North Music Festival. “Podem esperar a melhor edição de sempre”

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É mesmo isso que Jorge Veloso, diretor do North Music Festival, promete da edição de 2021, em entrevista ao Echo Boomer.

North Music Festival 2021
Foto de: North Music Festival

Dos constrangimentos causados pela pandemia, que levaram ao adiamento da edição deste ano, à expansão de dois para três dias em 2021, Jorge Veloso fala-nos das diferenças do seu festival em relação a outros, do local ideal que é a Alfândega do Porto e de como a captação de público estrangeiro tem sido uma aposta ganha.

1) Foram dos primeiros festivais a cancelar a edição deste ano, prontamente adiando-a para 2021. Como lidaram com a situação? Qual o impacto financeiro?

Jamais pensámos que esta pandemia ia chegar a Portugal. Os dados que nós tínhamos não apontavam nesse sentido. No entanto, quando começamos a ver que Itália estava a ter muitos casos e, depois, também em Espanha, estávamos no final de janeiro, início de fevereiro, altura essa em que nos encontrávamos a preparar, por assim dizer, aquela promoção final de dois, três meses para o festival, percebemos que era inevitável chegar cá. Aí parámos com tudo.

Daí os nossos prejuízos. Sim, tivemos, mas fomos a tempo de evitar que os valores fossem mais altos, como por exemplo em outdoors, spots de tvs, rádios… Parámos toda a promoção, no fundo.

Mas há o trabalho de um ano. Esse trabalho está perdido, para este ano, mas achamos que, ao termos os cabeças de cartaz confirmados para o próximo ano, os esforços não foram em vão. Construímos algo, que vamos protelar, mas é um investimento que está do lado das bandas e, como tal, só o vamos recuperar no próximo ano.

2) Como encaram as medidas excecionais introduzidas pelo Governo, nomeadamente o reembolso através de vouchers, para apoiar o vosso setor?

Nós não estamos ao abrigo dessa medida. Ao adiarmos, não estamos ao abrigo nem de vouchers nem do decreto-lei n.º 10-I/2020.

3) Aquando do vosso comunicado do cancelamento da edição deste ano, prontamente anunciaram que em 2021 teriam três dias de festival. A expansão para mais um dia já estava pensada, ou foi uma necessidade decorrente dos constrangimentos deste ano?

Sim, já estava pensada, não para este ano, mas para o próximo. As pessoas que compraram bilhete para um dia vão apenas a um dia no próximo ano. Apenas aquelas que compraram o passe geral para este ano é que têm bilhete válido para os três dias em 2021.

4) O cartaz mantém-se na integra. Foi fácil chegar a acordo com as bandas? Como têm elas lidado com a situação?

Há uma questão particular. Nós ainda antes de anunciarmos o adiamento já estávamos a negociar com as bandas. Mas sim, com o estado atual do mundo, foi relativamente fácil acordar com as bandas o “regresso” ao North Music Festival.

5) Os cabeças de cartaz são contratados, por norma, com bastante antecedência. De que forma o adiamento do cartaz condicionou a contratação do que seria o cartaz de 2021 (em condições normais)?

Sinceramente, quando fazemos um festival, nem pensamos o que vamos fazer no próximo ano. O nosso objetivo era único: esgotar. No ano passado tivemos muito perto e, este ano, estavam reunidas as condições para tal.

No entanto, abriu-se aqui uma oportunidade: um nome que não pudesse este ano pode, eventualmente, estar presente na próxima edição. Aliás, a seu tempo, iremos anunciar um grande headliner para quinta-feira (20 de maio).

6) Como lidaram os vossos parceiros/patrocinadores com a atual situação? Os apoios mantêm-se?

A partir do momento em que decidimos adiar, tivemos naturalmente de conversar com alguns parceiros. Não é uma questão de alguém querer: nós fomos impedidos de realizar o festival.

7) O que vos distingue enquanto festival?

