AMD anuncia o Ryzen 9 9950X3D2, o seu primeiro processador com duplo V‑Cache 3D

O novo 9950X3D2 combina 208 MB de cache, arquitetura Zen 5 e foco ampliado em cargas profissionais, mas desempenho em jogos ainda é um mistério.

A AMD revelou o Ryzen 9 9950X3D2, o primeiro processador da marca a contar com V‑Cache 3D em ambos os chiplets, alcançando um total de 208 MB de cache, o valor mais elevado num processador Ryzen até à data. A empresa posiciona o modelo como um híbrido entre os seus chips de consumo e a linha profissional Threadripper, refletindo o salto de capacidade oferecido pela ampliação da cache.

Baseado na arquitetura Zen 5 e compatível com o socket AM5, o processador mantém a configuração de 16 núcleos e 32 threads, com clock base de 4,3 GHz e boost de 5,6 GHz. Em comparação com o Ryzen 9 9950X3D, o novo modelo perde 100 MHz no turbo e aumenta o TDP em 30W, chegando a 200W, consequência direta da presença do segundo bloco de V‑Cache. A AMD tenta ainda afastar a imagem de que chips X3D servem apenas para jogos. De acordo com a empresa, o 9950X3D2 oferece ganhos de até 10% em cargas profissionais, incluindo renderização, criação de conteúdo, IA e compilação. Já os benchmarks divulgados mostram melhorias de até 7% no V‑Ray e Blender, entre 5% e 7% em ferramentas de criação, 13% em testes de ciência de dados do SPEC Workstation, 5% na compilação do Chromium e 8% no Unreal Engine. O aumento de cache beneficia tarefas cujos conjuntos de dados ultrapassam a capacidade de um único chiplet.

Curiosamente, a AMD não divulgou números de desempenho em jogos, algo incomum para um processador X3D, já que esse costuma ser o alvo principal linha. Para além disso, o preço do Ryzen 9 9950X3D2 ainda não foi revelado, mas a AMD já indica que será um produto premium e com lançamento marcado para 22 de abril.

Bolt atribui vales de combustível a motoristas TVDE em Portugal

A operadora Bolt disponibiliza 400 vales de combustível de 25€ aos motoristas TVDE ativos em Portugal, numa medida de apoio com a aplicação Ryd.

A Bolt anunciou a distribuição de 400 vales de combustível, com o valor unitário de 25€, destinados aos motoristas de transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados (TVDE) que se encontrem ativos na sua rede. A iniciativa decorre entre esta segunda-feira e 5 de abril, assumindo-se como uma resposta direta ao impacto do custo dos combustíveis nas operações do transporte privado em Portugal.

A atribuição deste apoio financeiro processa-se de forma automática através da aplicação Bolt Driver. Para garantirem a elegibilidade, os profissionais necessitam de perfazer um mínimo de 250 quilómetros em serviços prestados na plataforma durante o período da campanha. A empresa definiu um critério de desempate e alocação dos vales disponível, determinando que a prioridade será concedida aos condutores que contabilizem o maior volume de viagens concluídas até à data limite de 5 de abril. A plataforma emitiu também uma recomendação para que os motoristas procedam a uma gestão rigorosa dos seus horários, assegurando a realização de pausas regulares.

A materialização deste benefício está ancorada na aplicação Ryd, uma solução digital focada em pagamentos móveis que possibilita aos condutores liquidar o abastecimento diretamente a partir do interior da viatura. Os profissionais selecionados recebem um código promocional que, ao ser introduzido na referida aplicação, liberta o saldo de 25€. O procedimento nos postos de abastecimento exige apenas a seleção da infraestrutura na interface da Ryd, sendo o valor deduzido instantaneamente do montante total a pagar.

Esta campanha pontual integra-se numa estratégia mais ampla de mitigação de custos já em vigor na plataforma. Através da mesma parceria com a Ryd, os motoristas de TVDE beneficiam de descontos contínuos que podem atingir os 0,15 euros por cada litro abastecido. Esta redução permanente no preço do combustível mantém-se aplicável ao longo de todo o ano e é integralmente acumulável com os vales de 25€ para os condutores que cumpram os requisitos da atual iniciativa.

Consumo de pirataria em Portugal supera média europeia apesar do bloqueio de 182 milhões de conteúdos

O combate à pirataria digital em Portugal intensifica-se. Dados de 2025 confirmam o encerramento de mais de 1300 plataformas de streaming ilegal e IPTV.

O consumo de conteúdos ilícitos online em Portugal regista valores que superam em 33% a média contabilizada no espaço europeu. Entre abril de 2024 e março de 2025, apuraram-se 1,29 mil milhões de visitas a plataformas de pirataria no território nacional. A informação consta do Relatório de Atividades de 2025 da Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais (FEVIP), que indica, contudo, uma contração destes indicadores face ao ano transato.

Esta descida não é interpretada pela entidade como uma alteração espontânea no comportamento dos utilizadores, mas sim como o resultado direto da aplicação de medidas restritivas em larga escala. Durante o período analisado, as operações de combate à pirataria digital culminaram no bloqueio de aproximadamente 182 milhões de conteúdos ilegais, uma ação sustentada pelo aumento da sofisticação tecnológica nos processos de rastreamento e intervenção por parte das autoridades e entidades reguladoras.

