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Nitzer Ebb no Lisboa ao Vivo – A noite dos 100 decibéis

Oportunidade rara de ver um dos representantes da EBM (Electronic Body Music), e associados a nomes grandes da synth pop como os Depeche Mode, com quem os Nitzer Ebb partilharam diversos concertos nos anos de Music for the Masses.

Apesar disso, o cenário pelas 21h30 é bastante desolador no Lisboa ao Vivo – parece que o concerto no Hard Club do Porto foi até cancelado. Quase 15 minutos depois, quando Douglas McCarthy, Vaughan “Bon” Harris, David Gooday e Simon Granger entram em palco, a plateia está melhor, e a inteligente estratégia de correr uma cortina atrás da régie ajuda a criar algum ambiente.

Além disso, a receção é bastante calorosa enquanto os membros entram um por um, David Gooday e Simon Granger de forma discreta, cada um no seu canto, Bon Harris bem ao centro a fazer uma vénia e a esticar as baquetas e, por fim, Douglas McCarthy a irromper para cantar “Blood Money”.

Está dado o mote para o concerto, a ritmo rápido e sem tretas e, apesar da sua idade cinquentenária, McCarthy e Harris não param quietos. O vocalista apresenta o seu tradicional traje preto e óculos escuros e com o cabelo bem para trás dá ares do mito Falco. Já Harris, o baterista elétrico e programador-mor do som dos Nitzer Ebb e com trabalho vasto enquanto produtor, tem pinta de Dr. Evil do clubbing.

Parece estranho, mas funciona, e o autor não se arrepende de ser o único de manga curta na sala. A energia dos sintetizadores e dos coros constantes fazem que não se sinta o frio.

O som industrial vai ser uma constante, e toca bem alto. Depressa o contador do lado esquerdo do palco chega aos 100, com o público variado – que vai desde quem ache que é o agente 47 da série Hitman a quem tenha longas rastas que mal cabem num chapéu generoso, a mexer-se animadamente o seu quadrado de território.

Em particular temas como “Join in the Chant”, criados na altura em que Margaret Thatcher arrancava pelas raízes o consenso do pós-guerra no Reino Unido sem se preocupar com os danos colaterais, continuam plenos de vigor, palavras de ordem da Essex ainda claramente de classe trabalhadora dos anos 80 e que construíram a inatacável reputação Labour dos Nitzer Ebb.

Na verdade, não esperem aqui grandes tour de phrase, mas sim slogans repetidos até à exaustão em estilo marcial, acompanhados por uma batida constante e um jogo de luzes entre a sombra e os focos de luz forte em cima dos intérpretes. Não é coisa frequente ao nível dos espetáculos ao vivo em nome próprio por estas bandas, e mais associada ao centro da Europa, mas parece que em Madrid, a próxima paragem, esgotou.

Ainda bem, já que o concerto é muito competente e os Nitzer Ebb nunca baixaram os braços. O último terço do concerto, com “Let Your Body Learn” e “Murderous” antes da pausa para encore, e o final com “Alarm” e “Godhead”, é especialmente forte.

Em Murderous pergunta-se a plenos pulmões onde é que está a juventude e o ouro com o sintetizador a puxar pelos presentes, e este continua a ser um grande tema da música de dança alternativa. Alarm pega no mesmo ritmo e junta-lhe gritos de guerra e diz basta.

Já Godhead, do álbum Ebbhead de 1991, é a mais sofisticada em termos líricos e soa quase protoNine Inche Nails, com um baixo mais dominante e os sintetizadores a recuarem para o pano de fundo, enquanto os artistas tomam a casa de assalto.

É a despedida. 23h10, hora de ir para casa, e passa-se pelo merchandising onde se vendem CD’s autografados pela banda. Bom toque.

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