Nós quando iniciámos este projeto fomos muito claros: achávamos que havia um modelo de festival esgotado. Aliás, a pandemia veio-nos dar um pouco de razão. Nós temos a Alfândega do Porto como pano de fundo e quase nada foi improvisado.

Temos quatro palcos distintos: palco principal, Palco Sunset e dois palcos interiores: um de jam sessions e outro de dance. Ou seja, temos condições indoor e outdoor e, com isso, não precisamos de improvisar.

O nosso festival é cosmopolita. É urbano. É transversal. Quem quiser pode ir dos Clérigos à Alfândega a pé. São 10 minutos. A qualidade do espaço (é um espaço centenário, a Alfândega já ganhou diversos prémios), a qualidade das bandas… É um festival diferente de todos os outros e dá para toda a família. É confortável. É o que mais se diferencia de todos os outros.

8) Começaram por ter o Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, como recinto. Mas as últimas edições aconteceram na Alfândega do Porto. Encontraram a localização ideal? É para manter?

Encontrámos o conceito ideal, sim. O primeiro serviu para testar, essencialmente. Portanto, devemos considerar mesmo como primeira edição aquela que aconteceu primeiramente na Alfândega do Porto.

9) O cartaz tem sido um misto entre bandas internacionais com algum passado (muitas com uma forte relação com o público português, apelando a uma certa nostalgia) e bandas nacionais, consagradas e novos valores. A aposta é para manter?

Sim, com quatro palcos temos de ter muita animação. É evidente que no cartaz não podemos logo comunicar tudo, mas estamos sempre atentos às novidades. No que toca às bandas nacionais, temos todos os anos uns 30 a 40 pedidos de projetos nacionais diferentes.

10) Qual a vossa lotação? Quais têm maior impacto – os passes ou os bilhetes diários?

Conseguimos ter no recinto 18 mil pessoas por dia. Este dia vendemos muito mais bilhetes diários do que no ano passado. Depende muito dos dias e das bandas/artistas apresentados para cada um. Tivemos muitos passes vendidos, mas este ano, sem dúvida, o bilhete único foi o mais procurado.

11) O festival tem por nome North Music Festival. O público estrangeiro tem cada vez maior presença nos festivais nacionais. É também uma aposta vossa? Que percentagem tem o público estrangeiro no número de participantes?

A escolha do nome foi mesmo propositada para captar público internacional, tanto que já conseguimos ter festivaleiros de 15 países diferentes. Até já tivemos despedidas de solteiros! E claro, com a ascensão meteórica do Porto nos últimos anos, acabámos por aproveitar.

Já tivemos muitas pessoas que adquiriram pacotes de alojamento nas bilheteiras lá fora. Mas mesmo quem venha sem nada planeado, facilmente se sentirá atraído.

Além disso, os bilhetes de espetáculos e festivais em Portugal são muito mais baratos. Até nas bebidas: uma cerveja lá fora custa 6€, cá pode custar 2€.

13) O que poderá esta pandemia ter feito à música ao vivo, em particular aos festivais?

No meu caso, eu acho que tenho um festival de futuro. Eu considero Portugal um país limpo. O que é que vai mudar? Eu acho que, no geral, não deverá mudar muita coisa, mas cada festival terá a obrigação, cada vez maior, de colocar mais casas de banho, desinfetantes, aplicar medidas de higiene e limpeza permanentes… Isso já era uma prática reiterada no nosso festival, mas eu acho que, cada vez mais, quem quiser subsistir nesta área dos festivais, vai ter de ter muito cuidado no futuro com as normas de segurança e higiene, porque senão o público não vai.

Acho que muitas questões de higiene terão de ser revistas nos outros festivais. Além disso, muitos deles terão problemas de tesouraria e liquidez, isso é inerente. E há falta de apoios. As linhas de créditos dos bancos e as sociedades de garantia mútua neste momento não respondem às necessidades dos promotores. Falo por mim.

14) O que podemos esperar da edição de 2021?

Podem esperar a melhor edição de sempre. Queremos esgotar. E com este cartaz e com o que ainda vamos anunciar, certamente que o vamos conseguir.

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