De acordo com António Paulo Santos, diretor-geral da FEVIP, a diminuição do volume estatístico global comprova a eficácia das estratégias de prevenção, as quais têm limitado ativamente a disponibilidade de material não autorizado na internet. O segmento do streaming ilegal assumiu-se como a frente prioritária destas operações. Ao longo do ano de 2025, concretizou-se o bloqueio de 1504 endereços eletrónicos, conduzindo ao encerramento de mais de 1300 plataformas, ao abrigo do quadro legal em vigor. A fiscalização de transmissões em direto sofreu igualmente um incremento substancial, evidenciado pela subida das ocorrências registadas por evento, que passaram de uma média de 20 para mais de duas centenas. No que concerne estritamente à difusão de obras cinematográficas e séries de televisão, a associação formalizou 360 pedidos de interdição a páginas vocacionadas para este fim, resultando na eliminação permanente de 139 portais. Para além disso, o âmbito da monitorização foi alargado às redes sociais e aplicações de mensagens, permitindo a referenciação de centenas de grupos de partilha ilícita com capacidade de alcance e impacto sobre milhões de utilizadores.

O documento detalha ainda a adoção de ações inéditas dirigidas ao mercado de IPTV (Internet Protocol Television), identificado como um dos vetores de maior expansão no atual panorama da pirataria. Neste domínio específico, procedeu-se à obstrução de 175 domínios associados à comercialização destes serviços de televisão, o que forçou a cessação de atividade de 39 deles. Apesar das ações de mitigação concretizadas, António Paulo Santos sublinha a dimensão estrutural do problema a longo prazo, revelando que o histórico acumulado entre 2017 e março de 2025 contabiliza cerca de 8,4 mil milhões de acessos a portais ilegais, o equivalente a uma média superior a 1200 visitas por cada internauta.

O relatório identifica uma alteração no próprio ecossistema da pirataria, caracterizada pela redução dos grandes websites de escala global em favor de plataformas mais especializadas e fragmentadas, habitualmente operadas por redes organizadas de forma distribuída. Perante a mutação deste cenário, o responsável da FEVIP defende que o combate à criminalidade digital exige uma atuação articulada que congregue entidades públicas, autoridades judiciais e o setor tecnológico.

O reforço da cooperação institucional e a integração de ferramentas analíticas avançadas, nomeadamente soluções baseadas em inteligência artificial, são apontados como requisitos operacionais indispensáveis. Todavia, a entidade adverte para os constrangimentos que continuam a limitar o raio de ação das autoridades, com particular destaque para a morosidade processual. O intervalo temporal médio de três a quatro meses entre a submissão de um pedido de bloqueio e a sua execução efetiva permanece como uma vulnerabilidade central do sistema, concedendo aos infratores uma margem temporal excessiva que permite a rápida reestruturação e adaptação tecnológica das suas redes.

Apoio jurídico gratuito para imigrantes em Portugal arranca em abril

A Fundação Calouste Gulbenkian e a Ordem dos Advogados formalizaram um acordo para o financiamento de apoio jurídico gratuito a imigrantes em Portugal.

A Fundação Calouste Gulbenkian e a Ordem dos Advogados (OA) firmaram um protocolo com o objetivo de assegurar apoio jurídico gratuito a cidadãos estrangeiros, visando a sua integração em Portugal. O projeto, cuja fase operacional tem início previsto para o mês de abril, estipula que a fundação assumirá os encargos financeiros decorrentes da intervenção dos advogados, utilizando como referência a tabela de honorários do apoio judiciário.

O bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, descreveu a parceria ao Diário de Notícias (acesso pago) como um encontro de vontades, viabilizado pela capacidade financeira da fundação. O propósito central da iniciativa consiste em auxiliar os imigrantes a instruir processos e a lidar com a complexidade burocrática e legislativa junto da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). O responsável clarifica que a medida não procura promover qualquer forma de regularização extraordinária, mas sim garantir a obtenção de decisões legais adequadas.

João Massano aponta falhas na atuação dos serviços estatais na área da imigração, referindo que o Estado não dispõe dos meios necessários para um atendimento eficaz e que a imagem transmitida pela AIMA é negativa. Perante a escassez de capacidade instalada no setor público, agravada pelo fim do Alto-Comissariado, o bastonário defende que o Estado necessita de recorrer à sociedade civil para o cumprimento destas funções. O desenvolvimento do projeto prevê, numa segunda fase, a criação de uma linha telefónica nacional para encaminhamento jurídico.

Falta de professores atinge o Norte e coloca Porto como segunda região mais afetada

A falta de professores agravou-se no segundo período letivo. O Porto é agora o segundo distrito com mais alunos sem aulas, num problema que afeta todo o país.

O agravamento da escassez de professores no final do segundo período escolar está a reconfigurar o mapa das carências no sistema educativo português, com o distrito do Porto a ascender à segunda posição das regiões mais afetadas, numa lista que continua a ser encabeçada por Setúbal.

A análise aos dados atuais indica que o défice de profissionais, que historicamente se concentrava com maior incidência no sul de Portugal, alastrou de forma efetiva a todo o território nacional. O grupo dos cinco distritos com maior carência de docentes fica completo com Lisboa, Faro e Santarém. A subida do Porto, região que habitualmente ocupava o quarto lugar neste indicador, é explicada por uma conjugação de fatores demográficos. Ao Diário de Notícias (acesso pago), Francisco Gonçalves, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), disse que, embora o norte concentre o maior volume de profissionais de educação, apresenta simultaneamente o corpo docente mais envelhecido, o que se traduz num número mais elevado de aposentações e de baixas médicas. Em termos quantitativos, a estrutura sindical regista um aumento de 10% no volume de horários a concurso durante este período letivo, por comparação com o período homólogo do ano transato.

A realidade vivida no interior das escolas confirma a transversalidade e a complexidade do problema. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), relatou ao mesmo jornal que a dificuldade na contratação e substituição de professores abrange todas as áreas disciplinares, assumindo particular gravidade nas disciplinas nucleares, como o Português e a Matemática. O representante dos diretores escolares enquadra esta carência numa dinâmica estrutural de perdas contínuas, em que centenas de profissionais abandonam mensalmente o sistema por via da reforma, sem que exista um rácio de novos diplomados suficiente para colmatar essas saídas. Perante este cenário, a ANDAEP, embora reconhecendo a intenção do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) na aplicação de medidas de mitigação, defende a urgência de intervenções mais profundas. A associação estabelece como prioridades a valorização salarial, face ao nível de responsabilidade exigido, e uma redução drástica da carga burocrática, por forma a libertar o tempo dos docentes para a atividade estritamente letiva.

