O abandono do formato físicos pela PlayStation já começou a ter impacto na produção, com uma das principais fábricas da Sony a preparar a transição para um negócio completamente diferente.
A decisão da Sony Interactive Entertainment de abandonar o formato físico para novos jogos PlayStation a partir de 2028 já está a provocar alterações na cadeia de produção da empresa. Em Thalgau, na Áustria, uma das principais fábricas responsáveis pelo fabrico de discos PlayStation está a ser reconvertida para uma nova área de negócio, numa transformação que evidencia o impacto industrial do fim do formato físico.
Atualmente, cerca de 600 mil discos saem diariamente das linhas de produção da unidade da Sony DADC. E de acordo com o diretor da fábrica, Dietmar Tanzer, a PlayStation representa cerca de metade do volume total produzido e, desse valor, aproximadamente 20% corresponde a novos lançamentos. Com o fim da produção de discos para novos jogos, esse segmento passará a representar apenas cerca de 10% da atividade da unidade.
A reestruturação, contudo, não deverá traduzir-se em despedimentos, pelo menos para já. Os cerca de 300 trabalhadores da fábrica foram informados das alterações esta semana e a intenção da empresa passa por manter todos os postos de trabalho através de um programa de reconversão profissional.
Esta mudança também não surgiu de forma inesperada. Nos últimos anos, a Sony investiu cerca de 30 milhões de euros na criação de uma nova divisão dedicada às Micro Optics, antecipando uma redução gradual da produção de discos. Parte dos trabalhadores já foi transferida para esta nova área, que deverá iniciar a produção em série durante 2027, um ano antes de a empresa abandonar definitivamente os discos para novos jogos PlayStation.
A tecnologia Micro Optics consiste no desenvolvimento e fabrico de sistemas óticos miniaturizados capazes de controlar e direcionar a luz com elevada precisão. Estas microlentes podem ser integradas em equipamentos industriais, sensores, dispositivos eletrónicos ou na indústria automóvel, onde podem, por exemplo, projetar informação ou símbolos diretamente na estrada através dos sistemas de iluminação dos veículos.
A aposta representa uma mudança profunda para uma fábrica que, durante décadas, esteve associada à produção de suportes físicos de entretenimento. Em vez de fabricar discos para videojogos, filmes ou música, a unidade passará a produzir componentes óticos de elevada precisão destinados a diferentes setores tecnológicos.
O caso de Thalgau mostra também que o fim do formato físico vai muito para além da forma como os jogadores compram os seus jogos. À medida que a distribuição digital substitui os discos, toda a cadeia industrial construída em torno do fabrico de suportes físicos começa igualmente a transformar-se. A fábrica austríaca conseguiu, como exemplo, preparar essa mudança através de um novo investimento, mas a decisão da Sony deverá ter impacto noutras empresas ligadas à produção, embalagem e distribuição de jogos físicos, que terão agora de encontrar novas formas de adaptação.
