OPPO Watch X3 Review: Elegante e resistente

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O OPPO Watch X3 adota uma estética de um relógio tradicional com toda a versatilidade e funcionalidades do ecossistema da Google.

O OPPO Watch X3 é o mais recente smartwatch da marca chinesa que se tenta destacar pelo seu sistema de “chipset duplo”, uma combinação que permite alternar entre dois processadores e alcançar até 16 dias de autonomia sem recorrer a truques como modos de poupança de energia, mostradores simplificados ou desativação de sensores para registar métricas de saúde.

As gerações anteriores de smartwatches da OPPO tinham a tendência para ser um pouco pesadas ou volumosas, mas desta vez nota‑se um esforço para melhorar essa parte do conforto. A caixa do OPPO Watch X3 em titânio é leve e resistente, e a nova pulseira revelou‑se uma surpresa agradável, já que não irrita a pele, mesmo quando se transpira ou se utiliza o relógio durante horas seguidas, algo que nem sempre acontece com este tipo de material mais macio. O preço, no entanto, não é propriamente simpático, surgindo com um preço recomendado de 399€, e por muito satisfeito que se esteja com o relógio, confesso que convém pensar duas vezes antes de o comprar.

OPPO Watch X3
OPPO Watch X3

O OPPO Watch X3 tenta aproximar‑se ao máximo da sensação de um “relógio a sério”, daqueles mais tradicionais, e isso nota‑se logo na caixa redonda de 47,4 × 47,4 × 11 mm construida em liga de titânio. É um material mais leve do que o aço, mas com uma resistência à corrosão que transmite confiança no uso diário. No meu caso, depois de emparelhado com vários smartphones Android, fiquei com a impressão de que também lida muito bem com aqueles micro-choques inevitáveis: portas, mesas, paredes, halteres… tudo aquilo que costuma deixar marcas nos smartwatches mais frágeis. Sem a pulseira, pesa cerca de 43 gramas, e com ela fica entre os 68 e os 70 gramas. Continua a ser mais leve do que vários modelos concorrentes, apesar de não ser o mais leve do mercado. A OPPO tentou agradar a diferentes gostos com a nova pulseira Dynamic‑Link Strap System, que continua a ser feita em fluoroelastómero, mas, ao contrário do que eu esperava, como já apontei, não me causou as irritações típicas deste material. E a estrutura híbrida, com dois segmentos metálicos iniciais que remetem para relógios clássicos, dá‑lhe um toque mais elegante e melhora bastante o conforto. O resultado é uma pulseira que se ajusta muito bem, deixa espaço para o pulso respirar e não aperta de forma desconfortável em posições mais extremas. Funciona perfeitamente para treinar, mas também não destoa quando se sai diretamente do ginásio para um jantar mais arrojado. Não tem, assim, aquele aspeto de brinquedo, nem se limita a parecer um relógio puramente desportivo.

As certificações são muitas, já que conta com a IP68, IP69, 5 ATM e os 16 testes MIL‑STD‑810Hm e, pelo que vejo no papel, é um dos modelos mais robustos dentro da sua categoria. O ecrã é um LTPO AMOLED de 1,5 polegadas, com resolução de 466 × 466 e 310 ppi, o que significa que os pixeis são invisíveis a olho nu. O vidro de safira 2D, com dureza 8+ na escala de Mohs, transmite a sensação de que não vai riscar facilmente no uso diário. O seu brilho normal chega aos 600 nits, mas ao sol pode subir até aos 1500 nits. Em modo desportivo, como numa corrida ao ar livre, atinge picos de 3000 nits quando necessário. Durante caminhadas mais longas e algumas corridas, notei que o brilho está sempre a ajustar‑se, o que mostra que não existe um sistema de poupança de energia muito agressivo. E por norma nunca mantenho o Always‑On Display ligado, já que basta rodar o pulso para ter acesso a toda informação disponível.

O painel LTPO faz uma diferença já que permite variar a taxa de atualização e reduzir bastante o consumo quando o ecrã mostra elementos estáticos. Para mim, esta tecnologia é essencial em smartwatches com sistemas como o Wear OS, já que normalmente sofrem com autonomias mais curtas. Já a sensibilidade ao toque também merece destaque, já que mesmo com chuva ou com os dedos húmidos, graças à tecnologia Splash Touch, o ecrã continua a responder bem. Claro que, no duche, onde sinceramente não se deveria utilizar um smartwatch, independentemente das certificações, a história muda. Aí já não estamos a falar de algumas gotas, mas de água a correr diretamente sobre o ecrã, e é normal que aí o touch deixe de funcionar como deve ser.