Para além da gestão dos recursos humanos, mantém-se a opacidade quanto ao impacto exato desta crise na população estudantil. Um ano após o ministro Fernando Alexandre se ter comprometido a divulgar o número oficial de alunos sem aulas, a tutela continua sem apresentar essa estatística. A justificação oficial para este atraso prende-se com limitações do sistema informático atual. O Ministério argumenta que a identificação rigorosa destas falhas depende de um processo de digitalização e centralização dos sumários, uma vez que a leitura direta dos registos atuais não permite distinguir estruturalmente entre as aulas não dadas por ausência prolongada de professor atribuído e as aulas não dadas por faltas pontuais justificadas.

Para contornar este obstáculo técnico, a Fenprof propôs um método de levantamento direto, baseado no preenchimento de dados pelas direções de cada agrupamento, uma alternativa metodológica que foi recusada pela tutela.

Trabalho por turnos: proposta do Governo ameaça direitos de pais com filhos menores

A nova proposta do Governo altera o Código do Trabalho e dificulta a recusa de trabalho noturno e aos fins de semana a pais com filhos até aos 12 anos.

A mais recente proposta de alteração ao Código do Trabalho volta a incluir medidas que limitam a possibilidade de os trabalhadores com filhos menores de 12 anos recusarem a prestação de trabalho noturno, aos fins de semana e aos feriados. De acordo com o Jornal de Negócios (acesso pago), esta intenção do Governo, inserida no âmbito do regime de horário flexível, ressurge na atual redação do documento com ligeiras nuances face à versão apresentada no passado mês de julho. O regime laboral em vigor abrange os progenitores de crianças até aos 12 anos, ou com deficiência e doença crónica independentemente da idade, permitindo-lhes gerir e escolher as horas de início e fim do seu período de trabalho diário, dentro dos limites legais.

Atualmente, os pedidos de horário flexível submetidos pelos trabalhadores apenas podem ser recusados pelas entidades patronais com base em exigências imperiosas de funcionamento da empresa ou na impossibilidade de substituição de funcionários indispensáveis. As recusas têm de ser remetidas para a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), uma entidade tripartida cuja decisão vinculativa só pode ser revertida por via judicial. Ao longo dos últimos anos, o Supremo Tribunal de Justiça tem consolidado o entendimento de que os trabalhadores abrangidos por este regime têm o direito de definir os seus dias de descanso, o que tem protegido, por exemplo, famílias monoparentais de laborarem ao sábado e ao domingo.

A versão do anteprojeto apresentada pelo Executivo em julho já visava contrariar a jurisprudência do tribunal, estabelecendo que o horário flexível deveria ajustar-se às formas especiais de organização do tempo de trabalho inerentes ao período de funcionamento da empresa ou à natureza das funções do trabalhador, mencionando explicitamente os turnos noturnos, feriados e fins de semana. Após a supressão deste ponto nas propostas entregues em outubro à UGT – uma interpretação que acabou por não ser consensual no seio das negociações -, a norma volta agora a figurar nos documentos de trabalho mais recentes. A nova redação estipula que o horário deve adaptar-se, “na medida do possível”, à organização decorrente da natureza das funções do profissional, omitindo a menção direta ao período de funcionamento da empresa.

O documento negocial inclui ainda outras disposições, nomeadamente a consagração da jornada contínua para pais com filhos até aos doze anos. No entanto, nesta última versão, a medida fica dependente da existência de acordo com o empregador ou de negociação coletiva. Esta introdução surge como resposta às críticas levantadas face à manutenção do limite temporal de dois anos da criança para a redução do horário por amamentação. Está também prevista a extensão da licença parental para 180 dias, paga a 100%, mas exclusivamente sob a condição de haver partilha entre os progenitores.

O Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, que tem recusado comentar medidas específicas em negociação, emitiu uma nota sublinhando que o documento se encontra sob reserva. A tutela defende que o texto não constitui uma proposta final do Governo, mas sim o reflexo do estado atual das negociações com os parceiros sociais, incluindo a UGT, num processo que prossegue sem acordo firmado.

ZERO defende abertura do Metro de Lisboa às 5h30

Associação ambiental ZERO pede um Metro de Lisboa com abertura mais cedo, maior frequência e melhores condições de acessibilidade nas estações.

A ZERO defende que o Metro de Lisboa deve passar a abrir às 5h30 da manhã, reforçar a oferta, sobretudo na Linha Amarela entre o Campo Grande e Odivelas, e melhorar de forma consistente a fiabilidade das escadas rolantes, dos elevadores e das condições de acesso às estações. A associação sustenta que estas mudanças são necessárias para responder melhor às necessidades de quem trabalha cedo, reduzir tempos de espera e tornar o serviço mais funcional para os passageiros.

Num texto de apelo ao reforço do transporte público, a ZERO enquadra estas propostas no atual contexto de subida dos preços dos combustíveis e de maior instabilidade energética, defendendo que as cidades precisam de redes de transporte capazes de constituir uma alternativa real ao automóvel. No caso de Lisboa, a associação considera que o atual horário de abertura do metro, às 6h30, deixa de fora muitos trabalhadores que iniciam a jornada antes dessa hora, em setores como a saúde, a limpeza, a logística ou a hotelaria, obrigando-os a recorrer ao carro ou a soluções de transporte menos eficientes. Por isso, entende que a rede deveria começar a operar, no mínimo, às 5h30, admitindo mesmo a possibilidade de uma abertura às 5h, se tal se vier a revelar exequível.

