Afinal, qual o verdadeiro impacto da suinicultura no ambiente?

Spoiler alert: É provavelmente menor do que estavam à espera.

suinicultura
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De acordo com os dados do Inventário Nacional de Emissões, publicado no dia 15 de março de 2020, a agricultura é responsável por 10,1% do total de emissões gasosas do país. Destas, a pecuária contribui com cerca de 13,5% resultantes dos processos de gestão de efluentes e 51,4% do processo de fermentação entérica dos animais.

Relativamente à suinicultura, a atividade é responsável por apenas 0,34% do total das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal, sendo o setor da pecuária responsável por cerca de 5,25%.

Os suinicultores aplicam várias técnicas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, através do armazenamento e tratamento do estrume e do aproveitamento de energia, bem como do ajustamento das dietas de forma a diminuir o teor proteico, reduzindo assim o volume de amoníaco excretado. Fazem também investimentos regulares em sistemas de otimização da utilização de água, como lavagens de pavilhões com máquina de pressão e, ainda, a valorização agrícola dos efluentes produzidos.

Graças às inovações tecnológicas, foi possível reduzir em 23,2% as emissões de amoníaco por quilo de carne produzida, em 17,0% as emissões de metano provenientes do maneio de estrume por quilo de carne produzida, em 400% as emissões de óxido nitroso do maneio de estrume por quilo de carne produzida e em 21,5% as emissões de gases com efeito de estufa através de uma gestão eficaz do maneio de estrume.

Por outro lado, a otimização genética e a adoção de sistemas de lavagem mais sofisticados, como as lavagens dos pavilhões com máquinas de pressão negativa, possibilitaram também uma utilização mais eficiente da água. Tal permitiu não só uma redução superior a 50% do uso de água nos últimos anos (um suíno na fase de engorda consome cerca de 700 litros de água, ou seja, seis litros de água por dia), mas também reduzir a carga poluente, reutilizar os subprodutos com valor agronómico e reciclar todos os tipos de materiais utilizados.

No campo da energia, o setor tem vindo a racionalizar significativamente o consumo, economizando e melhorando a eficiência energética das explorações.

Em Portugal, existem várias explorações de suínos que já operam com energias renováveis, como a solar térmica e fotovoltaica, que permitem reduzir o impacto ambiental, nomeadamente os níveis de metano e o CO2 produzido, e também sistemas de monitorização automática permanente de gases que otimizam a ventilação nas instalações, substituindo a ventilação forçada por sistemas de ventilação natural, que são muito mais económicos e amigos do ambiente.

Na abordagem à circularidade, a produção animal tem um importante contributo no uso eficiente de matérias primas, nomeadamente na substituição de adubos de síntese por fertilizantes orgânicos. No entanto, a crescente concentração de explorações pecuárias intensivas em determinadas zonas tem sido em parte responsável pela produção de grandes volumes de efluentes pecuários que representam riscos significativos para o homem, o ambiente, as culturas e os animais.

Nesse sentido, o objetivo do Governo é reduzir até 2030 o consumo de matérias primas em 32%, inserindo-se neste plano a redução do tamanho das cadeias de nutrientes no setor da pecuária e fechar o ciclo no nível mais baixo possível. Assim, foi emitida a Portaria 631/2009 que regula a gestão do efluente pecuário em todas as suas vertentes, de forma a promover o uso eficiente da água, fomentando a economia circular e a redução da utilização de adubos químicos, garantindo às culturas as suas necessidades em fósforo e azoto.

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