Petbrick + Krypto no Musicbox – O ruído e a fúria

Em noite de derby alfacinha, o MusicBox recebeu um duo de projetos que se passeiam pela linha que separa Metal mais extremo e a música eletrónica. E se essa linha parece ser mais fácilmente classificada como fosso para alguns, claramente ninguem avisou os cinco indivíduos que estiveram em palco no passado dia 17.

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Os primeiros iconoclastas da noite foram os Krypto, um power trio apesar de bateria, voz e baixo, que aqueceram o público que ia entrando e compondo a sala. Pelo menos os tímpanos dos mesmos foram bem aquecidos pelo som monolítico e ruidoso da banda. E que som.

Mais reminescente das bandas sujas do início da década de 90 e com zero do eyeliner e pose do metal industrial que se seguiu, a ausência de guitarras faz com que, por vezes, a sonoridade também faça lembrar Death from Above 1979 ou até Royal Blood, se alguma dessas bandas tivesse uma trip colossalmente aterradora e fizesse disso carreira. E tivessem um vocalista tão raivoso como Gon. E atenção, meninos e meninas, é bom que tenham as vacinas em dia, porque depois de um set de Krypto, Tétano e Raiva são possibilidades reais.

Créditos: Carlos Mendes

Publicado por Echo Boomer em Terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Créditos: Carlos Mendes

Publicado por Echo Boomer em Terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Uma boa introdução e a sala já se encontrava bem composta para acolher os cabeças de cartaz quando os próprios apareceram em palco para o preparar para a sua atuação. Sem surpresa, apesar de Wayne Adams já ter uma discografia e uma reputação respeitável, a maioria dos olhos estava fixos no baterista Iggor (agora com extra g) Cavalera. O brasileiro ex-Sepultura e Nailbomb e com colaborações com bandas como Soulwax dá uma muita visibilidade e exposição a um projeto que, de outra forma, provavelmente não alcançaria.

Isto não é dizer que os Petbrick não mereçam ser elogiados. Pelo contrário. Durante toda a atuação, mostraram que o breakcore cavernoso que praticam é, provavelmente, do melhor que faz neste momento dento do género, mas a presença de Iggor é o fator que os coloca uma cabeça acima dos demais. A mestria percutiva demonstrada pelo mineiro foi o ponto alto da noite, quer pelo toque orgânico e quase hipnótico que a sua bateria traz ou pela precisão absolutamente inumana da mesma. Afinal de contas, o único “prego” do espetáculo dos Petbrick foi providenciado pelo laptop de serviço em palco. Magnificamente ruídoso e selvagem. E sem uma guitarra à vista.

Texto de: João Ribeira; Fotos de: Carlos Mendes

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