A ZERO refere ainda que, nas grandes cidades europeias, os serviços de metropolitano tendem a arrancar mais cedo do que em Lisboa, dando como exemplo Londres, Berlim, Paris e Madrid. No entender da associação, a comparação mostra que a capital portuguesa continua a oferecer um horário menos ajustado às exigências de uma cidade com grande concentração de trabalhadores e com forte dependência diária do transporte público.

Outra das críticas dirigidas ao Metropolitano de Lisboa prende-se com o que a ZERO considera ser um subdimensionamento da oferta na Linha Amarela, em particular no troço entre o Campo Grande e Odivelas. Segundo a associação, nos dias úteis, entre as 10h e as 16h45, os intervalos médios entre comboios rondam os 11 minutos, um valor que considera excessivo para um serviço urbano numa área de elevada procura. A organização aponta que o modelo operacional em vigor faz com que os comboios vindos do Rato terminem alternadamente no Campo Grande, seguindo apenas metade deles até Odivelas, o que reduz a frequência efetiva nesse troço.

A associação considera este esquema inaceitável e defende que todos os comboios da Linha Amarela deveriam prosseguir até Odivelas ao longo do dia. Na sua leitura, o problema afeta uma zona urbana densa, que junta a freguesia do Lumiar, a mais populosa de Lisboa, e o concelho de Odivelas, num universo de cerca de 200.000 habitantes. A ZERO acrescenta que o impacto do atual modelo se sente no aumento da concentração de passageiros no Campo Grande, onde muitos têm de sair para aguardar pelo comboio seguinte com destino às estações seguintes, com efeitos diretos no desconforto, na saturação dos cais e no prolongamento dos tempos de espera. A organização diz também que a sobrelotação observada a meio do dia confirma que a procura já não se limita às antigas horas de ponta e que é hoje estável e previsível.

No plano da acessibilidade, a ZERO chama a atenção para o funcionamento irregular de escadas rolantes e elevadores em várias estações do Metro de Lisboa, referindo que as avarias prolongadas prejudicam de forma particular pessoas com mobilidade reduzida, idosos, passageiros com carrinhos de bebé e utentes com bagagem. A associação defende que devem ser fixados prazos máximos de reparação, reforçada a manutenção preventiva e divulgados com regularidade indicadores de funcionamento dos equipamentos. Considera ainda que os passageiros devem poder saber com antecedência quando uma escada rolante está fora de serviço, através dos painéis das estações, do site e das aplicações digitais do metro, para que possam organizar melhor os seus percursos.

A ZERO inclui também outras medidas que, na sua perspetiva, são importantes para melhorar a atratividade da rede, como o fim de limitações horárias em certos acessos às estações, a melhoria das ligações pedonais e cicláveis ao metro e um melhor planeamento da expansão da rede articulado com a atual e futura rede ferroviária da Área Metropolitana de Lisboa. No entendimento da associação, estes elementos são relevantes para reforçar a mobilidade de uma região com mais de três milhões de habitantes.

Coimbra reforça videovigilância na Baixa e no Parque Verde

Projeto de 348.000€ reforça a segurança e monitorização urbana de Coimbra, elevando para 55 o número de câmaras operacionais na cidade.

A Câmara Municipal de Coimbra formalizou a consignação da obra de ampliação do sistema de videovigilância municipal, que irá reforçar a cobertura de segurança na zona da Baixa e no Parque Verde do Mondego. A intervenção, adjudicada à empresa Soltráfego – Soluções de Trânsito, Estacionamento e Comunicações, representa um investimento total de 348.977,97€, incluindo IVA, e dispõe de um prazo de execução de 196 dias.

O projeto prevê a instalação de 38 novas câmaras, que se juntam às 17 já em funcionamento, elevando para 55 o número total de equipamentos operacionais no território urbano. A expansão foi definida a partir de uma proposta da Polícia de Segurança Pública (PSP) e tem como finalidade reforçar a capacidade de prevenção e de resposta a ocorrências de insegurança, bem como garantir maior proteção de pessoas e bens em áreas públicas.

As novas unidades de vigilância serão instaladas sobretudo na Baixa de Coimbra – abrangendo locais como o Arnado, o Terreiro da Erva, a Rua da Sofia e várias artérias centrais da cidade – e no Parque Verde do Mondego, áreas de elevada circulação e permanência de residentes e visitantes.

Além da vertente policial, o sistema poderá ser utilizado em tarefas de gestão urbana, nomeadamente no acompanhamento de deposições indevidas de resíduos e na monitorização de fluxos pedonais ou viários para estudos de mobilidade.

O sistema opera em rede privada e fechada, sem ligação à internet, com encriptação integral das imagens e transmissão segura. Não capta som nem utiliza software de reconhecimento facial, e integra mecanismos que impedem a visualização do interior de habitações, de acordo com as normas legais e pareceres das entidades competentes.

Foto: CM Coimbra

STCP reforça frota com oito autocarros elétricos na zona oriental do Porto

O município do Porto e a STCP lançaram oito novos autocarros elétricos para melhorar o transporte público em Campanhã e reduzir emissões poluentes.

A Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) integrou oito novos autocarros elétricos na sua frota, com o propósito de reforçar a mobilidade e melhorar a ligação entre zonas da parte oriental da cidade. O investimento, de três milhões de euros, é financiado através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Os veículos, de tipologia midi e capacidade para 55 passageiros, têm uma autonomia aproximada de 300 quilómetros.

Os novos autocarros destinam-se inicialmente ao reforço da linha ZC (Estádio do Dragão – Areias), uma das que serve a zona de Campanhã, mas poderão operar noutras rotas do Porto que requeiram veículos com características semelhantes. O investimento inclui ainda a instalação de uma estação de carregamento elétrico na Estação de Recolha de Francos, equipada com quatro postos de carregadores duplos.