OPPO Watch X3
OPPO Watch X3

Por dentro, o OPPO Watch X3 segue a mesma filosofia que já vimos em outros equipamentos, como por exemplo no Xiaomi Watch 5, que é um sistema de dois chipsets composto pelo Snapdragon W5 Gen 1 e pelo MCU BES2800BP de baixo consumo. A OPPO apresentou esta arquitetura como algo proprietário, mas na prática outras marcas utilizam exatamente o mesmo co-processador e o seu comportamento é muito idêntico. O Snapdragon é quem executa o Wear OS, enquanto o BES fica responsável por um RTOS mais leve, pensado para garantir fiabilidade nas tarefas essenciais. Na prática, é como ter dois sistemas operativos a trabalhar em conjunto. Quando o relógio precisa de algo mais exigente, como abrir o Google Wallet, falar com o Gemini ou navegar no Google Maps, o processador da Qualcomm entra em ação. Para tudo o resto, desde notificações a sensores, passando pelo Bluetooth básico e pelos mostradores, o co-processador assume o controlo e poupa energia de forma bastante eficiente.

A seus 2GB de RAM e os 32GB de armazenamento interno são mais do que suficientes para instalar aplicações ou guardar música offline, já que não existe ligação móvel para streaming direto. Em termos de conectividade, o OPPO Watch X oferece suporte para o Bluetooth 5.2, Wi‑Fi de 2,4/5 GHz e NFC. O Bluetooth permite gerir chamadas do smartphone, mas admito que, tendo em conta os padrões atuais, esperava ver pelo menos Bluetooth 6.0. O GPS de banda dupla L1+L5 completa o conjunto e mostrou‑se muito rápido a obter sinal e bastante preciso nos testes. Suporta vários sistemas de satélite, antena de polarização circular e dados RTK, o que ajuda a manter o rastreamento estável mesmo em ambientes exteriores mais complicados.

No desporto, o relógio oferece mais de 100 modalidades e 11 perfis Pro dedicados à corrida. Modalidades populares como ténis, natação, caminhada, elíptica e remo estão presentes, para além das clássicas corrida e ciclismo. Para corredores, há métricas avançadas como cadência, comprimento da passada, tempo de contacto com o solo e equilíbrio entre os lados. No entanto, muitas das 100 modalidades acabam por ter apenas dados básicos, o que pode desapontar quem procura análises mais profundas. Existe também o reconhecimento automático de atividades, mas acabei por o desligar essa função ao fim de poucos dias. O relógio inicia um treino até com uma caminhada de cinco minutos, e em vez de registar tudo de forma discreta, acabamos por ser bombardeados com vibrações e alertas constantes. Basta um passeio de alguns minutos dentro de um centro comercial para o pulso não parar de vibrar. É um daqueles casos em que o algoritmo precisa claramente de ser melhorado.

Em termos de sensores, o OPPO Watch X3 vem bem equipado, já que conta com sensor ótico de frequência cardíaca de oito canais, SpO2 de 16 canais, temperatura da pele, ECG no botão inferior, para além dos habituais acelerómetro, giroscópio, bússola, barómetro e sensor de luz ambiente. O ECG utiliza o botão inferior como elétrodo e dá leituras de derivação única em 30 segundos. Há alertas de frequência cardíaca alta ou baixa, oxigenação contínua, monitorização da variabilidade da frequência cardíaca e tudo isto é resumido numa análise de 60 segundos chamada Visão Geral de Bem‑Estar, que reúne dez indicadores relacionados com o coração, o sono e o estado físico e mental. A monitorização do bem‑estar baseia‑se sobretudo na VFC e o relógio inclui ainda deteção de quedas, acompanhamento avançado do sono, lembretes de sedentarismo e monitorização do ciclo menstrual. Comparando o sono com o Huawei Watch Fit 5 Pro, os resultados foram muito idênticos, embora o OPPO Watch X3 seja um pouco menos preciso a detetar microdespertares. Só quando mexemos o braço, por exemplo para acender a luz, é que o relógio percebe que estamos acordados, enquanto o relógio da Huawei costuma identificar isso mesmo que fiquemos imóveis.

Quanto à oxigenação e à temperatura da pele, o desempenho está alinhado com os concorrentes. O sensor de luz ambiente ajusta o brilho de forma eficaz e o ECG é simples de realizar graças ao espaço generoso no botão inferior, embora como é óbvio, não tenha qualquer valor clínico.

OPPO Watch X3
Sensores do OPPO Watch X3

Do lado do software o OPPO Watch X3 sai de fábrica a executar o ColorOS Watch 8.0, um sistema baseado no Wear OS 6.0, o que significa que traz consigo todo o ecossistema da Google. Depois da última atualização, até as notificações ficaram mais simples de gerir, algo que valorizo bastante no uso diário. Mas se há algo que ainda não me convence totalmente são os mostradores. Parecem‑me demasiado planos e pouco variados, quase como se faltasse aquele toque de originalidade que mistura o clássico com o moderno. Sem isso, corre‑se o risco do relógio parecer mais um brinquedo do que um acessório sério.

Há também funcionalidades extra para quem utiliza um smartphone da OPPO com o ColorOS 15 ou superior, como o controlo remoto da câmara e dos vídeos curtos do TikTok ou YouTube Shorts. Ainda não confirmei se o mesmo acontece em modelos da OnePlus, mas é provável que sim.

