A petição #SaveMassEffect continua a crescer após o encerramento da BioWare, contando agora com o apoio dos atores que deram voz ao Comandante Shepard e de outras comunidades de videojogos.
A comunidade de Mass Effect não está disposta a aceitar o fim da série da Bioware. Em apenas cinco dias, a petição #SaveMassEffect, criada a 21 de outubro na plataforma Change.org, ultrapassou as 200 mil assinaturas, com o número a continuar a aumentar. O movimento surgiu depois de a Electronic Arts anunciar o encerramento da BioWare e o cancelamento do próximo Mass Effect, entretanto identificado como Mass Effect Universe através de um trailer interno que escapou à Internet.
A petição, criada por Joe Smith, pretende convencer a Electronic Arts a continuar a investir na série, seja através do financiamento de um novo jogo, com os recursos e tempo necessários ao seu desenvolvimento, ou através do licenciamento da propriedade intelectual a outro estúdio. Embora existam também apelos à venda definitiva dos direitos de Mass Effect e à recuperação da BioWare, estas não são exigências expressas na petição principal.
Entre os apoiantes mais conhecidos encontram-se Jennifer Hale e Mark Meer, os atores que deram voz às versões feminina e masculina do Comandante Shepard na trilogia original. Hale publicou um vídeo onde imaginou um cenário em que os fãs organizariam uma campanha de financiamento através do Kickstarter, à qual se juntariam investidores e um estúdio de videojogos, formando uma colaboração para continuar Mass Effect. Para já, trata-se apenas de uma ideia partilhada pela atriz, mas que também acabou por motivar Mark Meer a publicar a sua própria mensagem. Meer mostrou-se favorável à proposta da colega e aproveitou algumas das expressões mais conhecidas de Shepard para incentivar os jogadores a participar: “Save Mass Effect. Hold the line. I should go, and you should go… sign that petition.”
Os apoios também começaram a surgir fora da comunidade de Mass Effect. A Owlcat Games, responsável pelo desenvolvimento de The Expanse: Osiris Reborn, manifestou publicamente o seu apoio ao movimento, recordando que a série televisiva The Expanse também tinha sido cancelada em 2018, mas acabou por ser salva graças à mobilização dos fãs, que ajudaram a convencer a Amazon a continuar a produção.
Entretanto, membros da comunidade de Destiny também começaram a divulgar a petição, nomeadamente através do movimento Guardians For Destiny 3. Trata-se de outra comunidade que passou recentemente por uma situação semelhante, depois de a Bungie anunciar o fim do desenvolvimento de novos conteúdos para Destiny 2. A decisão acabaria por ser revista em setembro, com a Bungie a confirmar que continuaria a investir em Destiny, reconhecendo diretamente a importância da reação dos jogadores.
Até a própria BioWare já tinha cedido parcialmente à pressão dos fãs. Em 2012, depois das críticas aos finais de Mass Effect 3, o estúdio lançou gratuitamente o Extended Cut, uma expansão que acrescentou novas cenas e epílogos para esclarecer as consequências das decisões dos jogadores. No entanto, a BioWare manteve os finais originais, pelo que a situação não é inteiramente comparável ao que está agora em causa.
Para além da petição, estão também a surgir outras iniciativas, incluindo uma campanha promovida pela criadora de conteúdos Kala Elizabeth, que anunciou a compra de um primeiro outdoor para divulgar o #SaveMassEffect. A proposta passa por levar a mensagem até às proximidades da sede da Electronic Arts, embora a localização e a instalação do anúncio ainda não tenham sido confirmadas.
Apesar desta mobilização, não existem para já sinais de que a Electronic Arts pretenda alterar a sua decisão ou negociar os direitos de Mass Effect. A recuperação da série continua, portanto, dependente da vontade da editora, mas os mais de 200 mil jogadores que já assinaram a petição procuram demonstrar que o interesse num novo Mass Effect está longe de desaparecer.
