Da análise efetuada, há quem tenha adorado, há quem tenha achado frio, não obstante os evidentes dotes vocais. Arriscamos dizer que vai ser uma atuação essencialmente para convertidos.

E no segundo dia?

Sexta-feira, num dia que já se espera essencialmente seco, e num exclusivo do Porto, vai receber pelas 18h os coreanos Jambinai, peritos na síntese de sons tradicionais com pós-rock e metal. Prometem um belo concerto, na sequência das suas anteriores visitas.

De entre os jokers, o rock experimental ao vivo dos espanhóis Lisabö, já veteranos de 20 anos, tem merecido boas reações, antes de Courtney Barnett, a qual parece ter chegado a um ponto de rebuçado após alguns anos na estrada. Um concerto que se espera ser bem acima do de Algés há poucos anos.



As quatro baterias do turbo-jazz dos Sons of Kemet XL promete ser um dos momentos mais únicos do festival, antes da atuação do clássico dos clássicos Primaveris (não há sinal de Bradford Cox este ano), os Shellac. Nunca ter ouvido aquele “End of Radio” no final é falha grave, para o verdadeiro aficionado.

Num dos grandes engarrafamentos desta edição, Liz Phair, J Balvin e Fucked Up atuam praticamente ao mesmo tempo. Propostas bem diferentes, mas o festão de Fucked Up é garantido à partida, mesmo que se queira devanear a certa altura.

Quanto a Interpol, a expetativa será a manutenção da sua forma rápida e concentrada em modo concerto, sem grande exteriorização, antes da entrada em cena de James Blake, um dos nomes mais aguardados do cartaz.

O terceiro e último dia do NOS Primavera Sound tem muito que se lhe diga

Chegados a sábado, e após a bonita oportunidade para ver Lena d’Água e Primeira Dama apresentar um dos discos mais interessantes dos últimos tempos, os Viagra Boys atuam num horário à partida demasiado vespertino e num palco, o SEAT, que se teme vá ser demasiado inóspito. Mas não será por isso que se vão deixar de ouvir aqueles malhões.

Pese o talento de Lucy Dacus, em 2019 os Big Thief estão em alta, com disco muito bem recebido e uma provável atuação ao sabor do vento, um pouco à maneira do que aconteceu o ano passado em Paredes de Coura. Uma banda na fase certa para ver.



Porém, às 19h50 lá vem ele, tem de se abrir alas para o mito vivo Jorge Ben Jor, o grande exclusivo do Porto. Não dá para escapar. Outro cromo dourado e raro, o dos Guided by Voices. Mesmo sem oportunidade para dar um dos seus paquidérmicos concertos, vai ser bonita à mesma a festa, com o seu ritmo frenético.

Rosalía, o nome que apareceu de repente no centro do radar musical, tem merecido bom feedback para o seu espetáculo em Barcelona, apresentando já muita consistência. O grau de expetativa vai, com certeza, trazer uma moldura humana que vai ajudar a que no Porto seja igualmente um triunfo.

Num outro combate de titãs, a música bonita dos Low vai merecer paragem, mas Neneh Cherry promete um concerto emocionante, na envolvência luxuriante do agora chamado palco Pull&Bear. Quem não se deixar arrastar por Erykah Badu e quiser permanecer pelo recanto verde do Parque da Cidade tem no caleidoscópio de Yves Tumor uma opção interessante para fechar o festival numa nota diferente.

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