(Na sala de estar de) Patrick Watson

Um regresso esperado. Era a ideia que ficava na plateia que ia compondo a Fábrica XL do LX Factory. Foram precisos três anos até Patrick Watson voltar a terras lusas – e em dose quádrupla: Lisboa, Coimbra, Guimarães e Porto – e sentia-se a ansiedade na plateia. A abertura do concerto ficou a cargo de La Force, projeto da canadiense Ariel Engle que faz parte da composição atual dos Broken Social Scene, pop eletrónico que provou ser uma entrada interessante para o que todos nós aguadávamos.

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Enquanto decorriam os últimos preparativos, começava a notar-se o que seria, no fundo, uma noite de mais puro intimismo. E, à chegada de Patrick Watson e restantes membros, o próprio palco era prova disso mesmo: três candeeiros com lâmpadas enormes (que davam uma pequena luz ambiente) e um bem enquadrado jogo de luzes foram elementos que contribuíram para o que viria a ser um concerto que, certamente, ficará na memória de quem lá esteve.

Patrick Watson não perdeu muito tempo e, de uma assentada só, é-nos servido “Love Songs for Robots” e “Places You Will Go” (de Love Songs for Robots, álbum de 2015), sem tempo para respirar. No final da sequência, e depois de trocar algumas palavras com o público (note-se que Patrick Watson foi um anfitrião extremamente afável e simpático ao longo da noite) foi-nos dito que iam tocar alguns temas novos – que poderemos, certamente, ouvir num novo álbum, a sair no próximo ano – e, pela amostra (uma das canções intitulada “The Wave”) espera-nos, novamente, composições que arrebatam, onde todo o drama e romantismo de Patrick Watson é catapultado em ambientes quase cinematográficos. “Melody Noir”, single lançado há dois meses meses, é outra das novidades.

Por esta altura, já todos estávamos hipnotizados na beleza de todo aquele momento, e é aproveitando esse momento que começa “Slip Into Your Skin” – uma lullaby de Close to Paradise, de 2006 – e Patrick Watson transforma-nos num coro, eliminando ainda mais a distância que se pudesse sentir entre artista e público. Podia ter servido uma boa despedida, mas o concerto ainda nem a meio ia e ainda não tínhamos visto nada…

A memória de Close to Paradise voltava a ser revisitado na urgência musical de “Drifters” para se voltar à nossa década, através de “Hearts” e “Bollywood”, dois temas fortes retirados de Love Songs for Robots. De notar a prestação de Patrick Watson no piano e, a bem dizer, a prestação da banda que o acompanha, pois as versões ao vivo foram excelentes. Entre temas do (ainda) último álbum aparece “Broken”, single lançado no ano passado, outra composição de Patrick Watson que podia ser irmã de “To Build a Home” (embora esta última não tenha sido tocada). Seguiu-se uma incursão por “Adventures In Your Own Backyard”, tema título do álbum de 2012, mais uma mostra que podia ser tema de uma obra cinematográfica. (um western ou parecido, mesmo!)

“Turn the Noise”, ainda do último álbum, é um dos momentos marcantes da noite. Difícil seria outro cenário dada a intensidade envolvida na canção mais sexy do repertório do músico e cujo título assenta que nem uma luva. Estávamos todos na sala de estar de Patrick Watson. E estávamos nos píncaros. Haveria melhor?

Havia sim. Patrick Watson pergunta-nos se pode chamar um convidado ao palco (como se tal fosse necessário) e apresenta-nos Ana Moura – deste lado confessava-se o espanto – para interpretar um tema espanhol em dueto com Patrick Watson. A noite revelava-se cheia de surpresas. “Into Giants”, tema de Adventures in Your Own Backyard, é tocada a pedido do público e é mais um momento em que banda e público cantam em uníssono. Mais uma catarse. Segue-se Patrick Watson ao piano e somos brindados com “Lighthouse” num belo momento, mais um em que… falha a luz! Patrick Watson vê-se sem voz, sem instrumentos, sem luz. Sem desarmar, pega num megafone e continua o tema, percorrendo o público, em mais um momento inesperado.

Enquanto a equipa técnica resolvia a situação, “Man Under the Sea” sai improvisado com o refrão em loop e o público a acompanhar e a iluminar o palco com os flashes dos telemóveis. Experiência caricata, no mínimo. De tal ordem que Patrick Watson pediu à banda que improvisasse uma composição e pediu a Ana Moura para cantar um tema que nenhum deles sabia o que era. Se esta é a sala de estar de Patrick Watson , nós queremos ser convidados mais vezes.

Chega-nos o final. “Big Bird in a Small Cage”, tesouro de Wooden Arms (2009), é-nos apresentado praticamente a capella, com o verso “You put a big bird in a cage and it will sing you a song” a ser entoado incessantemente entre eles e nós. Patrick Watson e o seu grupo despedem-se de nós. You could stay a little longer, pensámos nós.

Fotos por: Graziela Costa

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