Jogadores lançam petição “Don’t Kill the Disc” contra o fim dos jogos físicos na PlayStation

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Mais de 67 mil pessoas já assinaram a petição “Don’t Kill the Disc” que pede à Sony para manter os jogos físicos na PlayStation depois de 2028, ano previsto para o fim do formato em disco.

Esta semana, a Sony anunciou o fim da produção de jogos físicos na PlayStation, com a transição total para o digital prevista para 2028. Uma decisão gerou reação imediata por parte de jogadores e da indústria, dando origem à petição “Don’t Kill the Disc: Tell Sony to Keep Physical PlayStation Games“, na plataforma Change.org. Criada poucos dias depois do anúncio por Jade Pearce, diretora executiva da retalhista PNP Games, a petição já reúne mais de 67 mil assinaturas, número que continua a subir, pedindo à Sony que mantenha os lançamentos em disco para lá de 2028, preservando a possibilidade de os consumidores escolherem entre as versões digitais e físicas.

Os organizadores da campanha veem também esta petição como um aviso ao resto da indústria, uma vez que existe o receio de que outros fabricantes sigam o exemplo da Sony, tendo em conta que a PlayStation continua a ser a plataforma dominante no mercado das consolas. “Quando o líder do mercado acaba com o disco, o resto da indústria segue-o“, lê-se na descrição da petição.

Apesar das críticas dirigidas à Sony, os organizadores fazem questão de esclarecer que a campanha não é contra os jogos digitais. “Não somos contra o digital. Somos contra o facto de o digital passar a ser a única opção“, pode ler-se no texto. A petição reconhece que o formato digital tem hoje grande adesão, mas sublinha que continua a existir “uma comunidade grande e apaixonada” que quer continuar a comprar jogos físicos e que vê essa possibilidade em risco.

Um dos argumentos principais da petição prende-se com a diferença entre possuir um disco e ter apenas uma licença digital. De acordo com os organizadores, um jogo físico pode ser emprestado, revendido, trocado, oferecido, colecionado ou passado a outra pessoa, ao contrário de uma caixa que contém apenas um código de download. “Um disco é um jogo verdadeiro que possui. Uma caixa com apenas um código de download não é a mesma coisa“, relembram.

Os organizadores recordam ainda que a própria Sony construiu parte da sua imagem junto dos consumidores em torno dessa liberdade. Na apresentação da PlayStation 4, na E3 de 2013, a Sony fez questão de destacar que os jogadores podiam emprestar, vender ou oferecer os jogos comprados em disco, tendo mesmo publicado um vídeo a satirizar as restrições semelhantes que a XBOX previa introduzir. Treze anos depois, a petição considera que a Sony segue agora uma estratégia oposta e até hipócrita, constituindo uma traição à confiança do seu público.

A campanha alerta ainda para as consequências económicas do desaparecimento do formato físico, onde um mercado exclusivamente digital poderá afetar retalhistas, distribuidores, fabricantes, empresas de logística e o mercado de segunda mão, para além dos milhares de postos de trabalho ligados à produção e venda de jogos em disco.

A preservação dos videojogos é outra das preocupações levantadas pela petição, que argumenta que um futuro exclusivamente digital aumenta a dependência das lojas online e das licenças de utilização, colocando em causa o acesso aos jogos a longo prazo. A Video Game History Foundation partilha parte desta preocupação e considera que o desaparecimento do formato físico representa um revés para consumidores e colecionadores, defendendo, no entanto, que a preservação dos videojogos modernos exige soluções mais abrangentes, já que muitos títulos dependem de atualizações e infraestrutura online desde o lançamento.

Apesar da petição continuar a reunir novas assinaturas, mas nada indica que a Sony esteja disposta a alterar a decisão já anunciada. A Sony justificou o fim dos jogos físicos com a crescente preferência dos consumidores pelas compras digitais e mantém o objetivo de concluir a transição em 2028. Adicionalmente, até já começou a converter algumas das linhas de produção de média física para outras áreas de interesse da empresa. Ainda assim, a iniciativa mostra que uma parte da comunidade continua a contestar esta estratégia, tentando transformar esse descontentamento numa posição organizada dirigida à Sony e ao resto do setor.

David Fialho
David Fialho
Licenciado em Comunicação e Multimédia, considero-me um apaixonado por tecnologias e novas formas de entretenimento. Sou editor de tecnologia e entretenimento no Echo Boomer, com um foco especial na área dos videojogos.
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