Os dados de saúde e desporto estão organizados em mini-aplicações compactas, fáceis de consultar. Nos treinos com GPS, é possível ver trajetos estilizados, mas falta uma opção para os mapas offline, algo que outras marcas já oferecem e que considero essencial, uma vez que até já está disponível em modelos mais acessíveis. A ausência nota‑se sobretudo em caminhadas longas, onde depender de dados móveis ou de aplicações de terceiros pode esgotar a bateria num único dia. A própria aplicação da OPPO já merecia uma renovação, já que continua funcional, mas graficamente está parada no tempo e falta‑lhe profundidade na explicação das métricas. Aliás, às vezes pergunto‑me porque é que todos os smartwatches com Wear OS não utilizam simplesmente a aplicação do Google Health, em vez de manterem aplicações proprietárias que acabam por ser incompletas e representam custos adicionais. Se já se paga à Google para usar a sua plataforma, faria sentido aproveitar o ecossistema por inteiro. Ainda assim, com o Watch X3 tudo pode ser sincronizado com o Health Connect, o que garante que os dados acabam no Google Health. No entanto, apesar de o hardware ser excelente, sinto que o software ainda tem muito espaço para evoluir.

A sua bateria de 646mAh promete até cinco dias de autonomia no modo inteligente e três dias com uso mais intenso. Não vou considerar os 16 dias no modo de poupança de energia prometidos pela marca, porque aí estamos basicamente a utilizar apenas o RTOS, e nesse caso, talvez fosse melhor optar por um smartwatch mais económico. Durante os meus teste, comprovei que os 3 dias intensos de utilização são possíveis de obter, mas confesso que antes de chegar ao fim da noite do 3º dia, o smartwatch já está a pedir carregador. E já que estamos a falar do carregador, o mesmo é feito com uma base dedicada com 5 pinos, que é fornecido pela OPPO, e que deve ser ligado a um carregador USB-C. 100 minutos são suficientes para carregar dos 5 aos 100% da bateria.

OPPO Watch X3
OPPO Watch X3 e respetiva base de carregamento

Dentro do universo Wear OS o OPPO Watch X3 acaba por ser um bom smartwatch, mas ainda peca pela falta de suporte para eSIM. Este smartwatch tenta agradar a quem gosta da estética de um relógio tradicional, mas não quer abdicar das funcionalidades inteligentes, e nesse sentido, o resultado é muito convincente. O design é bonito, sólido e transmite aquela sensação de peça bem construída. No hardware, não encontrei nada que deixasse a desejar. Até a coroa giratória, que ainda não tinha mencionado, tem uma resposta tátil impecável e roda com suavidade. O sistema de chipset duplo continua a ser a melhor solução para garantir uma autonomia decente em sistemas exigentes como o Wear OS.

A grande questão que se levanta é, porque ainda escolher um equipamento com Wear OS? É que a meu ver ele só faz sentido para quem quer instalar aplicações da Play Store ou aproveitar o Gemini diretamente no pulso. A conveniência é real e nota‑se no dia‑a‑dia, mas nem toda a gente precisa dessas funcionalidade. Para um utilizador mais casual talvez seja mais sensato optar por um smartwatch com sistema proprietário. Hoje em dia, muitos desses relógios já oferecem duas semanas (ou mais) de autonomia e permitem responder a notificações, ver emojis, usar mapas básicos, fazer pagamentos e até recorrer a assistentes de IA, e também já evoluíram muito na parte desportiva. E nesses a vantagem é clara, já que como o sistema é proprietário, não há custos adicionais e conseguem ser vendidos a preços muito mais baixos e atualiza‑los com maior liberdade. A OPPO pode melhorar a interface e as suas aplicações, mas se o Android não evoluir, o Wear OS vai continuar limitado.

O preço oficial do Watch X3 é de 399€ e para mim é um valor exagerado, algo em torno dos 290€ tornariam o relógio muito mais apelativo. Por menos de 300€, recomendo‑lo‑ia facilmente para o mesmo público que olha para outros relógios com as mesmas características. Já se não olharmos ao preço, comparando diretamente com o Xiaomi Watch 5, que em teoria oferece melhor autonomia, acho que prefiro este OPPO Watch X3. O design convence‑me mais, o software tem funcionalidades que o Xiaomi ainda não oferece (como o ECG) e a durabilidade parece‑me superior. As limitações de aplicações são semelhantes nos dois, mas o relógio da Xiaomi tem a vantagem dos mapas offline e custa menos 100€, e isso é algo difícil de ignorar.

Este produto foi cedido para análise pela OPPO

Joel Pinto
Joel Pinto
Joel Pinto é profissional de TI há mais de 25 anos, amante de tecnologia e grande fã de entretenimento. Tem como hobbie os desportos ao ar livre e tem na sua família a maior paixão.
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