A frota atual da STCP é composta por 457 autocarros, dos quais 96 são elétricos, 324 funcionam a gás natural – com 30% do abastecimento em biometano – e 45 continuam a operar a diesel. O plano de renovação da empresa prevê a aquisição de mais 30 autocarros elétricos até 2027, no âmbito do Pacto do Porto para o Clima. Esta transição energética visa reduzir as emissões poluentes, modernizar o serviço público e contribuir para uma cidade mais sustentável.

Foto: João Pedro Rocha/CM Porto

Área Metropolitana do Porto aprova plano de atividades de 2026 com orçamento superior a 134 milhões

Plano de Atividades da Área Metropolitana do Porto para 2026, aprovado em Arouca, define como prioridades a mobilidade, a habitação e a segurança.

O Conselho Metropolitano do Porto aprovou o Plano de Atividades da Área Metropolitana para 2026, um documento que define como eixos prioritários a mobilidade, a habitação, a segurança e a gestão de dados. O orçamento afeto a estas iniciativas ultrapassa os 134 milhões de euros e foi validado na primeira reunião descentralizada do órgão, realizada em Arouca, com a presença dos 17 autarcas que integram a estrutura metropolitana.

Entre as ações previstas destacam-se quatro projetos de caráter estratégico. O primeiro é o Programa AMP Mobilidade 2030, orientado para o reforço da mobilidade sustentável, a integração de diferentes modos de transporte e a melhoria da experiência quotidiana dos cidadãos. O segundo é o Observatório Metropolitano de Dados, que visa criar uma plataforma integrada de informação territorial para apoio às decisões em domínios como o ambiente, a economia, a cultura e as políticas públicas. A estas iniciativas somam-se ainda uma estratégia metropolitana de habitação, centrada na promoção de soluções acessíveis e na reabilitação urbana, e uma estratégia de segurança que prevê a implementação de uma rede de videovigilância e de uma plataforma de gestão e análise de crises.

A reunião que marcou a aprovação do plano foi a primeira a realizar-se fora da sede da instituição. O Conselho Metropolitano decidiu adotar um modelo de encontros descentralizados, organizados trimestralmente em diferentes municípios, com o objetivo de promover maior proximidade entre os territórios.

Foto: Andreia Merca /CM Porto

Apple começa a identificar as aplicações de saúde regulamentadas na App Store

A nova política exige que que os programadores declarem a classificação médica das aplicações e prepara o ecossistema para regras mais rígidas a partir de 2027.

A Apple anunciou uma alteração importante nas políticas da App Store sobre aplicações relacionadas com saúde, introduzindo uma nova camada de transparência para os utilizadores e novas obrigações para os programadores. A partir de agora, a App Store irá mostrar de forma clara quando uma aplicação é classificada como dispositivo médico regulamentado nos Estados Unidos da América, no Reino Unido e no Espaço Económico Europeu.

Esta medida afeta aplicações que desempenham funções médicas, como diagnóstico, monitorização, prevenção ou tratamento, e que por isso, podem exigir aprovação de entidades reguladoras, e embora pareça uma mudança formal, há um impacto direto na forma como os utilizadores identificam aplicações sensíveis e na responsabilidade dos programadores. As aplicações das categorias de Saúde e Bem‑estar, de Medicina, ou que façam referências frequentes a informações médicas, deverão declarar explicitamente a sua classificação na App Store Connect, incluindo dados de conformidade, contactos e orientações de segurança. Mesmo as aplicações que não se enquadram como dispositivos médicos precisam de marcar essa opção, eliminando zonas cinzentas.

Contudo, a transição será gradual, com as novas aplicações a terem de cumprir as regras de imediato, enquanto que as já existentes terão até o início de 2027 para se adequar. Após esse prazo, os programadores que não atualizarem as suas informações deixarão de poder enviar novas versões para a loja.

A mudança acompanha uma tendência de crescimento de aplicações de saúde, que vão da monitorização do sono a suporte a diagnósticos, a linha entre bem‑estar e medicina tornou‑se cada vez mais ténue. Tornar explícito a sua classificação é essencial para proteger utilizadores e garantir responsabilidade no desenvolvimento.

Portugal lança seis satélites e reforça a Constelação do Atlântico

A missão Transporter-16 leva seis satélites portugueses para o espaço, num lançamento a partir de Vandenberg, na Califórnia.

Portugal vai lançar seis novos satélites no próximo dia 30 de março, a partir da base de Vandenberg, na Califórnia, no âmbito da missão Transporter‑16, operada pela SpaceX. A operação insere-se na Agenda New Space Portugal, liderada pela Geosat, e marca um novo passo na consolidação da presença nacional no setor espacial, reforçando as capacidades tecnológicas e científicas já desenvolvidas no país.

O lançamento envolve três entidades portuguesas: a Força Aérea Portuguesa, o CEiiA e a LusoSpace. Todos integram a Agenda New Space, que tem financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência, e partilham o objetivo de ampliar a Constelação do Atlântico, o sistema de satélites concebido para observação da Terra e monitorização marítima, cuja operação é assegurada pela Geosat.

Entre os novos equipamentos encontram-se dois satélites que irão reforçar diretamente a Constelação do Atlântico. Um deles, desenvolvido pela Força Aérea Portuguesa, acrescenta capacidade de radar de abertura sintética (SAR), permitindo observar a superfície terrestre de dia e de noite, independentemente das condições meteorológicas. O outro, designado VHRLight NexGen, resulta de um projeto liderado pelo CEiiA e pela N3O, em colaboração com parceiros internacionais. Trata-se de um satélite ótico de muito alta resolução, capaz de captar imagens com precisão de cerca de 70 centímetros por pixel e tecnologia multiespectral.

