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O Terno no Capitólio – Na forma mais pura do seu nome

É à média luz, num ambiente quente e amigável, que se ouve o começo da “Tudo Que Eu Não fiz”, a primeira música escolhida pelos brasileiros O Terno para abrir o concerto no Capitólio. A química entre a banda e o público é, desde logo, visível, e, com passos lentos e suaves, há quem comece a dançar, numa espécie de embalo apaixonado. “É maluco tocar músicas tão calminhas com gente de pé”, diz Tim Bernardes, o vocalista, que interage de forma natural com quem o ouve tão atentamente com um sorriso no rosto.

Quase como que um convívio entre amigos que decidiram tocar as músicas mais bonitas que conhecem junto à lareira, enquanto bebem o seu vinho preferido, o concerto flui de uma forma mágica e leve. Tanto que, por várias vezes, a interação entre os membros da banda e a plateia não passou despercebida. Entre pedidos de música e beijinhos enviados pelos fãs, sempre que se ouvia algum grito vindo do público, a resposta era imediata, quebrando todas as barreiras existentes e tornando a ligação totalmente “terno”. É impossível não mexer o corpo.

Viaja-se de mão dada com a música e, quando surge a “Volta”, uma das baladas mais esperadas pelo público, nem é preciso pedir que se faça coro. As vozes da plateia juntam-se a Tim desde o início da música. Também em “Bielzinho/Bielzinho”, “Passado/Futuro” ou “Nó”, músicas que fizeram parte da setlist preparada, é possível sentir o carinho entre quem toca e quem quer ouvir.

Créditos: Joana César

Publicado por Echo Boomer em Segunda-feira, 18 de novembro de 2019

A pele sente um arrepio e o coração fica quente graças à poção mágica d’O Terno: uma voz que dança e oscila de forma refinada, um baixo cheio de alma e uma bateria que, por vezes mais suave, por vezes mais forte, se mostra sempre firme e bem presente. Um arranjo musical que facilmente poderia ser a banda sonora de um fime da Disney. Como disse Tim Bernardes, a meio do concerto:“Impulsionar as canções sem tocar de mais e sem tocar de menos”.

Percebe-se a dedicação da banda em proporcionar uma experiência que transcende o espectro auditivo. A certo momento, o conjunto de luzes que ilumina a banda não é inocente: a vermelho, Gabriel Basile, na bateria; a azul, Guilherme D’Almeida, no baixo; e, a amarelo, Tim Bernardes, na guitarra, vocal e piano. Todos vestidos de branco. Para os olhares mais atentos, é um detalhe que não passa despercebido. São as cores da capa do mais recente albúm <atrás/além>. O-ter-no. Cada um a sua cor. E, sem dúvida, cada um um tom muito importante na pintura desta tela.

A última música começa a tocar e o agridoce sabor do final é sentido. A viagem chegou ao fim. Todos aterrámos com algo em mente: “Vem, volta, que eu estou te esperando desde que eu nasci”, para mais uma dança mística e terna.

Texto de: Carolina Santiago; Fotos de: Joana César

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