Crítica – “Gerald’s Game”: Um filme de terror controverso e verdadeiramente surpreendente

por Natália Correlo

O filme tem o mesmo nome que o livro em que se baseia: Gerald’s Game, uma história escrita por Stephen King em 1992. E tendo em conta as críticas que li no IMDb, há gente que adora o filme e gente que o detesta. O curioso é que ambos os grupos apontam as mesmas razões para justificarem as suas reações.

Mas vamos ao que interessa: a minha opinião. Pois bem, por várias vezes passei pelo filme enquanto dava uma vista de olhos pela Netflix e nunca lhe dei crédito. O título não me dizia nada e a sinopse era tão entusiasmante quanto um saco de sarapilheira. Já para não falar da imagem usada: uma mulher algemada deitada numa cama com um tipo em cima dela. Um cenário que me fez pensar: “Isto deve ser uma espécie de Fifty Shades com umas portas a ranger e uma gaja maluquinha a ouvir vozes.”

Todavia, decidi deixar o meu preconceito de lado. Não porque sou uma pessoa disposta à mudança, mas porque estava aborrecida. E não é que o raio do filme foi uma bela surpresa?!

Jessie (Carla Gugino) e Gerald (Bruce Greenwood) são um casal à beira da rutura. Por isso, o marido decide pôr a esposa a usar umas algemas para salvar o casamento. Bem vistas as coisas é só isto. Podem chamar-lhe de “apimentar a relação”, mas são só umas algemas.

No entanto, a insistência por parte do marido quanto ao uso deste “acessório” desencadeia o ressurgimento de traumas antigos. Acontecimentos que acabam por se manifestar num jogo psicológico cujo preço a pagar é a própria vida. E é aqui que os espetadores se dividem. Uns dizem que esta abordagem é brilhante, outros dizem que é irrealista.

Meus caros, um filme não tem um compromisso com a realidade. Apenas com a plausibilidade. E enquanto espetadores temos que estar dispostos a aceitar isso. Além do mais, Gerald’s Game não é sobre o que tu farias se estivesses naquela situação, é sobre o que a personagem faria. E se queres realidade, vê um documentário ou senta-te num banquinho de jardim a ver a vida dos outros acontecer. (Desculpem lá esta destilação de rancor, mas aqueles tipos do IMDb irritaram-me.)

Fazendo uma avaliação geral do filme, diria que está bem conseguido. Não vou dizer que é um filme fenomenal, contudo nalguns momentos soube ser bastante assertivo na criação de suspense.

Por fim, falta-me aludir a uma das cenas finais que poderá causar alguma impressão a quem não está habituado a filmes de terror. Para não dar nenhum spoiler, direi apenas que se verifica uma certa explicitude sanguinária. Todavia, são apenas uns segundos, por isso não sejam mariquinhas.

Nota:

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