A combinação das capacidades óticas e de radar permitirá uma cobertura quase contínua sobre áreas estratégicas, apoiando missões de vigilância e segurança marítima, operações militares, proteção ambiental e resposta a emergências. De acordo com os responsáveis do programa, quando totalmente operacional, a Constelação do Atlântico contará com 12 satélites, possibilitando a observação de zonas de interesse com uma periodicidade aproximada de três horas.

No mesmo dia do lançamento, em Vandenberg, será assinado um acordo de colaboração entre a Geosat, a N3O e a empresa argentina Satellogic. O entendimento estabelece uma base de cooperação em novas tecnologias para satélites e serviços associados, enquadrando-se nas atividades do Atlantic Data Hub, plataforma destinada ao processamento e disponibilização de dados de observação da Terra.

A Agenda New Space inclui ainda outras iniciativas em fase de desenvolvimento. Entre elas encontram-se dois satélites de muito alta resolução em construção através de uma parceria entre o CEiiA, a N3O e a empresa alemã OHB, que têm como finalidade reforçar a autonomia tecnológica e a capacidade industrial portuguesas no setor espacial.

Outra vertente da agenda foca-se no Acesso ao Espaço, coordenado pela Força Aérea Portuguesa, que prevê a criação de uma base espacial nos Açores. O projeto deverá permitir o lançamento e recuperação de veículos espaciais a partir de território nacional, contribuindo para a autonomia europeia e para o papel de Portugal como plataforma atlântica de operações espaciais.

A missão Transporter‑16 incluirá também quatro satélites da LusoSpace, integrados na chamada Constelação Lusíada. Estes aparelhos têm como principal objetivo reforçar as comunicações marítimas através do sistema VDES (VHF Data Exchange System), uma tecnologia voltada para a troca de dados em mar aberto e apoio à navegação.

O lançamento dos seis satélites está agendado entre as 11h20 e as 12h17, hora de Lisboa, podendo sofrer um adiamento de um ou dois dias devido a condições meteorológicas ou a ajustes operacionais.

Xiaomi encerra o MIUI e conclui a transição para o HyperOS

O MIUI da Xiaomi chega ao fim com os últimos dispositivos a entrarem no ciclo de fim-de-vida.

A Xiaomi encerrou oficialmente o ciclo de vida da MIUI, a interface que não só marcou a entrada da empresa no mercado de smartphones, como também se tornou um dos elementos mais reconhecidos da marca. O fim chega com a inclusão dos Redmi A2 e Redmi A2+ na lista de dispositivos em fim-de-vida (EOL), os últimos que ainda recebiam atualizações do MIUI. Ambos receberam a atualização final em dezembro e estão fora do período de suporte há poucos dias, simbolizando o encerramento definitivo de uma era.

O MIUI nasceu em 2010 como uma ROM personalizada baseada no Android 2.2 Froyo. Em pouco tempo, tornou‑se num fenómeno devido à personalização avançada, repleto de funcionalidades próprias e com uma identidade visual própria. O seu sucesso foi tão elevado que serviu como trampolim para a Xiaomi entrar no mercado de hardware com os primeiros smartphones Mi. Passados uns anos, em 2021, ultrapassou 500 milhões de utilizadores ativos mensais.

A estratégia da empresa mudou em outubro de 2023, quando a Xiaomi apresentou o HyperOS, uma plataforma pensada para unificar todo o ecossistema da marca, de smartphones a TVs, de eletrodomésticos a carros. O objetivo passava por manter a essência da MIUI, mas oferecer uma base mais moderna, eficiente, segura e integrada. Desde então, todos os novos dispositivos começaram a adotar o HyperOS, enquanto os antigos foram gradualmente migrando para a nova plataforma.

O HyperOS assume agora o papel de plataforma central, prometendo continuidade, integração e evolução, mas sem apagar o legado de uma das interfaces Android mais influentes de todos os tempos.

Xiaomi encerra 2025 em ascensão e posiciona-se no terceiro lugar no mercado europeu

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O crescimento da Xiaomi no mercado chinês, o avanço no segmento premium e liderança em wearables marcam um ano decisivo para a estratégia global da marca.

A Xiaomi divulgou os resultados financeiros de 2025 que confirmam a expansão da empresa. Ao longo do ano, a fabricante chinesa vendeu 165,2 milhões de smartphones em todo o mundo, gerando uma receita de 186,4 mil milhões de yuans, equivalente a cerca de 22,5 mil milhões de euros. De acordo com os dados divulgados, a marca manteve uma quota global de 13,3%, permanecendo pelo quinto ano consecutivo entre as três maiores fabricantes do planeta.

Embora o desempenho internacional seja sólido, é no mercado chinês que a Xiaomi demonstra a sua transformação mais profunda. A empresa alcançou 16,6% de quota, um salto de sete pontos percentuais face ao ano anterior, garantindo o segundo lugar num dos mercados mais competitivos do mundo. Este avanço acompanha a crescente aposta em dispositivos topo de gama, no qual em 2025, 27,1% das vendas corresponderam a smartphones acima dos 3.000 yuans, um recorde para a marca. Já no segmento entre 4.000 e 6.000 yuans registou uma ligeira retração, mas continua a representar uma fatia relevante. Fora da China, o desempenho é mais heterogéneo, mas ainda assim positivo. A Xiaomi consolidou o segundo lugar na América Latina e no Sudeste Asiático, duas regiões onde a marca tem forte presença. Na Europa e em África, mantém-se em terceiro lugar, com uma progressão lenta, mas consistente.

O ecossistema da marca também vive um momento favorável, com os tablets da Xiaomi a figurarem entre os cinco mais vendidos globalmente e entre os três primeiros na China continental. Já os smartwatches e smartbands terminaram 2025 como os dispositivos vestíveis mais vendidos do mundo, ocupando ainda o segundo lugar no mercado chinês.

