O género “comédia romântica” é mau ou nós é que somos preconceituosos?

por Natália Correlo

Como sou uma pessoa moderada que raramente se exalta, direi que a responsabilidade é de ambos. Por um lado, há pouco esforço por parte daqueles que fazem comédias românticas. Por outro lado, quando existe qualidade neste tipo de produto, muitos “cinéfilos” preferem dizer que não gostam. Na verdade até gostam, apenas são demasiado inseguros para o admitir.

É fácil dizer que o que está mal com as comédias românticas são os clichés. Mas não creio que seja isso. Prova disso é o filme A Star is Born: uma história que fez imenso sucesso, mas não é original em nenhum aspeto. Para além de ser um remake, quantas vezes já não torcemos pelo underdog (que no caso foi a personagem da Lady Gaga)? Quantas vezes já não assistimos à jornada do herói complicado (representado no filme pelo Bradley Cooper)? E acima de tudo, quantas vezes é que já vimos filmes sobre histórias de amor?

Embora tenha gostado do filme, a verdade é que é mais do mesmo. É um cliché dentro dum cliché. E por mais estranho que pareça, é por causa disso que funciona. Podemos dizer que detestamos clichés, mas na realidade gostamos deles porque nos identificamos. A vida real é um imenso cliché. O problema é que muitas comédias românticas replicam clichés que só existem no cinema.

Mas quem é que alguma vez teve uma luta de almofadas recheadas com penas de ganso? Qual é a mulher que basta respirar para tropeçar? E o mais irritante de todos: Até quando é que nos vão tentar convencer de que uma atriz extremamente bonita a usar óculos e um rabo-de-cavalo é feia?

Todavia, o problema não acaba aqui, e extravasa para a parte cómica destes filmes. Porque é que Hollywood insiste em contratar escritores que têm o sentido cómico duma uva-passa?

Enfim, o que posso concluir é que o género “comédia romântica” não é necessariamente mau. Existem vários filmes do género que cumprem bem o seu papel. Alguns exemplos disso são: Como perder um homem em 10 dias; De repente, já nos 30!; Don Jon; Hitch – Conselheiro Amoroso; 10 coisas que odeio em ti; entre outros.

É certo que alguns destes filmes têm premissas parvas. Porém sabem levá-las a bom porto, e é isso que importa. Portanto, não se envergonhem se gostarem deste tipo de entretenimento.

E já que estamos a falar do assunto, estejam à vontade para partilhar as vossas preferências. Isto aqui é um círculo seguro, só eu e o resto da Internet é que vamos ler os vossos comentários.

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