HP a lança o teclado com computador integrado EliteBoard G1a

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Um computador desktop, num formato pouco comum, com capacidades inteligentes e orientado para ambientes profissionais exigentes.

A HP anunciou o lançamento do EliteBoard G1a, um conceito de mini PC que integra o próprio computador no interior do teclado, mantendo um perfil super fino. Este equipamento, foi concebido a pensar na utilização em escritórios e espaços de trabalho partilhados, com capacidades avançadas de inteligência artificial executada localmente.

O EliteBoard G1a inclui microfones e altifalantes embutidos, reduzindo a necessidade de periféricos adicionais e contribuindo para uma secretária mais organizada, e a ligação a monitores é feita através da sua porta USB‑C, com suporte para dois ecrãs 4K em cadeia. No interior, o dispositivo pode integrar processadores AMD Ryzen AI PRO, oferecendo até 50 TOPS de desempenho de IA através da NPU integrada, acelerando tarefas profissionais e fluxos de trabalho inteligentes.

A HP destaca ainda a robustez do equipamento, que cumpre normas militares de resistência em modelos selecionados e inclui um teclado resistente a derrames. A manutenção é também simplificada, com componentes substituíveis, e no que toca a sustentabilidade, recorre a materiais reciclados e embalagens totalmente recicláveis.

O HP EliteBoard G1a já está disponível em Portugal, com preços a partir de 1.230€.

Getac lança o CommandCore, a sua nova solução para controlo de drones

A nova solução modular promete adapta‑se a operações críticas em defesa, segurança pública e inspeção de infraestruturas.

A Getac revelou a CommandCore, uma solução concebida para unificar hardware robusto, acessórios especializados e software dedicado num único sistema de controlo para drones terrestres, marítimos e aéreos. Com esta oferta, a empresa pretende responder à crescente procura por ferramentas fiáveis em cenários operacionais exigentes, onde a estabilidade e a personalização são essenciais.

No centro da plataforma está a Ground Control Station, que funciona como núcleo de processamento e coordenação. Dependendo das necessidades de cada missão, os utilizadores podem optar por tablets e portáteis totalmente robustos da Getac, incluindo modelos Android e Windows. A estação pode assumir diferentes formatos, desde unidades integradas com controlos incorporados até configurações modulares que permitem separar o dispositivo principal dos comandos externos. Existem ainda versões orientadas para centros de comando móveis, incluindo malas com ecrãs duplos.

A CommandCore foi desenhada para resistir a ambientes extremos, mantendo desempenho consistente graças a uma arquitetura modular que facilita adaptações futuras. A compatibilidade com ecossistemas de terceiros garante integração fluida com diferentes tipos de drones e cargas úteis.

2026 pode representar uma queda acentuada no mercado de smartphones

A escassez de memória, inflação e menor fidelidade dos consumidores colocam fabricantes em alerta, mas Apple e Google surgem como exceções.

As previsões para o mercado de smartphones em 2026 continuam a agravar‑se. De acordo com um novo estudo do Morgan Stanley, a combinação entre a crise económica global e a crescente dificuldade em obter módulos de RAM (que estão cada vez mais caros e escassos), poderá provocar uma retração significativa nas remessas de dispositivos ao longo dos próximos dois anos.

A consultora estima uma queda anual de cerca de 15% nas vendas de smartphones Android até ao final de 2026, um contraste marcante face ao universo Apple, onde a previsão aponta para uma descida muito mais moderada, na ordem dos 2%. Esta discrepância deverá traduzir‑se numa expansão da quota de mercado da Apple, impulsionada por novas funcionalidades avançadas e pela perceção de maior qualidade dos seus dispositivos. O relatório destaca ainda um dado revelador relacionado com a taxa de retenção do iPhone, já que os utilizadores que trocam o seu aparelho por outro da mesma marca deverá atingir o nível mais elevado dos últimos cinco anos. A fidelidade à Apple permanece, assim, um dos pilares da sua força comercial.

No lado do ambiente Android, o cenário é bem diferente. A inflação nos custos de memória deverá encarecer os dispositivos, reduzindo a procura e dificultando a capacidade das marcas de manterem os seus utilizadores. A falta de fidelização torna o impacto ainda mais severo, já que muitos consumidores tendem a alternar entre marcas consoante o preço. No que diz respeito à conquista de novos clientes vindos de outras plataformas, o estudo aponta dois vencedores, a Apple, com um crescimento estimado de 30%, e a Google, com um aumento de 18%, impulsionado pela linha Google Pixel, que tem ganho visibilidade e reconhecimento.

O panorama geral não é, assim, animador para a maioria dos fabricantes de smartphones, com exceção da Apple e da Google. Como temos assistido, 2026 promete ser um ano particularmente difícil, marcado por custos elevados, margens reduzidas e um mercado cada vez mais competitivo. Resta agora acompanhar os próximos meses para perceber se estas previsões se confirmam ou se o sector vai conseguir encontrar formas de contrariar a tendência.

Governo aprova pacote de medidas para aumentar a oferta de habitação

O Conselho de Ministros aprovou um conjunto de reformas na habitação, com incentivos fiscais, revisão de regras urbanísticas e medidas para colocar imóveis devolutos no mercado.

O Governo aprovou um novo pacote de medidas destinadas a reforçar a oferta de habitação, quer para arrendamento quer para aquisição. As propostas, apresentadas após a reunião do Conselho de Ministros, foram anunciadas pelo Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, que destacou o caráter estrutural e de longo prazo das reformas, centradas na simplificação de processos, no incentivo fiscal e na mobilização de património atualmente inativo.

O objetivo das medidas é estimular a construção e o arrendamento a preços acessíveis, garantindo maior disponibilidade de casas no mercado e contribuindo, a médio prazo, para a estabilização dos valores praticados. O plano estrutura-se em três eixos: incentivos fiscais, redução da burocracia e desbloqueio de imóveis em situação de indivisão.

No domínio fiscal, o Governo prevê uma redução da carga tributária associada ao arrendamento de longa duração com rendas moderadas, procurando atrair investidores e aumentar a disponibilização de imóveis. Está igualmente prevista a aplicação de uma taxa reduzida de IVA nas empreitadas de construção, incluindo a autoconstrução, quando estas se destinem a habitação própria permanente ou a arrendamento a preços controlados. Além disso, passa a existir isenção de tributação sobre mais-valias obtidas na venda de imóveis, desde que o montante seja reinvestido em novos projetos habitacionais destinados ao arrendamento com rendas acessíveis.

Quanto à agilização dos processos de construção, o Executivo anunciou a revisão do regime jurídico da urbanização e edificação, com o propósito de tornar as regras mais claras e os procedimentos mais céleres. A intenção é reduzir custos e prazos, criando condições para que as obras avancem com maior previsibilidade e que mais habitações cheguem rapidamente ao mercado.

Paralelamente, o Governo quer estimular a entrada de imóveis atualmente parados no circuito habitacional. Para tal, será criado um regime especial para imóveis em situação de indivisão – um cenário comum em contextos de heranças – que permite que, após dois anos sem acordo entre os co-proprietários, um ou mais herdeiros possam iniciar o processo de venda. A proposta assegura o direito de participação de todos os titulares e protege as garantias de propriedade.

De acordo com Luís Montenegro, esta medida procura pôr fim a bloqueios que mantêm numerosos imóveis devolutos, tanto em zonas urbanas como rurais, permitindo libertar património que, até agora, se encontrava inativo. Com o conjunto das reformas aprovadas, o Governo espera criar condições para expandir a oferta habitacional e atenuar a pressão sobre os preços no mercado imobiliário.

Governo aprova novos apoios para compensar aumento dos custos da energia

Novo pacote de apoios reforça compensações no ISP e prevê ajuda direta a transportes, agricultura, pescas e IPSS.

O Governo aprovou um novo pacote de medidas para mitigar os efeitos do aumento dos custos da energia, num montante global que ultrapassa os 150 milhões de euros por mês. A decisão foi anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, após o Conselho de Ministros, e visa atenuar o impacto da subida dos preços dos combustíveis sobre famílias, empresas e setores essenciais da economia.

Luís Montenegro recordou que, desde o primeiro agravamento dos preços, registado a 9 de março, o Executivo tinha já implementado um mecanismo automático de compensação através da redução do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), sempre que o aumento dos combustíveis ultrapassasse os 10 cêntimos por litro. Essa regra mantém-se em vigor e traduz-se atualmente num desconto aproximado de 20 cêntimos por litro no gasóleo e de 16 cêntimos na gasolina.

As novas medidas, com aplicação entre 1 de abril e 30 de junho, introduzem apoios extraordinários e temporários dirigidos a vários setores de atividade. O gasóleo profissional passa a beneficiar de um acréscimo de 10 cêntimos por litro, até um limite de consumo de 15.000 litros, abrangendo os veículos de transporte de mercadorias com mais de 35 toneladas e os autocarros com capacidade superior a 22 passageiros. Também o gasóleo colorido e marcado, utilizado nos setores agrícola, florestal, das pescas e da aquicultura, recebe um reforço da comparticipação de 10 cêntimos por litro, valor que será pago pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP). Estes apoios serão aplicados nas semanas em que o preço médio dos combustíveis ultrapasse em mais de 10 cêntimos o valor registado entre 2 e 6 de março, período anterior ao primeiro aumento.

Além das compensações associadas ao preço dos combustíveis, o Conselho de Ministros aprovou ainda apoios diretos, de pagamento único, destinados a instituições e entidades particularmente expostas ao acréscimo de custos operacionais. As associações humanitárias de bombeiros irão receber 360€ por cada veículo pesado e 120€ por cada viatura ligeira; as empresas de transporte em táxi terão direito a 120€ por veículo; e as instituições particulares de solidariedade social (IPSS) receberão um apoio de 600€ por entidade.

Passageiros passam a poder levar apenas dois powerbanks nos aviões

A ICAO aprovou novas normas que restringem o transporte e o uso de powerbanks nos voos internacionais.

A Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) anunciou novas regras sobre o transporte de baterias externas – mais conhecidas como powerbanks – em voos internacionais, com o objetivo de reforçar a segurança a bordo. As medidas, aprovadas pelo Conselho da organização, já entraram em vigor.

Entre as alterações, destaca-se a limitação a dois powerbanks por passageiro e a proibição do seu carregamento durante o voo. A utilização destes dispositivos por elementos da tripulação continuará, todavia, a ser permitida, desde que respeitados os requisitos operacionais da aeronave.

As novas especificações surgem na sequência de avaliações técnicas recentes que identificaram riscos acrescidos associados às baterias de lítio transportadas pelos passageiros. O Painel de Mercadorias Perigosas da ICAO foi responsável por analisar estes riscos e propor recomendações específicas para atualização das Technical Instructions for the Safe Transport of Dangerous Goods by Air. Após revisão e aprovação pela Comissão de Navegação Aérea, o documento foi ratificado pelos 36 Estados membros do Conselho, sendo agora aplicável aos 193 países que integram a organização.

De acordo com a ICAO, estas alterações enquadram-se no compromisso continuado de reforçar a segurança na aviação civil mundial, um dos pilares da sua estratégia para alcançar, até 2050, um sistema de transporte aéreo seguro, universal e ambientalmente sustentável – sem vítimas mortais e com emissões líquidas de carbono nulas.